02/01/2026 | 08:37 | Política
Ele teria violado restrições impostas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes
O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Filipe Martins foi levado para um presídio de Ponta Grossa (PR) na manhã desta sexta-feira (2). Ele estava em prisão domiciliar desde o último sábado (27), mas teria descumprido restrições impostas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Segundo a decisão do ministro, o ex-assessor realizou uma pesquisa na plataforma LinkedIn, o que foi interpretado como descumprimento da ordem judicial.
Condenado por participação na trama golpista, Martins é acusado de colaborar na elaboração da chamada minuta do golpe, documento que mostra um plano do governo de Jair Bolsonaro de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, eleito no pleito presidencial de 2022. Ele nega as acusações.
O ex-assessor ainda não cumpre pena definitiva, já que ainda cabem recursos contra a sentença. De acordo com a Folha, o ex-assessor e seus advogados não receberam explicações detalhadas sobre os motivos da prisão no momento da abordagem.
O ex-assessor de Bolsonaro tem 38 anos e é natural de Sorocaba, São Paulo. Em seu perfil no LinkedIn, ele afirma ser formado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e ter cursado Diplomacia e Defesa na Escola Superior de Guerra, que integra a estrutura do Ministério da Defesa.
O paulista assumiu o cargo de assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República em 2019, no início do governo Bolsonaro, após ter trabalhado com o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, durante o governo de transição.
Martins diz ter atuado como intérprete e tradutor antes de se tornar assessor internacional do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele também afirma ter sido assessor econômico na Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e professor em um curso preparatório para concursos públicos.
Ele se aproximou da família Bolsonaro em 2014, ao conhecer o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pela internet. O "03" do ex-presidente se tornou seu padrinho político. Martins também se declara entusiasta de Olavo de Carvalho, mentor intelectual do bolsonarismo.
O ex-assessor foi apontado como integrante do chamado "gabinete do ódio", grupo acusado de usar redes sociais para difundir desinformação contra adversários de Bolsonaro. Desde 2022, ele não atualiza seu perfil no Instagram, onde ainda se apresenta como assessor especial.