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01/07/2020 | 06:56 | Geral

Pequenas empresas do RS seguem com dificuldade para conseguir crédito

Sebrae-RS estima que dois terços dos negócios no Estado que pediram empréstimo ainda não conseguiram recursos

Carla conseguiu liberação de um empréstimo após 60 dias, mas ainda aguarda retorno de banco para obter mais recursos - Félix Zucco / Agencia RBS


No momento em que muitas empresas do Rio Grande do Sul voltaram a ter de restringir suas atividades, por conta do avanço da pandemia de coronavírus e a atualização das regras de funcionamento nas cidades e no Estado, persiste a dificuldade dos micro e pequenos negócios para conseguir crédito. Sondagem divulgada pelo Sebrae-RS nesta terça-feira (30) estima que, desde o início da pandemia, 39% das empresas gaúchas solicitaram financiamento. Dessas, apenas 33% conseguiram os recursos. Outros 67% — ou dois terços do total — não conseguiram ou ainda estão com o pedido em análise nos bancos. 


A falta de garantias reais, as elevadas taxas de juros e as pendências cadastrais da empresa ou dos sócios são apontados pelos empreendedores como os principais motivos que emperram a liberação dos recursos. Feito entre os dias 17 e 25 de junho, o levantamento do Sebrae-RS entrevistou 578 empresas, que vêm sendo monitoradas desde o início da crise. Na rodada da pesquisa finalizada em 20 de maio, 63% das companhias que tinham buscado empréstimo estavam com o pedido negado ou em análise. 


— Embora o mercado financeiro tenha recursos abundantes, os empreendedores continuam tendo dificuldade para acessar as linhas de crédito e elas acabam se tornando inócuas. A consequência é que a situação dos pequenos negócios tende a se agravar mais — avalia o superintendente do Sebrae-RS, André Godoy, lembrando que a principal necessidade apontada pelas empresas neste momento é capital de giro. 


A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica que, desde o início da pandemia, foram realizadas 523,4 mil operações de crédito para pessoa jurídica no país, o que representa crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. A Febraban destaca que, entre 1 de março e 16 de junho, as concessões de crédito somam R$ 1,1 trilhão entre contratações, renovações e suspensão de parcelas. 


Nesta terça-feira (30), o ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu, em reunião da comissão mista do Congresso que discute a pandemia de coronavírus, que a concessão de crédito segue insuficiente mesmo com uma série de linhas e programas lançados nos últimos meses. 


— Na parte de crédito, o desempenho não foi satisfatório até o momento — disse. 


Recentemente, o Banco Central anunciou um pacote de novas medidas com potencial para liberar até R$ 272 bilhões, na tentativa de destravar o crédito principalmente aos pequenos negócios.  


— Está começando a haver um movimento, ainda incipiente, para deixar o crédito mais acessível. As medidas anunciadas desde o início da pandemia eram satisfatórias, mas a velocidade de liberação dos recursos não. Se houvesse maior facilidade no início da crise, os negócios poderiam se tornar mais resilientes — aponta Oscar Frank, economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA).


Liberação dos recursos 


Conseguir crédito se tornou tarefa de gincana para muitos empreendedores durante a crise. Após mais de 60 dias de espera, a sócia do restaurante Dose Enlov, no bairro Menino Deus, Carla Kohlrausch pôde respirar um pouco mais aliviada ao receber retorno do banco sinalizando o repasse de R$ 50 mil para capital de giro.  


A liberação dos recursos veio logo após Carla relatar em reportagem de GaúchaZH, no final de maio, as dificuldades que enfrentava para conseguir empréstimos para manter o restaurante aberto. Em um momento no qual o atendimento presencial ao público está interrompido, por causa do decreto municipal e da bandeira vermelha em Porto Alegre, o dinheiro atenua os efeitos da queda de 70% no faturamento mensal.  


— O que ainda nos mantém abertos é o nosso propósito. Acreditamos muito no que estamos fazendo e esse empréstimo nos deu um fôlego. Sem ele, não conseguiríamos levar adiante o negócio — constata Carla. 


Apesar de ter conseguido dinheiro para giro, utilizado para quitar impostos e valores junto a fornecedores, Carla segue buscando mais R$ 35 mil para investir na reformulação do restaurante, que trocou o bufê por um cardápio focado em alimentação vegetariana e vegana. Nesta linha, a empresária segue à espera de um retorno da instituição financeira há cerca de 90 dias. 


Para o empresário Yuri Yefinczuk, sócio da fabricante de componentes eletrônicos Monta Brasil, a sinalização de disponibilidade do banco chegou tarde. Em maio, ele relatou à reportagem que havia buscado a linha de crédito para pagamento da folha salarial. Na ocasião, a instituição financeira negou o pedido, por considerar que havia alto risco na operação. Assim, Yefinczuk se viu sem alternativa e optou por demitir 10 dos 12 funcionários que tinha. 


— Em junho, o banco me procurou oferecendo o empréstimo da folha, mas já não tinha mais necessidade — diz.  


O sócio da Monta Brasil também buscava R$ 60 mil para capital de giro, mas acabou desistindo em meio às dificuldades para obter o recurso. Yefinczuk diz que está renegociando as despesas com os credores para driblar os impactos da crise.  


Outros dados da pesquisa


* Entre as empresas ouvidas pelo Sebrae-RS até 25 de junho, 74% apontaram que tiveram queda no faturamento nos últimos 30 dias. Neste grupo, 46% alegaram que o     tombo foi superior a 50% da receita. Outras 16% disseram que situação permaneceu inalterada no período e 10% apontaram crescimento na receita. 


* Em relação à ocupação, 60% dos micro e pequenos negócios gaúchos ouvidos pelo Sebrae-RS indicaram que houve diminuição no número de empregados, 33%     mantiveram o patamar anterior e 7% aumentaram a quantidade de colaboradores. 


* Para os próximos 30 dias, 51% dos empreendedores têm expectativa de manter a empresa aberta, 14% esperam se reposicionar, 11% pretendem expandir, 10% tendem     a  reduzir, 10% querem retomar as atividades e 4% acreditam que será necessário fechar a empresa.  


* Capital de giro é apontado por 58% dos entrevistados como o principal tipo de apoio que as empresas precisam atualmente. 

Fonte: Gaúcha ZH

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