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03/09/2025 | 05:02 | Política

Senado aprova projeto que altera Lei da Ficha Limpa e unifica prazo para inelegibilidade em oito anos

Atualmente, os oito anos começam a contar após o fim do mandato, o que pode estender o prazo para mais de 15 anos. Projeto aprovado antecipa o início da contagem para a condenação ou a renúncia

Atualmente, os oito anos começam a contar após o fim do mandato, o que pode estender o prazo para mais de 15 anos. Projeto aprovado antecipa o início da contagem para a condenação ou a renúncia
Relator acatou mudanças redacionais propostas pelo senador Sérgio Moro. Jefferson Rudy / Agência Senado/Divulgação

O Senado aprovou, nesta terça-feira (2), projeto que altera a forma de contagem do prazo de inelegibilidade da Lei da Ficha Limpa. O texto aprovado — com 50 votos a 24 — unifica em oito anos o prazo de inelegibilidade para os políticos impedidos de se candidatar. O projeto, relatado pelo senador Weverton (PDT-MA), segue para sanção presidencial.

A Lei da Ficha Limpa completou 15 anos de vigência em 2025. Atualmente, os oito anos começam a contar após o fim do mandato, o que pode estender o prazo para mais de 15 anos. O projeto aprovado antecipa o início da contagem para a condenação ou a renúncia e unifica em oito anos o período de inelegibilidade, com limite de 12 anos em caso de múltiplas condenações. 

O prazo de inelegibilidade de oito anos passará a ser contado a partir de uma das seguintes datas:

  • da decisão que decretar a perda do mandato
  • da eleição na qual ocorreu prática abusiva
  • da condenação por órgão colegiado
  • da renúncia ao cargo eletivo

Se sancionadas, as novas regras poderão ser aplicadas imediatamente e podem até mesmo beneficiar políticos já condenados. O projeto original é da deputada Dani Cunha (União-RJ), filha do ex-deputado Eduardo Cunha. 

O relator acatou mudanças redacionais propostas pelo senador Sérgio Moro (União-PR). Assim, ficou garantido no texto aprovado que a contagem do prazo de inelegibilidade será apenas após o cumprimento da pena no caso de vários crimes. De acordo com Moro, as mudanças têm como intenção preservar "a essência da Lei da Ficha Limpa". 

— Não é razoável que nós possamos permitir que a inelegibilidade seja ad eternum. Precisa-se ter um prazo para cumprir essa pena. Esses que cometem os crimes gravosos, não estão sendo atendidos aqui. Obviamente, nós vamos continuar no formato que está — disse o relator.

Os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Renan Calheiros (MDB-AL), Dr. Hiran (PP-RR), Rogério Carvalho (PT-SE) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apoiaram a aprovação do projeto.

Já os senadores Marcelo Castro (MDB-PI) e Eduardo Girão (Novo-CE) defenderam a rejeição do projeto, por entenderem que seria um enfraquecimento da Lei da Ficha Limpa.

Fonte: GZH
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