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| 04:56 | Saúde 4 min de leitura

RS define em reunião que nenhum larvicida será usado contra o Aedes

Estado já havia suspendido uso de Pyriproxyfen após polêmicas

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Estado já havia suspendido uso de Pyriproxyfen após polêmicas
Foto: Reprodução RBS TV
Depois de suspender o uso do produto Pyriproxyfen para combater larvas de mosquito no combate ao Aedes aegypti, o governo do Rio Grande do Sul decidiu em reunião nesta segunda-feira (15) não usar nenhum larvicida. A medida foi tomada depois que a Secretaria Estadual da Saúde teve acesso a estudos que deixam dúvidas sobre a substância química.
"Nosso foco prioritário tem que ser o de evitar o criadouro, sem o uso de produtos químicos, dando preferência aos métodos mecânicos", disse o secretário de Saúde, João Gabbardo dos Reis.
Além de Gabbardo, participaram do encontro representantes das secretarias estaduais de Obras, Saneamento e Habitação e do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, além da Emater e Corsan. A decisão de suspender a aplicação do produto em reservatórios de água também recebeu apoio integral do Conselho Estadual das Secretarias Municipais de Saúde do estado.
O larvicida é usado para matar as larvas do mosquito, sendo geralmente aplicado dentro de caixas d´água, nas regiões não abastecidas com água potável. O produto é comprado pelo Ministério da Saúde, repassado para o estado e, depois, enviado para os municípios. O Rio Grande do Sul recebe por mês 80 kg do produto, sendo que 1 kg é suficiente para ser usado em cinco mil caixas d’água.
Gabbardo determinou a suspensão do uso do Pyriproxyfen após a divulgação de um grupo de médicos da organização Physicians in the Crop-Sprayed Towns, da Argentina. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) também questiona a segurança da substância, mas não a relaciona com os casos de microcefalia.
Por meio de nota, a Abrasco informou que "em momento nenhum afirmou que os pesticidas, larvicidas ou outro produto químico sejam responsáveis pelo aumento do número de casos de microcefalia no Brasil". O que a nota da entidade dizia é que ela considera perigoso que o controle do mosquito seja feito principalmente com larvicidas.
Em Porto Alegre, a prefeitura informou que jamais utilizou o produto. "Avaliamos que uso desse larvicida não mostra resultados tão positivos quanto a ação de orientação, educação e remoção mecânica dos criadouros", diz o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter.
'Não há motivo para alarme', diz secretário nacional sobre larvicida
No sábado (13), dia de mobilização nacional contra o Aedes aegypti, o secretário nacional de atenção à saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, comentou a polêmica envolvendo o uso do larvicida Pyriproxyfen.
"Importante dizer que o larvicida distribuído pelo Ministério da Saúde tem absoluta segurança para uso em água potável e principalmente no tratamento de criadouros de mosquito. Não há nenhum motivo de alarme, de suspensão”, disse Beltrame, em Porto Alegre. Ele acredita que a decisão deve ser repensada. "Acredito que a secretaria deverá rever a posição em breve, porque o Ministério da Saúde está respaldado pela Organização Mundial da Saúde, que garante a segurança do produto para consumo humano", salientou.
O Ministério da Saúde disse que não existem estudos epidemiológicos que comprovem a associação do uso do larvicida com os casos de microcefalia, e que os produtos passam por  um rigoroso processo de avaliação, com certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que avalia a segurança do larvicida no Brasil.
Ministro da Saúde e fabricante descartam ligação
Na cidade de Salvador, na Bahia, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, decartou a possibilidade levantada pelos médicos sobre o uso do larvicida em água consumida pela população, afirmando que se trata de boato.
"Isso é um boato. Isso é desprovido de qualquer logica e sentido. Não tem nenhum fundamento. O nosso é aprovado pela Anvisa e usado no mundo inteiro. Pyriproxyfen é reconhecido por todas as agências de regulação do mundo inteiro", disse.
Em nota, a empresa fabricante do Pyriproxyfen afirma que "não há nenhuma base científica em tal afirmação". De acordo com a Sumitomo Chemical, é aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para combate a mosquitos, dentre eles o Aedes Aegypti.
"Segundo a OMS, em seu documento Pyriproxyfen in Drinking-water, publicado em 2004 - também publicado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) em 2001 -, o Pyriproxyfen não é mutagênico, não é genotóxico, não é carcinogênico nem teratogênico. O produto foi submetido a rigorosos testes toxicológicos que não demonstraram efeitos sobre a reprodução, sobre o sistema nervoso central ou periférico", continua a nota do fabricante.

Fonte: G1

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