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20/04/2021 | 05:40 | Geral

Ajuda bem-vinda e valores modestos: como entidades avaliam retorno do benefício emergencial e do Pronampe

Reedição dos programas foi anunciada nesta segunda-feira pelo Ministério da Economia

Entidades destacam uma medida em comum entre as alternativas para uma retomada da economia a curto prazo: a vacinação - Bertrand Guay / AFP

Anunciada pelo Ministério da Economia nesta segunda-feira (19), a reedição do Benefício Emergencial (BEm) e do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) é necessária e bem-vinda, mas chega em valores mais modestos, segundo entidades e especialistas ouvidos por GZH. 


O BEm indeniza parte da remuneração de trabalhadores com redução de jornada e salário. Já o Pronampe disponibiliza crédito a baixo custo para pequenos e microempreendedores.

 

A economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, afirma que o retorno dos programas é necessário e bem-vindo, mas não é o suficiente para esboçar uma retomada e resolver o problema por completo, uma vez que chega em patamares menores em relação ao ano passado. A economista lembra que, em 2020, o governo federal reservou R$ 51,6 bilhões para o BEm e repassou R$ 37,5 bilhões via Pronampe. As cifras ventiladas pelo governo atualmente são mais modestas: R$  R$ 10 bilhões para o BEm e até R$ 5 bilhões para o Pronampe.


— Essas duas iniciativas são bem-vindas, mas elas são em muito menor escala do que a gente viu no ano passado. Portanto, elas têm alcance muito menor do que a gente teve em 2020. Obviamente não teremos os mesmos impactos do ano passado — pontua. 

 

Patrícia destaca que, no caso do BEm, a necessidade nesse ano é menor do que no ano passado, quando as empresas fecharam sem perspectiva de reabertura. Esse benefício seria importante, principalmente, para os setores mais afetados pela pandemia no cenário atual, segundo a economista. No caso do crédito, Patrícia afirma que é uma medida “necessária e importante para todos”. 

 

O diretor-superintendente do Sebrae-RS, André Vanoni de Godoy, também avalia que o movimento do governo é bem-vindo, mas destaca que o benefício tem de ter o mínimo de alcance. Godoy destaca que as condições de contratação do Pronampe precisam ser iguais ou pelo menos parecidas com as das primeiras fases do programa no ano passado, como carência e taxas de juros. Em um cenário com recursos em menor escala, o diretor cita a necessidade de equacionar o repasse:

 

— Tem que equacionar bem, por exemplo, segmentar os setores que mais precisam de recursos, aqueles que mais sofreram com a crise. Como o volume (de recursos) é menor, talvez uma segmentação fosse interessante de fazer e não simplesmente abrir a possibilidade de contratação para todos os setores, porque aí nós teríamos uma pulverização exagerada do valor e, no final, acaba pesando pouco.

 

Economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS, Ely José de Mattos afirma que vê o retorno dos programas com bons olhos, pois são iniciativas saudáveis, principalmente o BEm, para oferecer um pouco mais de fôlego para as empresas. Na questão dos valores previstos pelo governo federal, o economista diz que é difícil avaliar com mais detalhes se o montante é insuficiente, pois isso será melhor aferido quando os auxílios chegarem aos destinatários.   

 

— Tá na linha do que é o próprio auxílio emergencial. O governo está mais comedido na concessão dos benefícios, seja por uma questão fiscal, seja porque ele não acredita nesse tipo de política — complementa Mattos. 

 

Soluções


Ambas as entidades e o economista ouvidos por GZH destacam uma medida em comum entre as alternativas para uma retomada da economia do país a curto prazo: a vacinação. 

 

A economista-chefe da Fecomércio afirma que a imunização é a melhor alternativa, pois não existe a possibilidade de disponibilizar crédito em maior escala e de crescimento econômico com portas fechadas.

 

— Só tem uma coisa que vai garantir de fato uma retomada, que é uma flexibilização completa. E quando é que a gente vai ter uma flexibilização completa? Quando tiver vacinação para todo mundo. A melhor política que a gente pode fazer é a de vacinar as pessoas. Não existe outra política que tenha tanto efeito quanto essa — destaca Patrícia Palermo. 


Além da vacinação em maior escala, o diretor-superintendente do Sebrae também cita a liberação de crédito barato para as pequenas empresas e a flexibilização do funcionamento de estabelecimentos, gerida pelas prefeituras em conjunto com entidades locais como medidas que podem ajudar a economia. 

 

O economista e professor da Escola de Negócios da PUCRS, Ely José de Mattos, também reforça a necessidade de avanço na vacinação para retomada em curto prazo. O especialista afirma que o avanço das reformas são importantes, mas que essas iniciativas não teriam um impacto tão imediato:

 

— No curtíssimo prazo, tu tens o quê? Vacina e auxílio. Não tem muito mais o que fazer. 

 

O Ministério da Economia comunicou que aguarda a finalização da aprovação do projeto de lei que tramita no Congresso e que autoriza abertura de crédito extraordinário para o atual orçamento.  Os parlamentares aprovara

Fonte: GZH

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