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16/04/2021 | 05:58 | Saúde

Pandemia dispara no Uruguai e na Argentina e preocupa especialistas no RS

Uruguaios apresentam maior taxa de contágio por covid-19 no mundo atualmente

Manifestação em Buenos Aires, na Argentina, nesta quarta-feira, pediu vacina para todos - JUAN MABROMATA / AFP

Depois do descontrole da covid-19 no Rio Grande do Sul alarmar países vizinhos, agora é a vez de Argentina e, principalmente, Uruguai lançarem temor do lado de cá da fronteira em razão de uma explosão de casos e mortes provocada pelo coronavírus nas últimas semanas. 


Nesta quinta-feira (15), os uruguaios, que já foram considerados bons exemplos no manejo da pandemia, apresentavam a maior média mundial de novos casos e a quarta colocação no ranking internacional de mortes diárias por milhão de habitantes. Especialistas consideram que a situação é preocupante para os gaúchos pelo risco de a alta circulação do vírus favorecer o surgimento de novas variantes e de um eventual refluxo nos níveis de contágio no Estado apesar dos bloqueios nas fronteiras. 


Esse alerta é reforçado pelo fato de o Rio Grande do Sul estar recém começando a reduzir a ocupação nos hospitais, mas ainda em nível elevado de demanda, após bater recordes de impacto da doença. 

 

— Se a gente começa a melhorar e aqui ao lado o número de casos aumenta muito, sempre existe o risco de surgirem novas cepas. Nunca é adequado estar em uma situação de desequilíbrio, em que melhora em um lugar e piora em outro muito próximo. Por isso, o ideal é que o manejo da pandemia e da vacinação fosse feito em nível continental, mas não conseguimos fazer isso nem dentro do Brasil — avalia o infectologista do Hospital de Clínicas Luciano Goldani. 


No Uruguai, a média diária de óbitos por milhão de habitantes praticamente triplicou em apenas duas semanas: saltou de seis no início de abril para 17 agora — quarto maior índice mundial, conforme o painel de monitoramento da Universidade de Oxford. Em relação ao registro de novos casos, os uruguaios estão na liderança internacional. A média diária (calculada com base nos sete dias anteriores) pulou de 770 para 1.032 por milhão de pessoas desde o começo do mês, avanço de 34%. 

 

A Argentina anunciou nesta quinta-feira medidas como a ampliação do horário do toque de recolher (entre 20h e 6h) e suspensão das aulas para conter a nova onda da covid-19. Os argentinos têm nesse momento a 12ª maior média diária de novos casos no mundo, com 487 por milhão de habitantes. A taxa proporcional de óbitos ainda é a 29ª, mas há o risco de um aumento nas hospitalizações elevar esse índice — hoje em 5,41 por milhão, em comparação a 14,19 no Brasil, o nono mais alto no planeta. 


Para o infectologista do Hospital Conceição André Luís Machado da Silva, provavelmente os hermanos estão sofrendo agora o impacto da recente onda do coronavírus que provocou sobrecarga nos hospitais gaúchos e superlotou UTIs. 

 

— Provavelmente, o Uruguai e a Argentina estão sofrendo a consequência da explosão que tivemos no Brasil. Como agora temos um relativo controle no Rio Grande do Sul, sempre há o temor de que daqui a pouco isso se inverta novamente. A pandemia é muito dinâmica, e alguns modelos matemáticos indicam que podemos voltar a testemunhar novos aumentos de casos — acredita o médico do Conceição. 

 

O Uruguai está mais adiantado na vacinação — um dos caminhos para frear o vírus —, mas em nível ainda insuficiente para barrar sua circulação. No momento, conforme o monitoramento da Universidade de Oxford, praticamente 28% dos uruguaios já tomaram pelo menos uma dose do imunizante, contra aproximadamente 11% da população no Brasil e na Argentina.

A receita de cada um


ARGENTINA

 

  • O governo argentino apostou em medidas restritivas de longo prazo, a ponto de o país ter promovido uma das quarentenas mais duradouras do mundo ainda no ano passado. Essas medidas foram posteriormente flexibilizadas e voltaram a entrar em prática quando uma segunda onda do vírus multiplicou casos e óbitos, já neste ano, com toque de recolher noturno e suspensão de aulas. 
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  • Acredita-se que o descuido recente com as medidas de prevenção como isolamento, distanciamento e uso de máscaras, combinado à entrada das variantes brasileira (P.1) e do Reino Unido no país, favoreceu o crescimento da pandemia.
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  • População: 45 milhões
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  • Taxa de vacinação: 11,06%


URUGUAI

 

  • Os uruguaios vinham sendo apontados como exemplos no manejo da pandemia. O país vinha evitando medidas mais drásticas de confinamento, mas contava com a adesão da população a medidas como distanciamento social e uso de máscaras, e a uma política de ampla testagem — cientistas uruguaios desenvolveram um modelo próprio que facilitou a abrangência dos exames. 
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  • Com a chegada do verão, os uruguaios aumentaram a mobilidade, descuidaram das ações preventivas, e o nível de contágio começou a crescer. Acredita-se que a entrada de novas variantes no país, como a P.1, identificada originalmente no Amazonas e que posteriormente chegou ao Rio Grande do Sul, pode ter favorecido a disparada da covid-19.
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  • População: 3,4 milhões
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  • Taxa de vacinação: 27,8%

Fonte: GZH

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