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| 19:47 | Geral 3 min de leitura

Ameaçada de extinção, rara onça-parda é fotografada no Parque Estadual do Turvo

Gestor do parque foi surpreendido ao avistar o animal, que é solitário, arisco e tem hábitos noturnos

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Gestor do parque foi surpreendido ao avistar o animal, que é solitário, arisco e tem hábitos noturnos
Urbanização e redução de florestas são algumas das causas do declínio populacional da espécie (Foto: Dante Meller / Arquivo Pessoal)
São apenas 20 onças-pardas espalhadas em uma área de 17,5 mil hectares. Deparar-se com um desses raros bichos, portanto, significa um dia de sorte para qualquer biólogo. Foi o que aconteceu, na manhã desta terça-feira, com o especialista em Ciências Ambientais Dante Andres Meller, gestor do Parque Estadual do Turvo, em Derrubadas, no noroeste do Estado.
— Foi emocionante. Em seis anos que trabalho aqui, é a segunda vez que vejo este animal e a primeira  em que consigo fotografar — relata.
O velho costume de andar com a câmera a tiracolo garantiu o registro. Meller e o colega Alfieri Callegaro, também biólogo, estavam em um carro a caminho de uma estrada próxima ao Salto do Yucumã — queda d’água que é a principal atração do parque — quando avistaram o felino.
— Estávamos indo justamente revistar a armadilha fotográfica que instalamos para tentar captar imagens desses animais, que são solitários, ariscos e têm hábitos principalmente noturnos.
Callegaro buzinou. O barulho que poderia assustar o animal, fazendo com que se escondesse, surtiu efeito contrário: a onça-parda olhou exatamente em direção à lente da câmera do gestor.
— Não há como descrever a sensação de ver um animal destes em liberdade. Só podemos agradecer e deixar um alerta pela sua preservação — postou o biólogo na página do Parque no Facebook.
O felino da espécie Puma concolor está ameaçado de extinção no Estado, de acordo com lista disponibilizada pela Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul em parceria com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). Estima-se que o total de indivíduos adultos seja inferior a 2,5 mil — divididos em subpopulações de, no máximo, 250 exemplares. 
Os principais fatores que colaboram para o declínio populacional da onça-parda no território gaúcho são a urbanização, a construção de hidrelétricas, a redução das florestas e a caça das suas presas (principalmente veados e cervos). É comum também, de acordo com a Fundação Zoobotânica, a caça da própria espécie em retaliação à predação de animais domésticos.
— Essa semana está muito empolgante. Ontem (segunda-feira) conseguimos avistar também uma anta e uma vara de porcos-catetos, ambas as espécies raríssimas — conta Meller.
De fato, as duas espécies, assim como a onça-parda, constam na lista de animais ameaçados de extinção. O cateto, sujeito a uma forte pressão de caça em habitats florestais altamente fragmentados, está em declínio populacional contínuo. Já a situação da anta é crítica: são menos de 50 animais no Rio Grande do Sul — todos restritos ao Parque Estadual do Turvo. 

Fonte: Zero Hora

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