Facebook Instagram X WhatsApp


| 07:58 | Segurança 5 min de leitura

Quase três anos após crime, Planalto se prepara para júri de mãe acusada de matar filho

Alexandra Salete Dougokenski será julgada a partir desta segunda pelo homicídio de Rafael Mateus Winques

Compartilhar:
Alexandra Salete Dougokenski será julgada a partir desta segunda pelo homicídio de Rafael Mateus Winques
Túmulo de Rafael Mateus Winques está repleto de homenagens - Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Quando Rafael Mateus Winques, 11 anos, desapareceu, em maio de 2020, o episódio inquietou Planalto, onde ele vivia com a mãe e o irmão. Moradores se mobilizaram em buscas pelos matagais. O sumiço de uma criança era algo incomum no município de 10 mil habitantes localizado no norte do RS. O caso alvoroçou ainda mais a comunidade, que chegou a realizar protesto, quando Alexandra Salete Dougokenski confessou ter assassinado o próprio filho e indicou o local onde estava o corpo da criança. Neste domingo, às vésperas do julgamento dela pela morte do menino, o clima na cidade era outro.

Com as ruas vazias, em uma tarde com pancadas de chuva, na praça central do município ouvia-se somente o som de algumas crianças brincando. Bem em frente está o Fórum de Planalto, na Rua Siqueira Campos, onde Alexandra será julgada partir desta segunda-feira (16). Dentro do prédio, funcionários do Tribunal de Justiça realizavam os últimos preparativos para a sessão. O júri será transmitido ao vivo, e as equipes trabalhavam nisso.

A sala onde será realizada o julgamento pode ser avistada assim que se ingressa no prédio – não foi permitido acesso da imprensa ao local nesta tarde. O Fórum de Planalto não possui salão de júri, por isso a sala que recebe as audiências precisou ser adaptada. Devido ao pouco espaço, somente familiares, além das partes envolvidas no julgamento (jurados, juíza, promotores de Justiça, advogados de defesa e a propria ré) poderão acompanhar o julgamento ali dentro. A imprensa credenciada permanecerá numa salinha próxima, que também era organizada.

Do outro lado da rua, em frente ao Fórum, está o Conselho Tutelar, primeiro local que Alexandra esteve em 15 de maio de 2020 para relatar o desaparecimento do filho. Na época, contou que o menino tinha sumido durante a noite. Naquele mesmo dia, esteve na Delegacia de Polícia, que está na mesma via, a poucos metros de distância. A partir dali, a polícia iniciaria a apuração sobre o sumiço do menino. Dez dias depois, a própria mãe confessou ao delegado Ercílio Carletti, que coordenava a investigação, que tinha matado o menino.

No fim da tarde de 25 de maio de 2020, Alexandra indicou à polícia onde estava o corpo de Rafael. O cadáver do menino estava depositado dentro de uma caixa de papelão, na garagem de uma casa vizinha. A moradia, de tijolos à vista, fica a poucos metros da moradia onde Rafael vivia com a mãe e o irmão mais velho. Na época, o casal de vizinhos que morava ali estava em viagem para Americana, no interior de São Paulo. Alexandra teria se aproveitado disso para entrar na garagem da casa e esconder o corpo do menino.

O casal, um homem de 65 anos e uma mulher de 58, bastante reservados, continua vivendo na moradia, mas tiveram dificuldade para conviver com a situação no início.

— Com a graça de Deus, ainda conseguimos viver aqui — diz a mulher, que logo após retornar para a casa teve dificuldades para dormir.

Sobre o julgamento, os dois afirmam que não pretendem acompanhar a sessão.

— Não estávamos aqui na época, não sabemos como foi. Não pretendemos acompanhar — diz a mulher, que integra a Congregação Cristã no Brasil.

Entre os vizinhos de Alexandra e dos familiares dela, há certo receio em comentar o caso, devido à proximidade gerada por um município de população reduzida. A mãe dela, Isailde Batista, que será uma das testemunhas a falar no júri, ainda vive na frente de onde residia a filha — atualmente há outros moradores na casa alugada. 

Quando percebeu a chegada da reportagem, neste domingo, Isailde preferiu fechar o portão e se trancar dentro de casa. Das últimas vezes em que falou sobre o caso, a avó disse não acreditar que a filha tenha assassinado Rafael e sustentou que ela sempre foi uma boa mãe. Em sua última versão, Alexandra negou ter matado o filho e é isso que a defesa dela deve sustentar durante o julgamento.

Mesmo na comunidade, aqueles que quiserem acompanhar o julgamento deverão fazer isso  por meio da internet, já que desta vez o acesso à sessão será restrito. Em março do ano passado, quando o júri foi cancelado após a defesa deixar o plenário, os interessados poderiam acessar o local. Daquela vez, os momentos que geraram maior movimentação foram a chegada e a saída de Alexandra do clube onde deveria ter sido realizado o  julgamento. Os moradores se aglomeraram e gritaram em frente ao prédio, acompanhando a escolta da Superintendência dos Serviços Penitenciários.

Alexandra deverá chegar ao Fórum no início da manhã, já que o júri está agendado para iniciar às 9h. Além da entrada principal, há um acesso lateral, que poderá ser usado para escoltar a presa, que está detida no Presídio Estadual Femininino Madre Pelletier, em Porto Alegre. Durante o júri, ela será mantida em um casa prisional da região, de onde será deslocada diariamente até o Fórum de Planalto. A expectativa é de o que julgamento dure de três a quatro dias. Por fim, serão os sete jurados da comunidade que decidirão se ela é ou não culpada pelo crime.

Diferente da área central de Planalto, onde não se percebe mobilizações que remetam ao caso, o cenário é diferente no cemitério municipal. Ali, chama a atenção o túmulo do garoto, que  está coberto de homenagens. Fotografias e mensagens de afeto, deixados ali pela comunidade, recordam de um menino tímido, que passou a ser chamado pela cidade de "anjo de óculos azuis".

Transmissão
O júri será transmitido ao vivo pelo canal do Tribunal de Justiça do Estado no YouTube, com transmissão também em GZH.

Fonte: GZH

Mais notícias sobre SEGURANÇA
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade