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| 06:18 | Segurança 5 min de leitura

''Ele não deixou rastros, mas a tecnologia deixa'', diz delegado sobre suspeito em caso de família desaparecida

Força-tarefa conta com cinco celulares periciados e mais de 30 testemunhas ouvidas

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Força-tarefa conta com cinco celulares periciados e mais de 30 testemunhas ouvidas
Peritos foram até as casas de Silvana e dos pais em busca de elementos para a investigação. Reprodução / RBS TV

Uma força-tarefa organizada para dar celeridade e garantir o andamento da investigação do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha, está estruturada há cerca de um mês. O trabalho é ancorado em depoimentos, perícias e análises de imagens.

Silvana foi vista pela última vez no dia 24 de janeiro. Os pais dela, Isail e Dalmira, sumiram no dia seguinte, quando saíram para procurá-la. O principal suspeito é o ex-companheiro de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, que está preso temporariamente.

— Ele não deixou rastros, mas a tecnologia deixa — afirma o delegado Anderson Spier.

Dezenas de diligências encampadas pela Polícia Civil em municípios da Região Metropolitana e da Serra contaram com apoio do Instituto Geral de Perícias (IGP), da Brigada Militar (BM) e do Comando Rodoviário da corporação (CRBM), da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

— Investigações de desaparecimento de pessoas possuem peculiaridades com relação a outros casos, porque a gente não parte direto de um crime para trabalhar em cima dele. São várias técnicas de investigação em conjunto — explica o delegado.

Foram ouvidas cerca de 30 testemunhas — incluindo donos de estabelecimentos comerciais, amigos, vizinhos e familiares do suspeito e dos desaparecidos.

Os celulares de cinco pessoas foram periciados — o de Cristiano, o do filho dele com Silvana, o da mãe e o da esposa do suspeito, além do aparelho da própria desaparecida, encontrado no dia 7 de fevereiro e confirmado como pertencente a ela no dia 13. Os pais de Silvana possuíam apenas telefone fixo.

Análises de impressões digitais também contribuem na elucidação do caso.

— Precisamos averiguar tudo, se a pessoa efetivamente não está viajando, se não está na casa de um parente ou se não desapareceu por vontade própria. Em paralelo, fica a possibilidade de que tenha ocorrido um crime, e crimes de desaparecimentos podem ser vários: extorsão mediante sequestro, cárcere privado, suicídio. Neste caso, já temos a suspeita de feminicídio e duplo homicídio — complementa o delegado.

A Polícia Civil diz já ter elementos para indiciar o suspeito, mas ainda aguarda subsídios para concluir o inquérito e remetê-lo para o Ministério Público e o Judiciário. A prisão temporária de Cristiano se encerra em 10 de março. O delegado pretende pedir a renovação da medida.

O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, afirma que não teve acesso ao inquérito para se manifestar sobre as investigações. Contudo, com base no que se sabe da investigação, até o momento, usará como defesa a negativa de autoria dos crimes.

Dados telemáticos e análise minuciosa

A análise de dados telemáticos tem sido um dos principais recursos utilizados na investigação. A extração do material de celulares e notebooks norteia a polícia, traz evidências e ajuda a traçar a cronologia dos fatos. O trabalho segue em curso.

A informação de que a última ligação feita do celular de Silvana ao telefone fixo dos pais, às 11h33minn do dia 25 de janeiro, foi constatada durante a perícia do celular da desaparecida.

A polícia busca saber se foi Silvana que fez o contato e em que lugar ela estava. De forma semelhante, a investigação tenta identificar quem fez os posts no Instagram da mulher. Foram três publicações. A primeira, informando um acidente; a segunda, que estavam sem telefone e bem; e a terceira, agradecendo mensagens.

O acidente, segundo a polícia, nunca aconteceu, e o telefone de Silvana não foi levado a Gramado.

Informações relativas à identificação de contatos, conversas, histórico de navegação e mídias devem comprovar a autoria e materialidade de delitos. Em caso de desaparecimento, a geolocalização usada para rastrear a movimentação do investigado por meio de dados de GPS e conexões em redes tem sido fundamental. O acesso a dados apagados, mapeamento de redes de conexão e quebra de criptografia integram os recursos investigativos.

Como é a força-tarefa

Telefones periciados

  • Os dados de celulares de Cristiano e da atual esposa foram extraídos pela PF.
  • O aparelho de Silvana foi periciado pelo IGP.
  • Já os telefones do filho e da mãe de Cristiano foram analisados pela Polícia Civil.

Vestígios de sangue

  • Amostras de sangue encontradas na casa de Silvana pertencem a duas pessoas distintas. O material genético localizado na pia do banheiro é de uma pessoa do sexo feminino. Já o encontrado na área de serviço é de alguém do sexo masculino. Pelo apontamento pericial, não houve luta corporal. Com o uso de luminol, foram encontradas apenas gotículas.
  • Também foram periciadas as casas de Cristiano, da mãe do suspeito, do mercado e do sítio dos pais de Silvana, mas nesses imóveis não foi encontrado sangue.

Carros 

  • O carro vermelho que apareceu entrando duas vezes na casa de Silva ainda não foi localizado. As imagens foram obtidas por uma câmera de segurança.
  • O carro de Cristiano ainda não passou por perícia.
  • Os carros de Silvana, Isail e da esposa de Cristiano passaram por perícia.

Cidades e diligências

  • Serra: rastreio e verificação de ocorrências envolvendo acidentes de trânsito nas rodovias próximas ao município de Gramado e outras cidades da região. O trabalho contou com o auxílio do CRBM e da PRF.
  • Cachoeirinha e Gravataí: perícia em imóveis das famílias.

Buscas aos desaparecidos

  • A polícia centraliza o trabalho na motivação e resolução do crime. Ainda não foram realizadas buscas em matas e áreas rurais na Região Metropolitana. Conforme a investigação, sem indícios e perímetros pré-definidos, o serviço fica inviável. Tanto Cachoeirinha quanto Gravataí são atravessadas por rios e têm grandes extensões de mata.

Dados bancários e de redes sociais

  • Foram solicitados e aguardam recebimento. O Banco Central ainda trabalha para fornecer à polícia os dados e transações bancárias do suspeito e das vítimas. A empresa Meta, que controla Facebook, Instagram e WhatsApp, também foi acionada para prestar informações. A polícia aguarda esses retornos, ainda sem prazos.

Fonte: GZH

Força-tarefa conta com cinco celulares periciados e mais de 30 testemunhas ouvidas
Silvana e os pais, Dalmira e Isail, estão desaparecidos desde o final de janeiro. Polícia Civil / Divulgação
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