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10/01/2016 | 08:01 | Saúde Hospital de Tupanciretã vai suspender cirurgias pelo SUS devido à falta de verba Repasses dos governos Federal, Estadual e Municipal estão atrasados

Cerca de 95% dos atendimento do hospital atendimentos são pelo SUS e são feitos cerca de 2 mil por mês (Foto: Iltom Vargas de Oliveira /Divulgação)


O Hospital de Caridade Brazilina Terra (HCBT), em Tupanciretã na Região Central, vai suspender as cirurgias oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do dia 15 de janeiro. O motivo é a falta de repasses de recursos por parte dos governos Federal, Estadual e Municipal. O SUS representa 95% dos procedimentos. As cirurgias são eletivas, de pequena e média complexidade, e, entre as especialidades, estão cirurgia geral e obstetrícia.


De acordo com o presidente o HCBT, Antônio Goergen, a impossibilidade de manter em funcionamento o bloco cirúrgico foi informada ao prefeito Carlos Augusto Brum de Souza (PP) na tarde de sexta-feira (8). Ele aponta que o repasse da subvenção da prefeitura está em atraso desde julho de 2015. Eram pagos, mensalmente, R$ 52 mil. Somando, o montante devido ao hospital chega até R$ R$ 364 mil.


“Devido à falta de repasses por parte dos governos Federal e Estadual, há anos a prefeitura se comprometeu a pagar uma subvenção, que é um valor necessário para manter a folha de pagamento em dia”, explica o presidente “Sem esse valor, não há mais condições de prestar os serviços”.


Em dezembro, apenas 35% da folha de pagamento do quadro de profissionais foi paga, e o sindicato já sinaliza com a possibilidade de greve.


Mais problemas


O presidente aponta que as internações no hospital, que oferece cerca de 80 leitos para o SUS, também estão em cheque e poderão ser suspensas. Elas serão mantidas enquanto houver estoque de soro e materiais de uso básico. Quando os medicamentos acabarem, os próprios pacientes deverão fazer a aquisição.


O administrador do hospital, José Sidney Goergen, explica que falta verba para pagar as empresas que fornecem o material hospitalar.


“Eu não estou conseguindo comprar mais material porque os fornecedores que nos venderam no mês de dezembro querem receber agora em janeiro e nós não temos como pagar”, diz.


O hospital recebia mensalmente cerca de R$ 320 mil. O Estado parou de repassar o incentivo no valor de cerca de R$ 60 mil. Mais o valor que era repassado ao município, são R$ 112 mil a menos, ou seja, praticamente 1/3 da receita.


“Nós viemos trazendo o hospital funcionando na expectativa de que a coisa melhorasse. Mas agora chegou a um ponto que não tem mais. E o hospital vai fechar. Vai fechar. Ele suspende agora e não tem perspectiva. Vai fechar o hospital”, desabafa.


Cerca de 95% dos atendimento do hospital atendimentos são pelo SUS e são feitos pelo menos 2 mil por mês. O hospital oferece tratamento na área da psiquiatria e mantém espaço para tratamento de dependência química.


Contas atrasadas


A prefeitura de Tupanciretã sinalizou com o repasse de mais de R$ 70 mil ao hospital para quitar a conta de luz, que a RGE, concessionária de energia elétrica, ameaçou cortar devido ao atraso no pagamento. Uma máquina de oxigênio, que pertence a uma empresa do Mato Grosso, está com o aluguel atrasado há cinco meses e a empresa quer vir buscá-la. O hospital tem cerca de 80 anos de atendimento e está com o patrimônio penhorado devido a processos judiciais.


Em fevereiro, será realizada a eleição para a nova gestão do hospital.


Na próxima segunda-feira (11), a prefeitura fará uma reunião para tratar da situação do hospital.

Fonte: Rádio Gaúcha


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