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29/06/2021 | 06:26 | Saúde

Vacinação ajuda a reduzir internações e derruba em 50% percentual de idosos com covid-19 em UTIs no RS

Apesar da maior proteção individual conferida pela imunização, especialistas consideram fundamental manter todas as medidas preventivas

Apesar da maior proteção individual conferida pela imunização, especialistas consideram fundamental manter todas as medidas preventivas
Até esta segunda-feira, 16% dos gaúchos têm esquema vacinal completo contra o coronavírus - André Ávila / Agencia RBS

O avanço da vacinação contra a covid-19 já provoca impacto significativo sobre a internação hospitalar de pacientes no Rio Grande do Sul.


O número de leitos destinados à pandemia segue em tendência de declínio desde o começo do mês, e a maior proteção conferida aos idosos provoca uma mudança radical no perfil das pessoas hospitalizadas em unidades de terapia intensiva (UTIs). Entre janeiro e junho, caiu pela metade a proporção de doentes com 60 anos ou mais entre aqueles em situação crítica com covid no Estado. Especialistas alertam que, ainda assim, o vírus segue em alta circulação e exige a manutenção de medidas preventivas para que o cenário não volte a piorar. 

 

Até a tarde desta segunda-feira (28), 40% dos gaúchos já haviam recebido pelo menos uma dose da vacina, e 16% estavam com o esquema vacinal completo. Os números ainda estão distantes do patamar de sete em cada 10 habitantes com imunização integral para frear a circulação do vírus, mas avalia-se que as aplicações já trazem benefícios concretos.


– Ainda não temos imunidade coletiva, mas já conseguimos ver a proteção individual que a vacina oferece justamente contra as formas moderada e grave da doença. As doses começaram a ser oferecidas para grupos como o dos idosos – avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha. 

 

Um levantamento realizado por GZH nos microdados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) do Ministério da Saúde, que incluem os registros de coronavírus, mostra que 66% das hospitalizações por covid em UTIs no Estado correspondiam a idosos em janeiro. Desde aquele mês, quando teve início o processo de imunização com prioridade a profissionais de saúde e faixas etárias mais elevadas, essa proporção vem despencando. 

 

Os números da mais recente atualização do Sivep, com registros até 21 de junho, demonstram que o percentual de idosos recuou para 33% neste mês, seguindo uma tendência de queda brusca desde o começo do ano. Ou seja, dois terços dos pacientes graves têm menos de 60 anos em razão, ao que tudo indica, da menor cobertura pelas vacinas entre essas faixas etárias. 

 

– Dado o que já tínhamos de informação sobre a eficácia das vacinas, era esperado que, com mais de 90% da população acima de 70 anos completamente imunizada, por exemplo, a gente já começasse a ver redução de hospitalizações. Com isso, também se reduz a média de idade dos internados – observa a professora de epidemiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e integrante do Comitê de Dados ligado ao Piratini, Suzi Camey.

 

Em seis meses, a idade média de quem desenvolveu a forma mais aguda da doença caiu 11 anos  de – 65 para 54. É importante manter os cuidados de prevenção, como distanciamento social, mesmo depois da imunização completa porque nenhuma vacina garante 100% de proteção. Por isso, sempre será possível haver um percentual de casos que se complicam até que o vírus seja barrado.

 

Há cerca de três semanas, os gaúchos também observam um declínio suave, mas constante, na quantidade de pacientes internados em leitos clínicos e de UTI. Apenas nas últimas duas semanas, houve diminuição de 13% na demanda de pacientes com o vírus em alas de terapia intensiva e de 23% em setores de enfermaria, de acordo com os dados disponíveis até as 14h desta segunda.


Uma das hipóteses é de que o avanço da imunização também esteja favorecendo esse cenário, já que, no mesmo período, a circulação do vírus se manteve em patamar elevado no Estado. No domingo (27), por exemplo, os gaúchos somaram 255 casos acumulados por cem mil habitantes em uma semana , acima da média nacional de 234. 

 

– Podemos, sim, estar vendo efeito da vacinação, ao mesmo tempo em que o número de casos positivos também pode estar refletindo um aumento na testagem, que é uma das estratégias que algumas regiões do Estado estão buscando para tentar controlar a pandemia – avalia Suzi.

 

Internações em UTIs de Porto Alegre caem a menor nível desde fevereiro


Porto Alegre é uma das regiões gaúchas onde, nas últimas semanas, as unidades de terapia intensiva (UTIs) demonstram recuo constante.

 

O número de pacientes com diagnóstico confirmado para coronavírus era de 336 até o meio da tarde desta segunda-feira, conforme o painel de monitoramento da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Isso representa um recuo de 16% em duas semanas, e o menor patamar desde 19 de fevereiro, quando havia 326 vagas ocupadas (o dado de sábado, 26, não estava disponível nos sites da prefeitura até a publicação desta reportagem).


No pico da pandemia até o momento, verificado em 25 de março deste ano, a Capital chegou a somar 870 doentes em estado crítico. Nos piores momentos do ano passado, nos dias 2 e 4 de setembro, havia 347 hospitalizados com covid. 

 

Até a tarde desta segunda, Porto Alegre havia atendido com esquema completo de imunização 23% da população. O virologista da Universidade Feevale Fernando Spilki lembra que a tendência de declínio na demanda por hospitais em razão da pandemia pode ser revertida se cuidados básicos de prevenção como distanciamento e uso de máscara não forem mantidos. 

 

Uma das possibilidades mais preocupantes é a eventual entrada de novas variantes como a delta, identificada originalmente na Índia, que segue se espalhando por outros países. Mas mesmo as cepas já presentes no Estado podem levar a novos saltos de internações. 

 

– Pode ocorrer por uma variante, mas eventuais surtos isolados (com os vírus já em circulação local) podem ser estopim – observa Spilki.

Fonte: GZH
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