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15/01/2020 | 06:39 | Geral

Com açudes secos, produtores precisam improvisar para dar água ao gado

Em Soledade, produtores enfrentam dificuldades para alimentar animais e há queda na produção de leite

Ceccon precisou recorrer a poço artesiano porque o nível do açude baixou e a água ficou barrenta - Isadora Neumann / Agencia RBS


Eduardo Ceccon deu nome às 12 vacas leiteiras criadas na propriedade dos pais, situada em uma estrada de chão a 2,5 quilômetros da RS-322, em Soledade. Fátima é a que costuma passar mais tempo matando a sede no açude aos fundos da casa da família, no município do norte do Estado. 


Na semana passada, às vésperas de a propriedade completar 28 dias seguidos sem um pingo de chuva, Fátima e as companheiras tiveram de abandonar o hábito. O nível do açude recuou um metro, abrindo uma prainha de terra vermelha e produzindo uma água barrenta. 


Ceccon teve de improvisar. Puxou água de um poço artesiano e distribuiu o líquido límpido aos animais em uma mangueira.


— Estava apodrecendo a água. E, ainda assim, preferem a barrenta do que a limpa — queixa-se o produtor de 25 anos.


Em Soledade, município que assinou decreto de emergência na última sexta-feira (10), a estiagem já impacta a bacia leiteira. Pelos cálculos da Defesa Civil, responsável pela elaboração do documento, houve queda de 30% da produção do alimento.


Mesmo zelando pelo seu rebanho, Ceccon tem tirado menos leite do que o habitual. A produção de cada cabeça deveria estar em torno de 25 litros, mas apenas 15 tem saído da ordenha diária, entregue à Cooperativa de Produtores de Leite de Tio Hugo (Coprolat). A principal causa está na má qualidade do pasto – no lugar dos 40 centímetros de verde normais para a época, há um carpete seco e pedregoso.


O produtor também acumula perdas no rebanho de corte, formado por 50 cabeças das raças gir, angus e girolando. Em vez de engordarem enquanto pisoteiam os 10 hectares da propriedade para irem à venda em frigoríficos da região, os animais têm perdido peso e, consequentemente, valor.


— Ainda não parei para fazer a conta do prejuízo. Isso desanima — diz o produtor.


Para a família Ceccon, ainda há danos na agricultura. As plantas de milho estão miúdos, meio metro abaixo da altura esperada. O mesmo fenômeno abateu a soja, espalhada em quase cem hectares da propriedade.


— Agora, já era para estar assim, ó — mostra o produtor, apontando para a altura da cintura diante de uma lavoura que mal atinge seus joelhos.


No fim de semana, Soledade ainda enfrentou desabastecimento na zona urbana, até então, imune à estiagem. Por 24 horas, houve corte de água potável em razão ao recuo do Rio Espraiado. Na área rural, a queima de bombas de poços artesianos também seca torneiras, de acordo com a coordenadora da Defesa Civil do município, Aline Maciel.


— Neste momento, o milho é a cultura mais afetada, porque demanda mais água do solo e está em período reprodutivo — afirma o engenheiro agrônomo Roger Moraes, do escritório municipal da Emater. 


Para aplacar a estiagem, a prefeitura tem levado água em caminhões-pipa para comunidades do interior, além de abrir bebedouros para animais. Em pontos isolados, foram registrados focos de incêndio em vegetação e lavouras.


– Temos 40 comunidades para atender e apenas um caminhão-pipa. Está bem complicada a situação – resume o secretário municipal da Agricultura, Juarez Moraes.

Fonte: Gaúcha ZH

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