Facebook Instagram X WhatsApp


| 06:26 | Geral 6 min de leitura

Com alta de 10,4% no faturamento, empresas gaúchas de TI dependem de capital humano para crescer

No trimestre, setor gerou 33 mil postos de trabalho no RS e conta com programas de formação para preencher 6 mil vagas em aberto, com salários de até R$ 15 mil

Compartilhar:
No trimestre, setor gerou 33 mil postos de trabalho no RS e conta com programas de formação para preencher 6 mil vagas em aberto, com salários de até R$ 15 mil
Instituto Caldeira vai ter programa para formação de mão de obra - Mateus Bruxel / Agencia RBS

Depois da alta de 10,4% no faturamento em 2020, as empresas gaúchas de tecnologia da informação (TI) têm um novo desafio: formar profissionais para acelerar o ritmo de crescimento conquistado durante a pandemia. 

Projeções da associação setorial no Estado (Assespro-RS) ainda indicam nova expansão de dois dígitos em 2021 e 2022.  Mas, para consolidar e até mesmo ampliar os resultados futuros, será preciso formar capital humano e preencher, pelo menos, 6 mil vagas em aberto no Rio Grande do Sul.  

Com salários que podem chegar a R$ 15 mil, o segmento respondeu por 33 mil postos de trabalho criados no segundo trimestre, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 10 anos, de 2010 a 2019, enquanto o pessoal ocupado no Estado saltou 21,15%, na TI o avanço foi de 32,6%.  

Atualmente, com uma fatia de 11,5% da massa assalariada do RS, atrás apenas de áreas tradicionais da economia gaúcha, como agropecuária (13,7%), indústria (14,7%) e comércio (17,7%), no mercado de serviços em tecnologia não há desemprego cíclico. Pelo contrário, faltam pessoas e sobram oportunidades.  

— O setor cresce acima de 10% e o prosseguimento dessa escala está diretamente relacionado com a necessidade de pessoas qualificadas para atender às novas demandas — resume o presidente da Assespro-RS, Julio Ferst.  

A situação, entretanto, não é uma exclusividade do Rio Grande do Sul. Estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) revelam que a carência de profissionais poderá alcançar a marca de 400 mil em todo o país até 2024.  

O dado é fruto de uma equação que considera o aumento médio da demanda em 100 mil novas vagas, a cada ano. Em contrapartida, são formados apenas 46 mil profissionais em universidades, cursos técnicos e institutos federais em igual período.  

Programas de formação  
Para amenizar o panorama, duas iniciativas gaúchas, não-governamentais, nascem com o propósito de preencher 6 mil postos já existentes por aqui. E muitas outras estão prontas para sair do papel, afirma Ferst. 

Uma delas é a “+prati”, que reúne 40 empresas do setor. Criado em 2020, o projeto ofereceu quatro trilhas de formação. No total, foram disponibilizadas 4 mil vagas para capacitação. Dessas, mais de mil bolsas de estudos ainda disponíveis. 

Alexandre Trevisan, coordenador do “+praTi”, explica que a projeção de crescimento na TI é 10 vezes superior à do PIB.  Isso gera oportunidades e desafios.  

— As oportunidades estão no potencial de criação de milhares de empregos bem remunerados e de qualidade, com potencial para movimentar toda a economia. O grande desafio é sensibilizar a sociedade para que compreenda essas oportunidades e se capacite para participar deste novo mercado — argumenta.    

Alguns aspectos da busca por formação chamam a atenção. Entre os participantes, 25% têm 40 anos de idade ou mais. Esse fator demonstra, segundo Trevisan, que há margem, inclusive, para a migração de profissionais insatisfeitos com determinados mercados de trabalho para a área de tecnologia.    

Outra ideia para aplacar o problema deve ganhar corpo até o final do ano. Trata-se do Campus Caldeira. O diretor- executivo do Instituto Caldeira, Pedro Freitas Valério, conta que o programa terá área de 4 mil metros quadrados, destinada para operadores de educação, em Porto Alegre. A meta: preencher 2 mil vagas já mapeadas.    

— Vamos ter desde graduação de computação, até escolas de sensibilização e treinamento para capacidades associadas à nova economia. Com isso, pretendemos criar um grande banco de talentos que vai preencher essas vagas existentes — diz. 

Dificuldades para contratar  
A Zallpy Digital é uma empresa gaúcha que desenvolve soluções digitais para multinacionais como BMW, ThyssenKrupp e Engie, entre outras gigantes. A empresa faturou 40% a mais no primeiro semestre de 2021 e conta com cerca de 350 funcionários. Em um ano, ampliou em 35% o quadro de trabalhadores, mas continua com 50 vagas a serem preenchidas.  

Além da sede em Porto Alegre, tem unidade em Florianópolis, em Santa Catarina, e está presente no Parque Científico e Tecnológico do Pampa, em Alegrete. Só neste ano, investiu R$ 200 mil em recrutamento de talentos. Por essa razão, comenta o CEO Marcelo Castro, criou um programa próprio para a formação de mão de obra.   

Batizado de Zellpy Academy, o projeto já responde por 25% dos novos contratados. Para 2022, a base de participação deve chegar a 40%. Castro explica que a escassez de mão de obra também é influenciada pelo aumento da procura de empresas estrangeiras por profissionais brasileiros. Ou seja, segundo ele, mais do que gerar novos talentos, é preciso retê-los.  

— O mercado de TI vive um cenário de pleno emprego, onde não se consegue contratar. É um pouco causado pela busca de países mais desenvolvido por mão de obra no Estado. Esse movimento cresceu muito, com o real desvalorizado e o custo benefício dado pela qualificação dos nossos profissionais — analisa.  

O executivo também afirma que a falta de recursos humanos é o principal freio do setor hoje em dia. Castro explica que essa realidade faz com que determinados projetos levem muito mais tempo para serem implantados. E, quando isso acontece, na prática, é como se a empresa trabalhasse com um redutor de velocidade que bloqueia o real potencial de crescimento.   

Os números do setor no RS  

  • Faturamento de R$ 24,5 bilhões  
  • Em 10 anos, até 2019, a receita bruta total cresceu 74,26%  
  • 33 mil novas vagas abertas no segundo trimestre 
  • Em 10 anos, até 2019, as vagas saltaram 32,6%  
  • Alta de 31,8% em novas empresas 
  • Em 10 anos, até 2019, passou de 5,5 mil para 7,3 mil empresas ativas 
  • O faturamento do setor cresceu 10,4% em 2020 
  • Projeção indica 14% de avanço para 2021 
  • Algumas vagas em aberto pagam até R$ 15 mil 
  • RS tem a sétima maior remuneração média do país: R$ 4,3 mil  

No país

  • A defasagem de profissionais pode chegar a 400 mil em 2024 
  • A cada ano, 100 mil novas vagas são demandadas e apenas 46 mil pessoas são formadas  

Fontes: IBGE: PIB, Pnad, Assespro-RS, Brasscom 

Fonte: GZH

Mais notícias sobre GERAL
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade