23/11/2025 | 05:52 | Política
Manifestação estava prevista mesmo antes da prisão preventiva e foi citada na decisão do STF
A despeito da prisão do Jair Bolsonaro, aliados e o filho Flávio decidiram manter a vigília programada para a noite deste sábado (22).
Em Brasília, eles se concentraram nas proximidades do condomínio onde mora o ex-presidente e rezaram, com direito a cânticos e joelhos no chão. No microfone, um pastor clamou por uma “ordem celestial” para acabar com a “maldade que estão fazendo” com Bolsonaro.
De joelhos, apoiadores conduziam orações desde 19h30 até por volta de 21h30, ao menos, quando a reportagem esteve presente. Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-chefe do Executivo rezou de olhos fechados e se emocionou, assim como outros presentes que choraram pela prisão determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Na decisão que estabeleceu a prisão, Moraes citou a vigília como uma das razões para que Bolsonaro fosse detido. Segundo ele, havia “possibilidade concreta” de que a vigília convocada ganhasse “grande dimensão”, com a concentração de “centenas de adeptos do ex-presidente nas imediações de sua residência”.
Para o ministro, “considerando as técnicas empregadas por integrantes da organização criminosa, o tumulto nos arredores da residência do condenado, poderá criar um ambiente propício para sua fuga, frustrando a aplicação da lei penal”.
Entre os deputados gaúchos presentes estavam o líder da oposição, Luciano Zucco, e também o deputado Marcel Van Hattem.
— A realização da vigília demonstrou que não havia qualquer ameaça à ordem pública. E que a fundamentação da PF e do (Alexandre de) Moraes nesse ponto não só era completamente sem nexo como tambem avançou sobre a liberdade religiosa e de reunião. Foi importante manter a vigília para reforçar nossa fé em Deus, pois ele sabe de todas as coisas, bem como para demonstrar que os presentes não se intimidam com as ordens ilegais de Alexandre de Moraes — afirmou Van Hattem à coluna.
O deputado Zucco afirmou a coluna que a prisão de Bolsonaro mostra que “oração virou crime” no Brasil.
— A prisão do presidente Bolsonaro mostra até onde chegou a perseguição: nem a fé eles respeitam. Se orar virou motivo de prisão, a liberdade de todos nós está em risco — opinou.
Houve um momento de tensão quando um opositor estava ao microfone e os presentes não faziam ideia que se tratava de um opositor.
— Nós temos orado por Justiça nesse país. nós temos orado para que aqueles que abrem covas caiam nelas. Não (caiam) mortos, porque não é isso que a gente deseja. A gente deseja que sejam julgados e condenados pelo mal que fizeram. Como seu pai, que abriu 700 mil covas na pandemia — falou, dirigindo-se ao senador Flávio Bolsonaro.
Assim que os apoiadores se deram conta, tomaram o microfone do homem e houve pelo menos dois chutes e gritos de “vagabundo”, conforme mostram os registros em vídeo. Ele foi expulso pelos manifestantes.
13/04 13:55