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08/02/2022 | 07:55 | Saúde

Tempo médio de internação por coronavírus cai de sete para quatro dias no RS

No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência em casos graves, tempo para alta caiu de 33 dias para 11 dias, em média

No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, referência em casos graves, tempo para alta caiu de 33 dias para 11 dias, em média
Reprodução internet

O tempo médio de internação por coronavírus de pacientes que receberam alta caiu 43% em janeiro no Rio Grande do Sul no comparativo com março do ano passado, pior momento da pandemia em solo gaúcho, mostram dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS). A espera para receber alta é, também, a menor de toda a pandemia. 

Em março de 2021, quando a variante Delta colapsou hospitais, um paciente levava em média sete dias para receber alta. Neste mês de janeiro, em meio à escalada da Ômicron, a média caiu para quatro dias. Os dados levam em conta internações em leitos clínicos (casos graves) e em Unidades de Terapia Intensiva (UTI, para casos gravíssimos). 

Há duas grandes diferenças entre os períodos, destacam analistas: a grande cobertura vacinal atualmente e o predomínio de variantes distintas nas duas ondas. 

Em março do ano passado, somente 3% dos gaúchos tinham duas doses. Agora, em janeiro de 2022, o Rio Grande do Sul contava com mais de 72% de toda a população com duas doses e 25% com três – os dados recentes são parciais, devido aos ataques hackers ao Ministério da Saúde.

Além disso, em março de 2021 o Brasil era assolado pela cepa Delta, menos transmissível e mais letal. Agora, a onda é causada pela variante Ômicron, que é menos perigosa, sobretudo para quem está vacinado.

— O fato de estarmos com a maior parte da população vacinada certamente tem resposta para a evolução do quadro clínico de forma mais branda. As pessoas estão vacinadas, têm uma resposta imune e isso contribui para uma sintomatologia mais branda. A vacina é um ponto fundamental — destaca Tani Ranieri, chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.

Diversos estudos apontam que indivíduos vacinados permanecem menos tempo no hospital porque a vacina estimula a resposta imunológica – ao ensinar o organismo a se proteger contra o Sars-Cov-2, contribui para reduzir o impacto da doença no corpo, encurtando o tempo de internação. Em São Paulo, o tempo de internação médio foi de 11 para seis dias, segundo dados do governo paulista noticiados pelo jornal Folha de S.Paulo. 

Hospitais da Capital percebem a mudança
No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, que recebe pacientes gravíssimos por coronavírus, o tempo médio de internação caiu de 33 dias em março do ano passado para 11 dias entre janeiro e fevereiro deste ano. 

— Nossa percepção é de que temos lidado com pacientes que internam por outras patologias e que estão na ala covid porque testamos e o resultado deu positivo. Não temos atendido muitas pessoas com falência respiratória, que precisem de suporte respiratório. É difícil estimar o impacto da Ômicron sem vacinação porque a população vacinada é grande — comenta a médica epidemiologista Jeruza Neyeloff, assessora da diretoria médica do Hospital de Clínicas.

No Hospital Conceição, a queda foi grande também. Em março de 2021, o tempo de espera para receber alta era de, em média, 20 dias. Em janeiro deste ano, a média caiu para seis dias. Nas UTIs, o tempo de internação passou de 15,5 dias para 8,9 dias. Nos leitos clínicos, de nove dias para seis. Se em março foram 566 internados, em janeiro foram 236. 

— Mesmo que as pessoas tenham alguma comorbidade, a vacina traz um atenuante: faz o sistema imunológico se tornar mais reativo quando houver presença da doença. O vacinado tem uma ativação mais acelerada do sistema imunológico, adquire uma memória de como combater essa doença — sintetiza a médica epidemiologista do Hospital Conceição, Ivana Varella. 

No Hospital Moinhos de Vento, a queda no tempo em UTIs foi de 24 dias em março do ano passado para 11,5 dias em janeiro, mas a instituição destaca que quase metade dos pacientes do mês passado ainda não teve alta.

Início de desaceleração
Como mostrou GZH, a atual onda de covid-19 passa por desaceleração no Rio Grande do Sul. Nesta segunda-feira (7), havia 1.303 internados com a doença em leitos clínicos, quarto dia consecutivo de queda. Em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), eram 577, primeiro dia de queda. 

Dados de outros países indicam que a onda gerada pela Ômicron causa um pico de casos maior e mais rápido, já que é mais transmissível e alcança maior parcela da população rapidamente. 

— Parece que estamos entrando em uma situação de estabilidade, mas é precoce dizer que já passou. Precisamos aguardar duas semanas epidemiológicas para de fato dizer que há estabilidade. Nos parece isso, mas não podemos afirmar — diz Tani Ranieri, porta-voz da Secretaria Estadual da Saúde.

Fonte: GZH
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