21/04/2023 | 05:33 | Saúde
Município afirma ter seguido protocolos. Família diz que paciente foi atendida, mas só obteve diagnóstico de dengue na rede particular.
Uma mulher de 25 anos morreu de dengue grave em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. A família dela disse que houve negligência no atendimento e que ela procurou a rede pública por quatro vezes. O município declarou ter seguido os protocolos.
A morte de Larissa Henckel ocorreu no domingo (16). Santa Catarina registrou 14 óbitos pela doença em 2023, de acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) do estado (veja mais informações sobre a doença abaixo).
Segundo a família de Larissa, ela passou por quatro atendimentos públicos e um privado até o diagnóstico correto. A paciente começou a sentir fortes dores de cabeça no dia 11 de abril.
De acordo com familiares, no dia seguinte ela procurou atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Balneário Camboriú. A prefeitura disse que ela foi atendida e medicada, mas o município não informou para qual doença. A família disse que a suspeita era ansiedade.
Depois disso, Larissa procurou mais três vezes atendimento na rede pública de saúde, inclusive no Hospital Municipal Ruth Cardoso, no sábado (15).
A prefeitura informou, por meio de nota, que a paciente estava com sinais e sintomas sugestivos de dengue, mas sem urgência. Ainda de acordo com o município, os resultados dos exames deram normais e ela foi liberada com medicamentos.
No domingo, a jovem voltou ao hospital sentindo muita dor. Segundo a nota da prefeitura, o médico que a atendeu solicitou um eletrocardiograma e hidratação. A paciente foi liberada na sequência. Foi feita coleta para o diagnóstico de dengue e que ela estava sendo tratada com os procedimentos necessários em caso de suspeita da doença.
A família, então, levou a paciente para um hospital particular. Ela sofreu duas paradas cardíacas e morreu.
De acordo com familiares, o diagnóstico de dengue grave veio apenas depois do exame feito no hospital privado e que não foram informados sobre a suspeita de dengue em Larissa, nós atendimentos na rede publica.
Já a prefeitura disse que houve coleta para identificação da doença, mas que o resultado não tinha saído até as 10h30 de quarta (19).
Larissa era casada e tinha um filho de cinco anos.
Dengue em SC
Conforme o boletim da Dive, Santa Catarina registrou 15.604 casos confirmados de dengue em 2023. No estado, 144 municípios são considerados infestados pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
De acordo com a Dive, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.
Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar da maior frequência ser entre a segunda ou terceira, conforme a Dive.
No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes melitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune) têm mais risco de apresentarem quadros graves de dengue.
A doença é confirmada através de um exame de sangue, realizado gratuitamente pela rede básica de saúde, pelo pedido do médico.
Em municípios com transmissão da doença, a confirmação pode ser através dos sintomas apresentados e avaliação médica.
Para os casos leves com quadro sintomático recomenda-se:
A dengue é transmitida através da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Essa também é a forma de transmissão do vírus da zika e do chikungunya.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica divulgou orientações para evitar a proliferação do mosquito: