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| 06:49 | Saúde 4 min de leitura

Primeiras 500 vítimas do coronavírus no RS morreram, em média, 15 dias após início dos sintomas

Homens com mais de 60 anos e problemas cardíacos são os mais frequentes entre os mortos

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Homens com mais de 60 anos e problemas cardíacos são os mais frequentes entre os mortos
Reprodução/Internet
Ao completar a marca de 500 mortes provocadas no Rio Grande do Sul nesta quarta-feira (24), o coronavírus confirma se tratar de um adversário rápido e perigoso para suas vítimas. Quem sucumbiu à pandemia no Estado teve, em média, 15 dias de luta contra a doença antes de acabar vencido pelo vírus. Um quarto dessas pessoas teve uma semana ou menos entre o início dos sintomas e o registro do óbito, conforme indica uma análise dos microdados disponibilizados pela Secretaria Estadual da Saúde (SES). 
— Eu acreditava que esse prazo era de mais ou menos três semanas, mas, provavelmente, há casos mais graves, de pacientes mais idosos, que estão puxando a média para baixo. A letalidade real da covid deve ser de aproximadamente 0,5%, mas quando afeta pessoas mais debilitadas, muitas vezes não há o que se possa fazer — analisa o professor de Epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e consultor do Hospital de Clínicas Jair Ferreira.
Em geral, desde a primeira morte, anunciada em 25 de março, até agora, as estatísticas indicam que os mortos em razão da covid-19 no Estado foram principalmente homens, acima dos 60 anos e, em nove entre 10 casos, apresentavam algum tipo de comorbidade — as mais comuns são complicações cardíacas crônicas. Em seguida aparecem diabetes e outras doenças pulmonares (veja abaixo gráfico com informações completas).
Isso ajudaria a explicar por que, em muitas situações, os pacientes acabam tendo poucos dias de vida desde as manifestações iniciais da contaminação até o último suspiro em um hospital. O arquivo digital da secretaria indica, ainda, que pouquíssimos doentes não chegaram a ser atendidos em ambiente hospitalar: somente dois entre todos os 500 levados pela pandemia.
Uma análise mais detalhada dá outras pistas sobre a forma como o coronavírus afetou suas vítimas no Rio Grande do Sul ao longo dos últimos três meses. Entre os homens e mulheres mortos pela pandemia, mais de 80% sofreram com falta de ar, enquanto esse sintoma só foi mencionado por 17% daqueles que se recuperaram ou ainda estão enfrentando a doença. 
Em sentido oposto, apenas 14% dos gaúchos que morreram acusaram dores na garganta, enquanto quem sobreviveu manifestou esse desconforto em 24% das ocorrências registradas pela SES. 
— Uma possibilidade é que, nos casos mais graves, o vírus vá mais diretamente para as vias áreas inferiores — sustenta Ferreira. 
Porto Alegre, Passo Fundo e Bento Gonçalves foram os municípios com maior número absoluto de mortes até esta triste quarta-feira em que o Estado chegou à marca de 500 óbitos provocados pelo coronavírus. 
Pesquisadores elevam projeções de mortes para o RS 
A tendência de crescimento nas hospitalizações em UTIs e no número de mortos pela covid-19 no Rio Grande do Sul foi acompanhada por um aumento equivalente nas projeções que tentam estimar quantas vítimas a mais poderão ser registradas nas próximas semanas. 
A análise mais preocupante é do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington (EUA), que no começo do mês previa 1.087 óbitos no Estado para o final de julho — mas, nesta quarta-feira, a organização atualizou os dados e revisou essa expectativa para 1.432 vidas perdidas até o final do próximo mês. No começo de outubro, poderia chegar a 6,5 mil. 
Outra instituição que desenvolveu uma ferramenta capaz de projetar casos e óbitos, o Instituto de Informática da UFRGS aponta cenários para um período máximo de 30 dias. A ferramenta, desenvolvida com participação do professor e pós-doutor na área de computação João Comba, até a terça-feira calculava 1.067 mortos para 23 de julho. Já com os últimos dados disponíveis, nesta quarta essa conta subiu para 1.435.
— A cada dia as previsões são atualizadas com base nas últimas informações. O que temos visto, nos últimos dias, são essas projeções serem ajustadas sempre para números mais elevados. Não é o que queremos, mas é o que os dados estão indicando — afirma Comba.

Fonte: Gaúcha ZH

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