Publicidades

03/12/2021 | 08:52 | Polícia

No lugar do defensivo agrícola, cocaína

Polícia Federal apreendeu nove aeronaves ligadas à maior facção criminal do país, que atua inclusive no Rio Grande do Sul

Aeronave acidentada em Muitos Capões (foto) motivou investigação que levou ao esquema de tráfico - Polícia Federal / Divulgação

Em meio a tantas notícias de impacto – como é o caso do julgamento dos quatro acusados pelas 242 mortes no incêndio da boate Kiss –, uma notícia não teve todo o destaque que poderia. É a Operação Manifest, desencadeada pela Polícia Federal na quinta-feira (2). Ela identificou e desmantelou um esquema de tráfico internacional de drogas, via aérea.  

A maior facção criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC, paulista), arregimentou pilotos e proprietários de aeronaves de pequeno porte para distribuição de cocaína no Sul do Brasil. Vinda da Bolívia em forma de pasta-base, ela fazia escala no Paraguai e, de lá, era catapultada em voos de curta duração para cidades do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. 

Quando se fala em internacional, é isso mesmo. O território brasileiro era utilizado mais como corredor de exportação da droga do que como ponto de consumo. Isso porque, conforme indicam as investigações, os aviões faziam diversos reabastecimentos até garantir o envio da carga proibida para os portos de Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), de onde era enviada à Europa. 

Tudo começou com o pouso forçado de um avião em Muitos Capões, cidade gaúcha próxima a Vacaria e à divisa com Santa Catarina, em dezembro de 2020. A aeronave não tinha agrotóxico e, sim, outro tipo de veneno: cocaína. A partir daí, a PF rastreou empresários do setor de aviação agrícola, advogados e pilotos. 

Foram apreendidas, só na quinta-feira, oito aeronaves (além da que já tinha sido capturada há um ano em Muitos Capões). O rastreamento indica que os aviões pousavam em pistas de grama e até em lavouras, fugindo do controle de aeroportos. Por serem de pequeno porte, não chamavam a atenção. 

Às vezes o acaso ajuda os bons policiais. Essa ação se soma a outras como a recente apreensão de 2,7 toneladas de cocaína numa residência em Pelotas, que estavam embaladas para embarque no porto de Rio Grande. Isso mostra como o Rio Grande do Sul virou corredor para o tráfico internacional em grande escala.  

Fonte: GZH

Mais notícias desta categoria

Publicidades