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17/06/2025 | 06:44 | Política

Câmara aprova urgência de projeto para derrubar decreto com mudanças no IOF

Ainda não há previsão para análise do mérito da proposta

Ainda não há previsão para análise do mérito da proposta
Deputados ainda não votaram o mérito da medida. Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (16) requerimento de urgência para análise do projeto que pode derrubar os efeitos de decreto com mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

A proposta aprovada por 346 votos a 97 acelera a tramitação do projeto de decerto legislativo (PDL) que derruba os efeitos da norma editada e publicada pelo governo federal no dia 11 de junho.

O novo texto atenuava os efeitos do anterior, publicado em 22 de maio e que enfrentou reação contrária.

A aprovação da urgência do PDL permite que o texto seja analisado diretamente em plenário, sem passar por comissões da Casa. Se o mérito da proposta também for derrubado em votação, o projeto precisaria ser analisado pelo Senado para ter efeito.

Críticas de Motta

Antes da votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que há um esgotamento da população sobre medidas que pretendem aumentar a arrecadação sem que haja um corte de gastos.

— O governo está entendendo esta mensagem. Será simbólica pelo sentimento da Casa e vamos aguardar os próximos passos. A Câmara vai continuar defendendo o que é melhor para o Brasil — afirmou Motta, em fala reproduzida pela Agência Câmara.

A votação da tramitação em regime de urgência do PDL foi definida em reunião líderes da Câmara na quinta-feira (12).

— Conforme tenho dito nos últimos dias, o clima na Câmara não é favorável para o aumento de impostos com objetivo arrecadatório para resolver nossos problemas fiscais — disse o presidente da Câmara.

Oposição contesta, e base fala em novo contingenciamento

Autor do PDL, o deputado Luciano Zucco (PL-RS) criticou a falta de ação do governo em cortar gastos. 

— O governo não corta na carne, não diminui ministérios e cargos de confiança — disse.

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), defendeu a aprovação da urgência "em nome dos pagadores de impostos" e para que o Estado "não fique no cangote do povo brasileiro".

Para o líder do Novo, deputado Marcel van Hattem (RS), o governo desrespeita o Legislativo, responsável por tratar de aumentos de impostos. 

— O IOF é imposto regulatório, e não arrecadatório. E é por isso que, nesta noite histórica, a Câmara rejeitará este decreto — disse.

Líderes de alguns partidos da base do governo, como PSD e Republicanos, defenderam a aprovação da urgência.

Porém, o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que as ações do Executivo são para fazer cumprir o arcabouço fiscal, em vigência desde 2023. 

— Estamos fazendo ajustes para cumprir o arcabouço votado por todos. Nosso governo tem tanta responsabilidade fiscal e social que não vai desrespeitar as normas e as regras da lei que aprovamos — disse.

Para o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), caso o decreto seja derrubado, haverá necessidade no dia seguinte de um contingenciamento de mais de R$ 12 bilhões.

Fonte: GZH
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