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Fiocruz aponta maior queda de casos e mortes por covid-19 no ano

Ocupação em UTIs por pacientes com coronavírus é a menor desde o início do monitoramento, em julho de 2020, mas idosos voltam a predominar em casos graves

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Ocupação em UTIs por pacientes com coronavírus é a menor desde o início do monitoramento, em julho de 2020, mas idosos voltam a predominar em casos graves
UTI Covid do Hospital Universitário de Canoas chegou a ter leitos desocupados no mês de agosto - Laira Souza / HU/divulgação

Com o avanço da vacinação, o número de novos casos e mortes por coronavírus no Brasil sofreu neste mês a maior queda em 2021, mostra o último Boletim Observatório Covid-19, publicado na noite de sexta-feira (17) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). No entanto, idosos voltaram a predominar entre casos graves e óbitos. 

O número de vítimas da pandemia cai há 12 semanas consecutivas, o mais longo período de queda sustentada, com redução de 3,8% ao dia na semana epidemiológica entre 29 de agosto e 11 de setembro, a mais recente analisada pelos pesquisadores. É a maior queda diária deste ano. Nas 11 semanas epidemiológicas anteriores, o ritmo de diminuição diário era de 1,5%, explica Christovam Barcellos, pesquisador da Fiocruz e responsável pelo relatório.

— Se a vacinação não for reforçada, se houver espalhamento da variante delta e se as pessoas se descuidarem, esse quadro favorável pode sofrer inversão — diz o sanitarista.

Como grande parte dos adultos está vacinada, a epidemia parou de rejuvenescer e idosos voltaram a predominar entre hospitalizados em unidades de terapia intensiva (UTIs) e vítimas - mas em número muito menor do que antes da campanha de imunização. 

“O aumento progressivo da cobertura vacinal entre adultos e jovens está sendo decisivo para uma queda sustentada dos casos. Com a ampliação crescente da cobertura para as faixas etárias mais jovens, que também passaram e estar protegidas com as vacinas, o processo de rejuvenescimento da pandemia foi revertido e, novamente, as internações hospitalares, internações em UTI e óbitos voltaram a se concentrar na população idosa, que apresenta maior vulnerabilidade dentre os grupos por faixas etárias”, diz a Fiocruz.

Além de idosos, a instituição alerta que casos graves e fatais por coronavírus ainda são gerados entre grupos mais vulneráveis (como pessoas com comorbidades) que não se vacinaram ou que receberam apenas uma dose. 

O país registrou, na semana analisada, média diária de 15,9 mil novos casos e 460 mortes, o que ainda representa altos índices de circulação do vírus, mas distante de abril, auge da epidemia, quando a média chegou a mais de 65 mil casos e superior a 3,1 mil vítimas por dia.

Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal ainda estão com taxas de incidência de síndrome respiratória aguda grave (classificação que inclui o coronavírus) acima de cinco casos por 100 mil habitantes, considerada muito alta.

No Rio Grande do Sul, a taxa é de 3,9 - considerada alta. A Fiocruz aponta que, nas últimas duas semanas, a tendência em território gaúcho é de estabilização de casos, com redução diária de apenas 1,3% no número de novos casos, e de mortes, com queda diária de 3,4%. 

“A circulação da variante Delta é um agravante, principalmente porque, em alguns locais, o processo de reabertura se torna cada vez mais acelerado e menos criterioso. No entanto, os imunizantes têm demonstrado sua eficiência, reduzindo o número de internações e óbitos”, dizem os pesquisadores.

Melhor ocupação hospitalar desde 2020
A Fiocruz ainda aponta que a ocupação hospitalar no país é o melhor cenário observado desde que se iniciou o monitoramento do indicador, em julho de 2020. Apenas uma capital tem ocupação acima de 80%: Rio de Janeiro. Em Porto Alegre, a lotação na manhã deste sábado (18) era de 77%, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

O Rio Grande do Sul está com ocupação de UTIs próximo a 50%, considerada baixa - para o sábado, os dados mais atualizados apontam 57% de uso, segundo dados do governo do Estado. 

Avanço da vacinação
Os pesquisadores destacam que grande parte da melhora na epidemia no país decorre da vacinação: pelo menos 86% dos adultos brasileiros tomaram a primeira dose e 47%, completaram o esquema vacinal. Dados deste sábado do Ministério da Saúde apontam que 66% de toda a população - incluindo adolescentes - recebeu uma dose e 37%, duas. 

A Fiocruz cita que, com a exceção de Roraima, todos os Estados vacinaram mais de 70% dos adultos com uma dose e 30% com duas doses ou Janssen. 

No Rio Grande do Sul, um dos Estados que lidera a vacinação no país, dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-RS) mostram que 92% de todos os adultos receberam uma dose e 56%, duas. Quando se leva em conta toda a população, 72,4% receberam a primeira dose e 44,1%, o esquema completo.

“Esse conjunto de informações permite apontar diversos impactos positivos da campanha de vacinação, principalmente na redução da gravidade de casos de covid-19, mas não na interrupção da transmissão do vírus”, afirma a Fiocruz, o que reforça a necessidade de vacinados manterem o uso de máscaras para proteger a vida de quem ainda não tomou duas doses.

Passaporte vacinal
Neste último boletim, a Fiocruz destaca a importância do passaporte vacinal como medida de controle da epidemia. A instituição pontua que a medida incentiva a adesão à campanha, o que contribuiria para resolver o cenário de que, no Brasil,  quatro em cada dez cidades apresentam dificuldades em completar o esquema vacinal da população, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Fonte: GZH

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