17/06/2025 | 10:55 | Política
Investigações indicaram que policiais, servidores e funcionários teriam formado uma organização criminosa para monitorar pessoas e autoridades públicas durante a gestão do ex-presidente
A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito que investigou o uso da Agência Brasileira de Informações (Abin) para espionagem ilegal. Ao todo, mais de 30 pessoas foram indiciadas. Entre elas também estão o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A investigação também respingou na atual gestão. Constam na lista de indiciados o atual diretor-geral da Abin, o delegado federal Luiz Fernando Corrêa, nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o número dois da agência Alessandro Moretti.
Nome de confiança do PT, Corrêa já havia chefiado a Polícia Federal no segundo mandato de Lula, entre 2007 e 2001.
A PF aponta que houve "conluio" entre a atual gestão da Abin e a direção anterior para evitar que monitoramentos ilegais viessem a público.
Segundo o inquérito, a Abin foi aparelhada por um esquema de espionagem ilegal para atender a interesses políticos e pessoais de Bolsonaro e integrantes de sua família.
Em outubro de 2023, foi deflagrada pela PF a Operação Última Milha. O nome da operação faz referência ao software "espião" FirstMile. Segundo a investigação, o programa foi utilizado 60 mil vezes pela Abin entre 2019 e 2023, com um pico de acessos em 2020, ano de eleições municipais.
Em janeiro de 2024, os endereços de Alexandre Ramagem foram alvos de busca e apreensão na Operação Vigilância Aproximada.
As investigações indicaram que policiais, servidores e funcionários da agência teriam formado uma organização criminosa para monitorar pessoas e autoridades públicas, invadindo celulares e computadores durante a gestão Bolsonaro.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-presidente tinha conhecimento do esquema e fazia uso dele. Ramagem, ex-diretor da Abin durante o governo Bolsonaro, e outras pessoas ligadas a ele são apontadas como responsáveis por montar o esquema.
Entre os alvos da espionagem estavam autoridades do Judiciário, Legislativo e Executivo, além de jornalistas.
Até o momento, nenhum dos indiciados se manifestou.
13/04 13:55