Facebook Instagram X WhatsApp


| 06:54 | Geral 4 min de leitura

Ministério do Trabalho estuda medida para limitar saque-aniversário e ''salvar'' o FGTS

Com retiradas que somam R$ 90 bilhões, modalidade criada em 2020 preocupa o governo; solução pode incrementar financiamentos habitacionais, mas restringir crédito mais barato

Compartilhar:
Com retiradas que somam R$ 90 bilhões, modalidade criada em 2020 preocupa o governo; solução pode incrementar financiamentos habitacionais, mas restringir crédito mais barato
Reprodução internet

O aumento dos empréstimos consignados para antecipação do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) preocupa o governo. Entre os motivos destaca-se o comprometimento dos saldos atuais, a baixa disponibilidade de valores para emergências e a redução de recursos do fundo destinados a empréstimos para obras de infraestrutura e saneamento.  

De acordo com a Caixa Econômica Federal, somente no primeiro trimestre de 2023, foram sacados R$ 8,47 bilhões nessa modalidade. O montante, para se ter uma ideia, equivale a 86% do que foi usado pelos beneficiários em igual categoria nos 12 meses de 2020, ou seja, R$ 9,83 bilhões. Em dois anos, o acesso a esses recursos avançou 34,6% – de R$ 9,83 bilhões, em 2020, para R$ 28,37 bilhões, em 2022 – e a tendência é de continuidade para essa escalada.      

A situação é tema de constantes declarações do titular do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Marinho. Ele defende medidas para limitar esse tipo de retirada, que, segundo a Caixa, já acumulam R$ 90,2 bilhões, em 14,5 milhões de operações.  

Para realizar alterações da natureza das pretendidas por Marinho, é necessário fazê-lo via projeto de lei no Congresso, o que já motivou conversas entre o ministro e parlamentares. O problema é que até a terça-feira (24) – data de aprovação da proposta do arcabouço com ampla maioria na Câmara dos Deputados – pairavam desconfianças sobre a abrangência da sustentação de Lula no Legislativo e, por consequência, as intenções de Marinho estavam sob suspenso. 

Em agenda no Estado, no dia seguinte à vitória do governo, na quarta-feira (25), o ministro argumentou que o panorama, agora, é outro e antecipou espaços para avançar com a pauta. Para ele, o saque-aniversário representa um risco real para as contas do fundo:  

— É evidente que a aprovação do arcabouço, na medida em que retira os desafios do caminho, abre-se espaço para ter maior sensibilidade para criar junto ao parlamento para salvar o fundo de garantia, porque do jeito que está indo ele perderá em curto espaço a condição de ser um fundo público para o financiamento do Minha Casa, Minha Vida, da Habitação e do Saneamento.  

Ministro considera o saque uma "armadilha"
Marinho acrescenta que essa situação ainda configura “uma armadilha para os trabalhadores”. E relata receber diversos pedidos de pessoas arrependidas de terem feito a opção pela modalidade. Isso acontece porque, quando solicitada a antecipação, o trabalhador fica impedido de sacar o valor integral do FGTS, quando demitido sem justa causa, pois acessa apenas uma parcela com valor definido e que pode variar entre 5% e 50% do saldo, mais um montante fixo estabelecido pela Caixa Econômica Federal:   

— Quem perdeu o emprego nesse período e aderiu ao sistema, hoje, implora para que a gente resolva, pois não perceberam que entraram numa armadilha. Precisamos alertar o conjunto dos trabalhadores a respeito disso, ou, do contrário, só nos momentos em que mais precisam é que se darão conta que gastaram sua poupança e, talvez, de forma inadvertida. Repito: é o caso de salvar o fundo de garantia como ferramenta de proteção ao trabalhador no desemprego e enquanto fonte de investimento para habitação e saneamento. 

Na prática, de janeiro de 2020 até julho do ano passado, ocorreram 113 milhões de saques (em todas as modalidades) que totalizam mais de R$ 300 bilhões em retiradas. Cerca de 10% do montante era a fatia proporcional do saque-aniversário, quase o mesmo nível das aposentadorias (10,30%).  Já as despesas por dispensa de trabalhadores sem justa causa – motivo que deu origem a criação do fundo na década de 1960 – respondiam por pouco mais da metade (54,94%) e a moradia (16,16%).  

O temor do ministro encontra amparo em um relatório apresentado pela Caixa Econômica Federal durante audiência pública no Congresso sobre o tema, em agosto do ano passado. É que os números já diziam, naquela ocasião, que 68,6% das mais de 200 milhões de contas vinculadas ativas do FGTS eram formadas por quantias entre R$ 140 e R$ 1.578,99 depositadas. Isso significa que, atualmente, dois terços dos trabalhadores brasileiros não dispõem de sequer dois salários-mínimos para o provisionamento das emergências previstas pelo fundo.

Fonte: GZH

Mais notícias sobre GERAL
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade