13/04/2023 | 05:20 | Saúde
Índice é considerado abaixo do esperado pela Secretaria da Saúde. Em Porto Alegre, número é de 18,9%
Com dois meses de campanha de imunização contra a covid-19 com a vacina bivalente, o Rio Grande do Sul apresenta percentual de cobertura abaixo do esperado. Apenas 13,5% do público-alvo está imunizado com essa dose no Estado, de acordo com dados do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual da Saúde (SES). Em Porto Alegre, o índice é um pouco maior, de 18,9%.
Segundo Tani Ranieri, diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), não se sabe a razão para as pessoas não estarem procurando a vacina bivalente, capaz de proteger contra a cepa original do coronavírus e também contra a Ômicron, predominante no mundo atualmente. Mentiras que procuram descredibilizar o imunizante e até o clima de segurança em relação à pandemia podem fomentar o desinteresse.
— A procura está muito abaixo do esperado. A gente sabe que a população não está aderindo à bivalente, nem mesmo à monovalente. Não temos como avaliar os motivos pelos quais as pessoas não estão aderindo. Talvez por estarmos vacinando somente grupos prioritários, as pessoas acham que não precisam tomar esse reforço. Também existe muita desinformação nas redes sociais que pode estar colocando o povo em apreensão. A bivalente é segura e eficaz. Foram desenvolvidos estudos clínicos que têm mostrado isso. Mas, infelizmente, a população só vai atrás quando há ameaça maior de risco — lamenta a epidemiologista.
A campanha com a bivalente teve início no Rio Grande do Sul no dia 14 de fevereiro. De lá para cá, foram aplicadas 561.868 doses, de acordo com o vacinômetro do Ministério da Saúde, atualizado na madrugada de terça-feira (11).
Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES), o público-alvo no Rio Grande do Sul é de 4.153.481, incluindo as pessoas com comorbidades, o grupo mais recente inserido entre os prioritários. O percentual de cobertura vacinal é de 13,5%. Em Porto Alegre, foram aplicadas 126.056 doses e o público-alvo é de 663.979, com o percentual de cobertura vacinal em 18,9%.
Segundo Tani, o Estado tem trabalhado para aumentar o índice de contemplados com a bivalente, mas os esforços não têm mostrado resultados
— O Estado já tem feito inúmeras estratégias, desde trabalhar com a comunidade científica e com o Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul, o Cosens. Os próprios municípios têm planejado ações para resgatar esse público para a vacinação. Mas, realmente, não é fácil. Não é só a propaganda que vai levar a população a aderir — diz.
Não há previsão de o Estado abrir a vacinação com a bivalente para outros grupos e faixas etárias além do que já foi determinado até o momento pelo Ministério da Saúde. No dia 1º de abril a pasta passou a recomendar o imunizante às pessoas com comorbidades entre 12 e 59 anos. Foram elencadas 20 doenças crônicas passíveis de maior risco em caso de infecção pela covid-19, entre elas diabetes mellitus, obesidade mórbida e insuficiência cardíaca (vela a lista completa abaixo). Em Porto Alegre, estão sendo vacinadas as pessoas com comorbidades com 40 anos ou mais. Segundo a prefeitura, a abertura de faixas etárias está sendo escalonada para evitar aglomerações nos pontos de vacinação.
Outros grupos que já podem procurar a vacina bivalente são os idosos com 60 anos ou mais, trabalhadores e pessoas vivendo em instituições de longa permanência, imunocomprometidos a partir de 12 anos, indígenas, ribeirinhos e quilombolas a partir de 12 anos, gestantes e puérperas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente a partir de 12 anos, população privada de liberdade e funcionários do sistema carcerário.
Só podem recebê-la aqueles que completaram o esquema primário, composto por ao menos duas doses ou dose única, e que fizeram a última aplicação há pelo menos quatro meses.