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| 06:40 | Saúde 5 min de leitura

RS bate recorde de crianças internadas com covid-19; saiba como proteger o seu filho

Sem índices satisfatórios de vacinação, hospitalizações entre os mais jovens têm acompanhado a explosão de casos da Ômicron. Entre adultos, internações crescem menos

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Sem índices satisfatórios de vacinação, hospitalizações entre os mais jovens têm acompanhado a explosão de casos da Ômicron. Entre adultos, internações crescem menos
Leitos pediátricos clínicos e de UTI registram recorde de internações de crianças e adolescentes com covid-19 - André Ávila / Agencia RBS

O Rio Grande do Sul atingiu, entre esta quarta (9) e quinta-feira (10), o maior número de crianças e adolescentes simultaneamente internados em leitos hospitalares com confirmação de covid-19. O aumento recorde de internações de crianças e adolescentes, grupo que começou a ser vacinado mais recentemente, contrasta com a curva de internações de adultos, que estão recebendo vacinas desde o início do ano passado.

Nesta quarta-feira, o Estado contabilizou 99 pessoas com covid-19 simultaneamente internadas em leitos pediátricos clínicos e em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). No início da tarde desta quinta-feira, havia 101 crianças nessa situação. Até então, o maior número havia sido registrado em março de 2021, com 91 crianças e adolescentes hospitalizados pela doença.

O recorde diário batido entre esta quarta e esta quinta-feira não é um ponto fora da curva. Pelo contrário, esse pico vem se construindo de forma sólida desde a segunda metade de janeiro e reflete a explosão de novos casos da Ômicron em uma população majoritariamente não vacinada.

– A gente não pode nem dizer que isso é uma surpresa. O que é o fenômeno de agora? A soma de um público sem vacinação (crianças) com a maior circulação do vírus. Para todo mundo que não está vacinado, este é o pior momento da pandemia. É muito vírus circulando em uma população totalmente desprotegida. Era de se esperar esse crescimento (de internações pediátricas) – avalia Suzi Camey, professora de epidemiologia e integrante do comitê de dados do governo do Estado.

Essa alta consistente aparece de forma clara quando é aplicado o cálculo de média móvel de sete dias sobre os números de internações pediátricas. A média atenua oscilações na curva e deixa o movimento do gráfico com mais definição. A média nesta quinta-feira é de 89,6, enquanto o valor mais alto em 2021 havia sido de 42,3.

– Antes, em 2020 e parte de 2021, muitas crianças não foram para a escola e mesmo os adultos ficaram mais em casa. Nos últimos meses, os adultos se sentiram mais seguros por estarem vacinados e começaram a circular mais, e isso aumentou a circulação do vírus. E a variante Ômicron parece ter uma transmissibilidade muito alta. O número de internações pediátricas de agora é proporcional a esse aumento de casos – aponta Fabrizio Motta, supervisor médico do Controle de Infecção e Infectologia Pediátrica da Santa Casa.

As crianças e adolescentes são as duas populações com menores índices de vacinação, no Estado. A vacinação das crianças de cinco a 11 anos começou há três semanas e, até o momento, 11,1% delas receberam a primeira dose. Das 964,2 mil crianças dessa faixa etária, apenas 106,7 mil foram levadas por pais e responsáveis para se protegerem, até esta quinta-feira, conforme dados do painel estadual.

A faixa etária seguinte, de 12 a 17 anos, está sendo vacinada desde setembro. Desses, 85,9% tomaram a primeira dose e apenas 52,9% completaram o esquema vacinal. Os números envolvendo crianças e adolescentes estão bem abaixo da média de vacinação dos adultos: 97,5% tomaram a primeira dose e 89,3%, a segunda.

– Sim, tem uma responsabilidade direta dos responsáveis (pelas crianças) para esses indicadores. Precisamos que a informação sobre vacinação chegue à população, para que os filhos dessas pessoas não sejam os próximos casos de internação e morte. A gente espera que os gestores públicos aumentem as campanhas de vacinação em crianças – acrescenta a epidemiologista.

O supervisor médico do Controle de Infectologia Pediátrica da Santa Casa faz um apelo para que pais e responsáveis sigam as recomendações emitidas por todas as entidades pediátricas do Brasil e do mundo, e não deem atenção à desinformação propagada em redes sociais.

– Hoje, a principal medida de proteção das crianças é a vacinação. As pessoas liberadas para fazer a vacina têm que fazer a vacina. Essa é a principal medida de proteção para as crianças. As outras medidas são aquelas que sabemos desde o início da pandemia: distanciamento, uso de máscara (para as faixas etárias recomendas), uso de álcool em gel, ambientes ventilados. Que as pessoas parem de se basear em fake news. Todas as grandes entidades brasileiras e do exterior referendam a vacina em crianças. As pessoas têm que parar de se orientar e de produzir fake news – diz Motta.

Nesta quarta-feira (9), GZH havia mostrado o recorde de internações pediátricas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) – instituição que registra o maior quantitativo de pessoas de zero a 14 anos internadas por covid-19 desde o início da pandemia.

Internações sobem menos entre os adultos, majoritariamente vacinados
Entre a população adulta, majoritariamente vacinada no Estado, a curva de internações também cresceu por conta da Ômicron, mas em proporção muito menor na comparação com os dados pediátricos. Entre os adultos, o número atual de hospitalizações segue distante do recorte atingido em 2021.

Na tarde desta quinta-feira, são 1.846 adultos com a doença internados em leitos clínicos e em UTIs no Rio Grande do Sul. O recorde desse indicador foi batido em março de 2021, com 7.940 adultos hospitalizados com confirmação de covid-19.

Fonte: GZH

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