Facebook Instagram X WhatsApp


| 08:21 | Saúde 6 min de leitura

Após vacinação, hospitais de Porto Alegre registram queda nos casos de coronavírus em profissionais da saúde

Conceição, São Lucas e Mãe de Deus creditam à imunização a melhora nos índices de contágio; governo do Estado afirma ser cedo para cravar efeitos positivos

Compartilhar:
Conceição, São Lucas e Mãe de Deus creditam à imunização a melhora nos índices de contágio; governo do Estado afirma ser cedo para cravar efeitos positivos
Dos 1,76 milhão de imunizados no Rio Grande do Sul, 379,6 mil são trabalhadores da saúde - André Ávila / Agencia RBS

Após o início da vacinação contra a covid-19, em 18 de janeiro, alguns hospitais de Porto Alegre começam a registrar redução nos afastamentos de profissionais da saúde por infecção pelo coronavírus. Entre outros fatores, o resultado é creditado à proteção conferida pelos imunizantes. 

 

Dos 1,76 milhão de imunizados no Rio Grande do Sul, 379,6 mil são trabalhadores da saúde – destes, 44% receberam a segunda dose, que começou a ser aplicada nesse público em 11 de fevereiro. Em alguns casos, o reforço ainda não foi feito porque a vacina de Oxford exige três meses de espera.


A despeito do receio de que março apresentasse o maior número de profissionais contaminados em virtude de ter sido o auge da pandemia, de maneira geral o número de trabalhadores afastados de hospitais gaúchos ficou abaixo do verificado em fevereiro e inclusive dos picos anteriores da pandemia, em julho e dezembro.

 

No Hospital Conceição, onde trabalham 10 mil pessoas, houve queda de 78% na média de profissionais com coronavírus em março, na comparação com o mês anterior.


— Atribuímos essa queda à vacinação. Já conseguimos vacinar todos os nossos colaboradores com a primeira dose e mais da metade, com a segunda. Observamos uma redução dos casos confirmados e a procura na nossa tenda covid para os colaboradores — diz o diretor-médico do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), Cláudio Oliveira.

 

No Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS), onde atuam cerca de 2,5 mil funcionários, o número de afastados em março foi 21% menor do que no mês anterior, 19,5% abaixo do pico de dezembro e 60% menor do que o pico de julho.

 

— Em março, seria esperado um expressivo aumento porque foi o mês com maior número de casos confirmados na cidade e no Estado. Mas o que verificamos foi um decrescimento de fevereiro para março, em patamar semelhante a quando a pandemia não estava no pior momento. Isso nos leva a crer que foi o efeito protetivo da vacina. Esperamos que, quanto mais pessoas tomem a segunda dose, o número de afastamentos seja cada vez menor — diz o diretor-técnico do São Lucas, Saulo Bornhorst.


O Hospital Mãe de Deus verificou redução na média semanal de casos de coronavírus – e, daqueles que adoeceram, a infecção foi leve. Se, no primeiro pico de junho, a média chegou a 34 casos por semana e, em novembro, a 37 casos semanais, entre março e abril o máximo foi de 27 casos por semana.

 

"Os funcionários que receberam a CoronaVac, com intervalo entre doses menor, completaram o esquema vacinal na segunda quinzena de fevereiro. Em março, começamos a notar uma redução significativa e gradual nos casos semanais", diz o Mãe de Deus, por e-mail.


"Além de notarmos uma redução na incidência de funcionários com covid-19 após o início da campanha de vacinação, também notamos que casos positivos que ainda não completaram o esquema vacinal, mas já haviam feito pelo menos a primeira dose, desenvolveram quadros com sintomatologia bem mais leve e de evolução favorável", acrescenta.

 

A Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre (SMS) informa que o número de surtos de coronavírus dentro de hospitais era um problema nos picos anteriores da pandemia por conta do grande número de afastamentos de funcionários, mas que, durante o auge de março, o assunto sequer foi trazido por diretores das instituições.

 

Desde o início da pandemia, mais de 30,1 mil trabalhadores da saúde foram contaminados com a covid-19 no Rio Grande do Sul, mas o número de março, apesar do ser o auge da pandemia, foi o menor em 10 meses, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES).  


Tani Ranieri, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, afirma que é cedo para cravar que a vacinação derrubou as contaminações de profissionais da saúde em nível estadual porque há outros fatores que podem ser responsáveis.

 

— Existe correlação temporal entre aumento da cobertura vacinal e a redução de casos de covid nessa categoria, mas, por si só, a vacina não pode ser avaliada como causa da menor incidência da covid. Há outras variáveis fundamentais, como a proporção de trabalhadores infectados previamente, a adoção de condutas de prevenção e os diferentes graus de exposição dos profissionais dentro da própria instituição. Hospitais têm, isoladamente, mais condições de avaliar isso em seu corpo de profissionais — afirma Tani.


O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) notou redução nos afastamentos por coronavírus após vacinar 8,4 mil funcionários – destes, 4 mil receberam a dose de reforço. Se, na última semana de fevereiro, 38,8% dos funcionários que buscaram atendimento no Serviço de Medicina Ocupacional da instituição foram confirmados para coronavírus, na última semana de março a proporção caiu para 13,5%. Mas, com entendimento semelhante ao do governo do Estado, o Clínicas afirma que esses dados ainda não permitem atribuir relação de causa e efeito entre a vacina e a redução das infecções.

 

— Tem fatores de confusão que podem ser responsáveis por essa redução. Como um grande número de pessoas teve covid, sobram menos profissionais para ter covid. Não sabemos se a redução de casos é pela vacina, por ter tido muito profissional com covid ou as duas coisas. Além disso, a gente observou em março uma redução de casos em profissionais da saúde, mas o mesmo também se verificou na população em geral — diz Fábio Dantas, chefe do Serviço de Medicina Ocupacional do Clínicas.


A ressalva é feita também pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, que também viu redução nos afastamentos de funcionários por coronavírus, de 83, em fevereiro, para 77, em março.

 

— Eu diria que a vacina contribuiu para a melhora, mas não tem como creditar a ela, ainda. Aplicamos 8.328 primeiras doses e, dessas pessoas, 45% receberam a segunda. Para ter certeza, temos que terminar de vacinar quem tomou a de Oxford, o que deve acontecer no fim do mês — afirma Edison José Manchesski, coordenador da Medicina do Trabalho da Santa Casa.

 

Após a vacinação dos colaboradores, o Hospital Moinhos de Vento observou uma redução significativa nas faltas e afastamentos, seja de casos que testaram positivo para covid-19 ou por suspeita de infecção e para investigação dos sintomas. A Medicina do Trabalho e o programa Saúde Plena Moinhos estão desenvolvendo um projeto de pesquisa científica para consolidar os números e avaliar a relação da imunização com a redução dos afastamentos. Assim que os dados preliminares estiverem consolidados, serão divulgados.

 

Dados informados pelo Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren-RS) mostram que ainda não houve efeito da vacinação na redução de casos confirmados de coronavírus em enfermeiros e técnicos de enfermagem.

 

— Em alguns hospitais pode haver o efeito da vacinação, e isso é positivo, mas ainda não dá para dizer que houve efeito de forma geral porque menos de 50% dos profissionais da saúde receberam a segunda dose. Mas não podemos baixar a guarda. Precisamos vacinar mais. O processo de vacinação precisa ser acelerado para conter as novas variantes — diz a enfermeira e conselheira do Coren-RS Sônia Regina Coradini.

Fonte: GZH

Mais notícias sobre SAÚDE
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade