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02/12/2025 | 05:23 | Política

STF publica acórdão que tornou Eduardo Bolsonaro réu por coação; veja os próximos passos

Segundo denúncia da PGR, deputado federal buscou sanções dos Estados Unidos ao Brasil para tentar interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro

Segundo denúncia da PGR, deputado federal buscou sanções dos Estados Unidos ao Brasil para tentar interferir no julgamento de seu pai, Jair Bolsonaro
Parlamentar vive nos Estados Unidos desde fevereiro. Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou, nesta segunda-feira (1º), o acórdão que tornou o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo réus por coação no curso do processo da trama golpista. O documento consolida o resultado do julgamento da Primeira Turma e reúne a íntegra dos votos dos ministros. Eles foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com a publicação do acórdão, abre-se o prazo de cinco dias para que as defesas apresentem embargos de declaração — recurso usado para apontar possíveis contradições, omissões ou obscuridades no acórdão. Esse tipo de questionamento, porém, não altera o mérito da decisão.

Sem advogado constituído no processo, Eduardo Bolsonaro é representado pela Defensoria Pública da União (DPU). A linha de defesa sustenta que suas manifestações públicas e a campanha conduzida nos Estados Unidos para sancionar autoridades brasileiras estão inseridas no debate político e no exercício do mandato parlamentar.

O documento também autoriza o STF a instaurar oficialmente a ação penal, procedimento pelo qual os réus passam a responder formalmente pelo crime imputado.

Próximos passos

Na sequência, será feita a intimação para apresentação da defesa prévia. Nessa etapa, os advogados expõem seus argumentos iniciais, indicam testemunhas e listam as provas que pretendem produzir ao longo do processo.

Em seguida, tem início a instrução criminal, fase em que serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa e anexados novos documentos aos autos. Depois disso, os próprios réus serão interrogados.

Concluída a coleta de provas, acusação e defesa apresentam suas alegações finais, e Moraes elabora o voto que servirá de base para o julgamento — momento no qual os ministros decidirão se o parlamentar e o blogueiro serão considerados culpados ou inocentes.

No acórdão, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, detalha que a suposta ameaça se materializou na busca por sanções dos Estados Unidos contra ministros do Supremo, incluindo suspensão de vistos, tarifas comerciais e a aplicação da Lei Magnitsky.

Para o relator, as ações atribuídas a Eduardo e Paulo formam um conjunto coordenado de atos "idôneos e eficazes" para intimidar autoridades responsáveis pelo julgamento da tentativa de golpe, configurando, em tese, o crime de coação no curso do processo.

Fonte: GZH
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