02/03/2025 | 07:03 | Política
Posse de Yamandú Orsi, que irá governar pelos próximos cinco anos, teve a presença do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Yamandú Orsi tomou posse neste sábado (1º) como presidente do Uruguai, no retorno da esquerda ao poder, após cinco anos de governo da centro-direita.
Orsi, de 57 anos, sucede Luis Lacalle Pou e vai comandar até 2030 o país de 3,4 milhões de habitantes, um dos mais estáveis e prósperos da América do Sul. O Uruguai também comemora, neste sábado, quatro décadas de democracia ininterrupta.
— A boa saúde da democracia está intimamente ligada à conquista de certos padrões de bem-estar — disse Orsi em seu primeiro discurso após jurar lealdade à Constituição, no Palácio Legislativo.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, viajou ao Uruguai para acompanhar a posse de Orsi.
— Tenho a certeza de que seguiremos trabalhando para reforçar a extraordinária parceria histórica entre os nossos países e o compromisso que compartilhamos com a integração sul-americana e o Mercosul. E que poderemos avançar juntos nos temas da agenda climática, a transição energética e a defesa da paz e da democracia — afirmou Lula, em postagem no X, onde se referiu a Orsi como "meu amigo".
O novo presidente uruguaio agradeceu aos seus antecessores e prometeu "não ignorar as regras de funcionamento da economia que o Uruguai mantém desde o retorno da democracia", lutar contra o crime e enfrentar as suas causas e "formular estratégias de desenvolvimento com um foco sustentável e humano".
Orsi é o nono presidente desde 1985, quando chegou ao fim uma ditadura de 13 anos, que deixou cerca de 200 presos ou desaparecidos.
— Há sequelas desse período até hoje, por isso é tão justo quanto imprescindível manter intacto o compromisso com a liberdade, verdade e justiça — disse Orsi.
Após o seu discurso no Parlamento, o recém-empossado seguiu para a tradicional Praça Independência, onde Lacalle Pou lhe entregou a faixa presidencial.
Aos 89 anos e sofrendo de um câncer irreversível, o ex-presidente José Mujica assistiu à posse do seu discípulo no recinto legislativo, ao lado dos também ex-presidentes Luis Alberto Lacalle Herrera (1990-1995) e Julio Sanguinetti (1985-1990). Delegados de mais de 60 países, entre eles o rei da Espanha, também assistiram ao ato.
Orsi será o terceiro presidente de esquerda em quase dois séculos de um Uruguai independente, após o seu mentor, o ex-guerrilheiro Mujica (2010-2015), e o falecido oncologista Tabaré Vázquez (2005-2010 e 2015-2020). Ao contrário deles, terá que lidar com um Parlamento dividido: seu partido, a Frente Ampla, controla apenas o Senado, enquanto políticos antissistema ocupam a Câmara dos Deputados.
No campo econômico, Orsi terá que aumentar o crescimento, estimado pelo FMI em 3% para este ano, e, ao mesmo tempo, atender às demandas sociais sem aumentar ainda mais o déficit fiscal, que fechou 2024 em -4,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Outro desafio será combater a criminalidade, grande parte ligada ao tráfico de drogas. Segundo uma pesquisa da Equipos Consultores, a insegurança é o principal problema dos uruguaios (37%), seguida de longe pelo desemprego (17%).
No Uruguai, a taxa de homicídios é de 10,5 por 100.000 habitantes, e a população carcerária é de 445 presos por 100.000 habitantes, a mais alta da América do Sul e a décima mais alta do mundo.
Para este pequeno país agrícola, vizinho da Argentina e do Brasil, as relações internacionais são essenciais para o acesso ao mercado. Orsi terá de apelar ao equilíbrio, com o Mercosul questionado em nível regional e um mundo polarizado.
Na passagem pelo Uruguai, Lula teve encontros com líderes internacionais. Ele se reuniu com o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e com a candidata a presidente do Equador Luisa González, ambos de partidos de esquerda.
— Discutimos a importância dos países da América Latina e da União Europeia atuarem em defesa da democracia e do multilateralismo. A Alemanha é um parceiro essencial do Brasil na promoção do acordo Mercosul-União Europeia, no esforço de combate à mudança do clima e em prol do sucesso da COP30 — disse Lula, em nota, sobre a conversa com o alemão.
A agenda oficial de Lula informa que ele retorna a Brasília após a cerimônia de posse do seu homólogo uruguaio.
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