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18/11/2021 | 06:53 | Saúde

Jovens de 18 a 29 anos respondem por metade do atraso de segunda dose de vacina no RS

Secretaria Estadual da Saúde está concluindo pesquisa sobre as razões mais frequentes de abstenção no Estado

Gestores da saúde reforçam que é fundamental completar o esquema de imunização contra a covid-19 - Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

O esforço para reduzir o atraso na aplicação de segunda dose da vacina contra a covid-19 no Rio Grande do Sul enfrenta um obstáculo específico: a elevada proporção de adultos com menos de 30 anos que deixam de completar a imunização no prazo previsto.

Um levantamento da Secretaria Estadual da Saúde (SES) indica que quase metade das 938,5 mil pessoas em atraso de aplicação ou de registro da segunda injeção tem entre 18 e 29 anos. Com o objetivo de criar estratégias mais eficazes para derrubar essas cifras, a SES está finalizando uma pesquisa em parceria com o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems/RS) para entender melhor as razões de quem não completa o esquema vacinal.

Os dados oficiais mais recentes indicam que 48% do universo de gaúchos com imunização pendente se encontram na faixa etária de jovens adultos (embora somem apenas 21% da população vacinável até o momento). Isso corresponde a 454 mil pessoas, o equivalente, por exemplo, a pouco mais do que as populações somadas dos municípios de Rio Grande, no Sul, e de Alvorada, na Região Metropolitana.

Vice-presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), responsável pelo Comitê Técnico de Saúde da entidade e prefeito de Jaguarão, o médico Favio Telis lembra que parte dessa cifra pode ser insuflada pela demora no processo de notificação dos municípios. Ou seja, a injeção foi aplicada, mas ainda não aparece nas estatísticas oficiais. Uma parcela significativa da ausência de registros, porém, é atribuída de fato à abstenção da segunda dose.

Uma das possíveis explicações para esse fenômeno é o fato de a população mais jovem já se sentir menos ameaçada por possíveis complicações de saúde provocadas pelo coronavírus com apenas uma aplicação.

 —  Muitos jovens acham que não precisam completar a vacinação por acreditarem que estão imunizados com apenas uma dose e por verem os números (da pandemia) estabilizados no Rio Grande do Sul, com menos pessoas morrendo em comparação a períodos anteriores  —  opina Telis.

A planilha do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) demonstra que os riscos estão longe de serem desprezíveis: neste ano, pelo menos 3,5 mil moradores do Estado com menos de 30 anos já precisaram de internação hospitalar devido ao agravamento da covid-19. Apenas na faixa de 20 a 29 anos, foram notificados 405 óbitos desde o começo da pandemia até o começo da tarde desta quarta-feira (17).

Apesar desses perigos, uma em cada quatro pessoas de 18 a 24 anos começou o esquema de imunização mas está com atraso no registro de segunda dose no Estado, e uma em cada cinco no grupo de 25 a 29 anos  — proporção que se obtém ao se comparar os números absolutos de notificações pendentes da SES com a população total estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de cada faixa etária.

Para entender melhor as causas da abstenção da vacina além do fator da idade, a SES e o Cosems estão finalizando um levantamento junto às prefeituras sobre quais as razões alegadas com mais frequência pela população de cada município para atrasar a segunda dose. O resultado deverá ser tabulado até esta quinta-feira (18), mas a secretária adjunta da Saúde do Estado, Ana Costa, afirma que uma análise preliminar já permite antever algumas dessas justificativas.

 —  Já vimos que aparecem algumas questões como medo de reações adversas ou a sensação de que a pandemia já terminou. Queremos fechar esses dados até quinta para auxiliarmos os municípios com ações mais focadas  — afirma Ana.

Algumas das estratégias já colocadas em prática e que deverão ter sequência incluem a busca ativa, por meio da procura individual de quem está em atraso, e atividades como "rolês" e "baladas" das vacinas com foco em levar os profissionais de saúde até o público-alvo.

Conforme a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, o município vai continuar realizando "ações descentralizadas do Rolê da Vacina, levando a vacina para locais distantes do Centro, na expectativa de chegar mais perto dessas pessoas que ainda não completaram o esquema vacinal". Uma outra iniciativa, que envolverá abordagens no trânsito e permitirá a quem está com situação pendente completar o esquema vacinal, ainda terá nome e data definidos.

SES manterá foco em segunda dose e reforço de grupos de risco
A decisão do governo federal de liberar a dose de reforço para todos os adultos cinco meses após completarem a imunização, medida até então prevista apenas para os grupos mais vulneráveis, traz uma tarefa a mais para Estados e municípios. A Secretaria Estadual da Saúde afirma que, ainda assim, manterá o foco na finalização do esquema vacinal e na oferta de reforço para os perfis de maior risco.

 — Temos clareza de que precisamos focar na cobertura da dose 2 porque, sem ela, temos pessoas apenas parcialmente protegidas, e isso não resolve. Em relação à dose de reforço, mesmo com a liberação geral, o foco é nos idosos e nas pessoas imunossuprimidas, e para isso contamos com doses suficientes  — revela a secretária adjunta Ana Costa.

Até o começo da tarde, os dirigentes da saúde no Estado aguardavam a publicação de uma nota técnica por parte do Ministério da Saúde para avaliar melhor como será alinhada a continuidade da campanha de imunização no Estado. Mas a ideia, como regra geral, é seguir privilegiando a busca pela finalização do esquema vacinal previsto e no reforço dos mais vulneráveis.

 — Estamos discutindo com os municípios, aguardando a nota técnica e a chegada de mais doses de vacina do Ministério da Saúde para aliar a disponibilidade de imunizantes com a demanda de pessoas sob maior risco e o tempo previsto para as aplicações  — complementa a secretária adjunta. 

Fonte: GZH

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