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| 06:02 | Política 3 min de leitura

Após tensão e resistência da oposição, Hugo Motta abre sessão na Câmara dos Deputados

Desde terça-feira (5), parlamentares contrários à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ocuparam as mesas diretoras dos plenários da Câmara e do Senado e obstruíram os trabalhos

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Desde terça-feira (5), parlamentares contrários à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ocuparam as mesas diretoras dos plenários da Câmara e do Senado e obstruíram os trabalhos
Sessão na Câmara foi marcada por tensão, mesmo após Motta retomar a cadeira da presidência. Bruno Spada / Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), conseguiu abrir a sessão desta quarta-feira (6) na Casa após resistência de parlamentares da oposição. Em pronunciamento, ele destacou o diálogo com líderes e disse que interesses pessoais não podem estar "à frente do povo".

A sessão estava marcada para às 20h30min, mas parlamentares da oposição ao governo impediram o acesso de deputados à mesa diretora.

Após debate com líderes dos partidos, Motta saiu da sala da presidência da Câmara e foi em direção à cadeira central. Em um primeiro momento, foi impedido pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) que estava sentado em seu lugar.

Momentos depois, Motta conseguiu ocupar a cadeira da presidência e abrir a sessão, marcada por bate-boca entre deputados. A Polícia Legislativa foi acionada.

Pronunciamento de Motta

Nenhuma pauta foi discutida ou votada. Após sentar na cadeira da presidência, Hugo Motta fez um discurso focado na busca pelo debate, destacando o diálogo com os líderes. No entanto, afirmou que projetos individuais, pessoais ou eleitorais não podem estar acima do povo.

— Nós temos uma preocupação muito grande com o momento crítico que o nosso país está vivendo. A crise institucional, os debates que agora nos colocam também num possível conflito internacional. Penso que nesta casa mora a construção dessas soluções para o nosso país, que tem que estar sempre em primeiro lugar e não deixarmos que projetos individuais, projetos pessoais ou até projetos eleitorais, possam estar à frente daquilo que é maior do que todos nós, que é o nosso povo, que é a nossa população, que tanto precisa aqui das nossas decisões — disse.

Segundo Motta, ele assumiu o compromisso com todas as lideranças da Câmara de seguir "dialogando, sem nenhum preconceito a qualquer pauta". 

— O que aconteceu aqui nessa Casa não foi bom, não foi condizente com a nossa história e só reforça que nós temos que voltar ao obedecimento do nosso regimento, da nossa Constituição e do bom funcionamento desta Casa — disse.

Motta disse que um "somatório de acontecimentos recentes" levaram a um "sentimento de ebulição da Casa":

— É comum? Não. Nós estamos vivendo tempos normais? Também não. Mas é justamente nessa hora que nós não podemos negociar a nossa democracia e aquilo que para essa Casa é o sentimento maior, que é termos a capacidade de aqui dialogar, fazermos os enfrentamentos necessários e deixarmos a maioria se estabelecer.

O parlamentar ainda destacou que a necessidade de construir uma pauta "da convergência", "do fortalecimento do parlamento" e "pró-país".

Ao encerrar a sessão, Motta convocou uma "sessão deliberativa extraordinária com data, horário e ordem do dia a serem divulgadas".

Sessão no Senado

Na terça-feira (5), as sessões na Câmara e no Senado foram canceladas após parlamentares de oposição ao governo ocuparem as mesas diretoras dos plenários e obstruírem os trabalhos depois da determinação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesta quarta-feira (6), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) confirmou que a sessão deliberativa desta quinta-feira (7) será semipresencial, a partir das 11h. A decisão, segundo ele, busca garantir a continuidade dos trabalhos e evitar que a pauta da Casa seja interrompida.

"O Parlamento não será refém de ações que visem desestabilizar seu funcionamento. A democracia se faz com diálogo, mas também com responsabilidade e firmeza", declarou Alcolumbre.

Fonte: GZH

Desde terça-feira (5), parlamentares contrários à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ocuparam as mesas diretoras dos plenários da Câmara e do Senado e obstruíram os trabalhos
Parlamentares discutiram e a Polícia Legislativa precisou ser acionada. Bruno Spada / Câmara dos Deputados
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