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30/05/2020 | 07:18 | Geral

Covid-19 nas comunidades: SC tem mais de 32 mil famílias em situação de vulnerabilidade, diz IBGE

Pesquisa foi divulgada nesta semana. Estatísticas atualizadas podem ajudar no combate ao novo coronavírus onde mora a população mais pobre

Comunidade em Florianópolis, Santa Catarina ? Reprodução/NSC TV


Santa Catarina tem 32.416 mil famílias em vulnerabilidade, diz pesquisa divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos lugares onde essas pessoas vivem faltam, principalmente, serviços públicos como saneamento e lazer. E também falta espaço dentro das casas. As estatísticas atualizadas podem ajudar no combate ao novo coronavírus onde mora a população mais pobre.


 


A cozinheira Josy Plácido mora no Papaquara, comunidade no Norte da Ilha, em Florianópolis. "Eu moro com três. Eu, marido, filho e neto. São dois quartos, uma sala e a cozinha.


 


O IBGE dá a essas comunidades o nome de aglomerados subnormais. Pelas contas do Instituto, no topo da lista no estado está Florianópolis, com 11.419 domicílios do tipo. Blumenau vem em segundo lugar, com 7.207 casas ou apartamentos em comunidades carentes.


 


"Temos ido à comunidade toda semana. Nesta atuação de levar alimento, material de higiene pessoal, material de limpeza, a gente conversa também com a população neste sentido dos cuidados importantes deste momento", disse Kelly Vieira, chefe do Departamento de Trabalho Social da Secretaria de Infraestrutura da capital.


O estudo do IBGE também mediu a distância dessas casas em relação a unidades de saúde como postos e hospitais. Quase metade das comunidades tem um hospital a menos de dois quilômetros de distância em Santa Catarina. Mas a assistência à saúde pode estar muito mais longe, dependendo da região.


"Na capital esse percentual é ainda maior, 82% dos aglomerados subnormais foram localizados a menos de dois quilômetros de um hospital. Por outro lado em Chapecó, no Oeste catarinense, encontramos dois aglomerados subnormais que ficam a mais de 13 quilômetros de distância de um hospital", disse Andréa Barbosa, coordenadora técnica do Censo Demográfico 2021 do IBGE.


O Papaquara é uma dessas comunidades, já que fica distante mais de 20 quilômetros dos principais hospitais da capital. Mas o que mais está faltando é emprego e comida.


"Meu marido trabalha com obra, mas está difícil, está tudo parado, as obras que começam eles mandam parar... está complicado, eu tenho cinco crianças dentro de casa, precisamos de ajuda aí para nossa comunidade", disse a moradora Aline de Andrade.


Josy Plácido contou que Aline é cozinheira e confeiteira e está há quatro meses sem trabalhar porque foi mandada embora por causa da Covid-19. "Ela recebeu uma cesta básica e tava falando que precisa muito, muito, muito de ajuda".


As doações chegam de vez em quando, da prefeitura, de empresas e igrejas. Em relação às recomendações de prática de isolamento social, a representante da administração municipal de Florianópolis disse que não existe um trabalho específico para o combate à pandemia nas comunidades carentes.


"Talvez o que a gente está fazendo não é o suficiente, mas a gente não aprendeu a trabalhar ainda, nenhum de nós, com desastre dessa magnitude, que se caracterize como pandemia. As pessoas com maior necessidade procuram o posto de saúde, elas pedem ajuda e o posto de saúde aciona a rede, entra em contato com a Secretaria de Assistência Social que aciona quem é o profissional mais próximo que poderia dar algum tipo de suporte", afirmou Kelly.


Josy conta que faltam recursos para o básico. "Álcool-gel é difícil, porque a gente não tem o que comer, imagina para comprar álcool em gel. E o álcool-em gel está muito caro", disse.

Fonte: G1

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