30/07/2025 | 12:43 | Política
Deputado trabalha para boicotar qualquer solução favorável aos exportadores brasileiros e debocha dos senadores
Quando o ainda deputado Eduardo Bolsonaro confessa, cheio de orgulho e arrogância, que está trabalhando para boicotar qualquer possibilidade de acordo costurado pelos senadores que estão nos Estados Unidos, desnorteia aliados históricos do pai e reforça a conclusão dos adversários de que ele só pensa família e o país que se dane.
A menos que tenha perdido o juízo, o deputado sabia desde o início que o Supremo Tribunal Federal não iria ceder à chantagem do presidente Donald Trump e encerrar a ação penal contra Jair Bolsonaro. Se achou que a ameaça de retirada do visto de entrada nos Estados Unidos garantiria a liberdade do pai é porque se perdeu no personagem do justiceiro.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, não esconde dos colegas que sua paciência com Eduardo se esgotou. Mais por “viejo do que por diablo”, Costa Neto sabe que os movimentos do Zero Três nos Estados Unidos podem prejudicar os candidatos do PL na eleição de 2026 e comprometer a meta de eleger o maior número de deputados federais e senadores. Enquanto parte do PL tenta empurrar a responsabilidade do tarifaço para o presidente Lula, Eduardo bate no peito deslumbrado e diz que o crédito é dele.
Na manifestação em que confessou estar trabalhando pelo insucesso da comitiva de senadores que foi a Washington, disse que qualquer acordo construído pelo grupo que tem dois ex-ministros do governo de seu pai seria “meia boca”. Que ele sabe o que é certo. E certo seria o que chama de “perseguição” a Jair Bolsonaro e à família. Preocupação com os prejuízos à economia do Brasil? Zero. É a família acima de tudo.
O outro caminho que poderia salvar Bolsonaro, a anistia ampla, geral e irrestrita para os réus da trama golpista, perdeu força e a cada dia fica mais distante, porque Eduardo resolveu brigar com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. Sem aliados no Congresso e prestes a perder o mandato de deputado por faltas, seu destino é pedir asilo político nos Estados Unidos e esperar que em 2026 seja eleito um candidato amigo da família.
A última cartada sugerida por aliados de Eduardo, revelada pela colunista Bela Megale de O Globo, é tão insana quanto seus movimentos anteriores: tentar comprar a simpatia dos ministros Gilmar Mendes e Luis Roberto Barroso, presidente do Supremo, garantindo que não tenham os vistos de entrada nos Estados Unidos cortados.
É um pensamento tosco imaginar que Gilmar, Barroso, Flávio Dino, Carmen Lúcia, Cristiano Zanin e Edson Fachin e Dias Toffoli repensarão seus votos para não perder o visto. Nessa última configuração, a punição com a Lei Magnitsky ficaria restrita a Alexandre de Moraes e sua esposa. Até aqui, só Luis Fux, André Mendonça e Nunes Marques não correm o risco de ter o visto revogado.
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