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06/08/2025 | 20:52 | Política

Defesa de Bolsonaro recorre da decisão de Moraes, que determinou prisão domiciliar ao ex-presidente

Os advogados defenderam que o recurso seja julgado pela Primeira Turma da Corte

Os advogados defenderam que o recurso seja julgado pela Primeira Turma da Corte
Bolsonaro está usando tornozeleira desde o dia 18 de julho. WILTON JUNIOR / ESTADÃO CONTEÚDO

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro recorreu, nesta quarta-feira (6), da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que determinou prisão domiciliar ao ex-presidente. 

No recurso apresentado ao Supremo, os advogados sustentam que Bolsonaro não descumpriu a medida cautelar que o proíbe de usar as redes sociais, incluindo perfis de terceiros.

A medida cautelar foi estabelecida no mês passado, quando Moraes também determinou que Bolsonaro fosse monitorado por tornozeleira eletrônica.

O recurso será analisado pelo próprio ministro. Além de avaliar o caso individualmente, o recurso também poderá ser julgado pela Primeira Turma da Corte, formada pelos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, além de Moraes. 

De acordo com a defesa, o ex-presidente não pode ser punido por ter saudado seus apoiadores por meio de perfis de outras pessoas.

"O ex-presidente não foi proibido de dar entrevistas ou de se manifestar, e como já alertado, não detém controle sobre terceiros que possam repercutir o conteúdo decorrente sem a sua participação direta ou indireta. Trata-se de verdadeiro desdobramento incontrolável, alheio à sua vontade ou ingerência", afirmou a defesa.

Os advogados do ex-presidente também defenderam que o recurso seja julgado pela Primeira Turma da Corte.

"Justamente por não se tratar de medida automática, é indispensável a validação pela Turma, em estrito atendimento à previsão do RISTF (regimento interno), não sendo suficiente argumentar que a decisão original já previa a possibilidade de prisão em caso de violação das cautelares", completou a defesa.

Prisão domiciliar

A decisão de Moraes, na segunda-feira (4), foi tomada em razão do descumprimento de medidas cautelares que proibiam o réu de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros. No mesmo dia, a Polícia Federal (PF) realizou buscas na casa de Bolsonaro e celulares foram apreendidos.

O ministro afirmou, na decisão, que Bolsonaro utilizou redes sociais de aliados, incluindo seus três filhos parlamentares, para divulgar mensagens com "claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal e apoio ostensivo à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro".

"Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar imposta a Jair Messias Bolsonaro", escreveu o ministro na decisão.

A prisão domiciliar deve ser cumprida em seu endereço residencial, com as seguintes normas:

  • Uso de tornozeleira eletrônica
  • Proibição de visitas, salvo por familiares próximos e advogados
  • Recolhimento de todos os celulares disponíveis no local

Logo após, a defesa de Jair Bolsonaro declarou que foi surpreendida com a decisão de Moraes. Segundo os advogados, Bolsonaro não descumpriu a medida cautelar que o proíbe de usar as redes sociais, incluindo perfis de terceiros.

Publicações no domingo

No domingo (3), o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL-RJ) publicou no X uma foto do pai, Jair Bolsonaro, participando por telefone de ato realizado por apoiadores no Rio de Janeiro.

O irmão Flávio também publicou um vídeo do mesmo momento, porém, apagou a publicação.

No registro, o ex-presidente aparece com o celular na mão e com a tornozeleira eletrônica, que é obrigado a usar, em destaque. Na publicação, Flavio, o filho "01" do ex-presidente escreveu: "Palavras de Bolsonaro em Copacabana. A legenda é com vocês".

Já na publicação de Carlos, o filho de Bolsonaro escreve: "Te amo, pai! E o Brasil também te ama. Hoje, o povo demonstrou mais uma vez que não esqueceu quem sempre esteve ao seu lado".

Já em São Paulo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) mostrou no celular uma videochamada com Bolsonaro:

— Não pode falar, mas pode ver — afirmou ao público.

No Rio de Janeiro, um áudio de Bolsonaro foi conectado no sistema de alto-falantes:

— Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos, é pela nossa liberdade. Estamos juntos — disse o ex-presidente aos manifestantes que foram até a orla carioca.

Réu na trama golpista

Em 14 de julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação de Jair Bolsonaro e outros sete réus, considerados integrantes do "núcleo crucial" da trama golpista.

O documento foi entregue ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O texto faz parte das alegações finais da acusação e é uma das últimas etapas do processo.

Fonte: GZH
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