18/07/2025 | 06:03 | Política
''São verdadeiros traidores da pátria''
Em pronunciamento na noite desta quinta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros como "chantagem inaceitável". Lula se mostrou, ainda, indignado com os políticos brasileiros que apoiaram a medida do presidente norte-americano, Donald Trump.
— Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria. Apostam no quanto pior, melhor. Não se importam com a economia do país e os danos causados ao nosso povo.
Lula também disse que foi "surpreendido" com a carta de Trump. Segundo ele, foram realizadas mais de 10 reuniões com o governo dos Estados Unidos para tratar das tarifas e que, em 16 de maio, foi enviada uma mensagem ao governo dos EUA que não foi respondida.
— Esperávamos uma resposta, e o que veio foi uma chantagem inaceitável, em forma de ameaças às instituições brasileiras, e com informações falsas sobre o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos — afirmou.
De acordo com Lula, os Estados Unidos acumulam há mais de 15 anos "robusto superávit comercial de 410 bilhões de dólares".
Para discutir a imposição do norte-americano, o presidente brasileiro afirmou que o governo federal está se reunindo com representantes dos setores produtivos, sociedade civil e sindicatos:
— Esta é uma grande ação conjunta que envolve a indústria, o comércio, o setor de serviço, o setor agrícola e os trabalhadores. Estamos juntos na defesa do Brasil e faremos isso de cabeça erguida, seguindo o exemplo de cada brasileiro e cada brasileira que acorda cedo e vai à luta para trabalhar, cuidar da família e ajudar o Brasil a crescer. Seguiremos apostando nas boas relações diplomáticas e comerciais, não apenas com os Estados Unidos, mas com todos os países do mundo — destacou.
O presidente disse, ainda, que a defesa da soberania brasileira também se aplica à atuação das plataformas digitais estrangeiras no Brasil:
— Para operar o nosso país, todas as empresas nacionais e estrangeiras são obrigadas a cumprir as regras. No Brasil, ninguém está acima da lei. É preciso proteger as famílias brasileiras de indivíduos e organizações que se utilizam das redes digitais para promover golpes e fraudes, cometer crime de racismo, incentivar a violência contra as mulheres e atacar a democracia, além de alimentar o ódio, violência e bullying entre crianças e adolescentes, alguns casos levando à morte; e desacreditar as vacinas, trazendo de volta doenças há muito tempo erradicadas.
Lula citou também os ataques de Trump ao Pix:
— Não aceitaremos ataque ao Pix, que é um patrimônio do nosso povo. Temos um dos sistemas de pagamento mais avançados do mundo e vamos protegê-lo.
A fala do presidente foi divulgada em rede nacional de rádio e televisão, às 20h30min, com quase cinco minutos de duração.
No dia 9 de julho, Trump anunciou, em uma carta, aplicação de tarifa de 50% para produtos brasileiros importados aos EUA. A taxa entrará em vigor a partir de 1º de agosto.
O republicano comunicou a medida por meio da rede social Truth Social. No texto, ele cita uma "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro, que a maneira como o Brasil tratou o ex-presidente é "uma desgraça internacional", e afirma que as tarifas se devem, "em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos".
No dia 14 de julho, Lula assinou o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica, que foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) no dia seguinte. O texto pode servir como instrumento para reagir à tarifa imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros.
O decreto estabelece mecanismos para que o governo possa retaliar uma eventual taxação de produtos brasileiros em segmentos específicos da economia. Pelo rito de procedimento, qualquer um dos 11 ministérios que compõem a Câmara de Comércio Exterior (Camex) estará apto para acionar a lei.
O decreto cria o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, composto pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Relações Exteriores (MRE), Fazenda e Casa Civil, e estabelece a participação de empresários em comissões para tratar do assunto.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também chefia o MDIC, vai coordenar as tratativas com o setor privado para a superação das medidas impostas contra o Brasil. No caso da tarifa anunciada por Trump, por exemplo, as reuniões do governo com o empresariado têm início hoje.
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