12/05/2026 | 13:00 | Polícia
Agentes cumprem 11 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em cinco cidades
Um grupo apontado em 41 inquéritos como responsável por dezenas de roubos de cargas no Estado e por lavagem de dinheiro é alvo da Polícia Civil nesta terça-feira (12).
O principal investigado, que está preso em Canoas, comandaria os negócios de dentro da cela. A investigação foca no fluxo financeiro mantido pelos suspeitos a partir dos lucros obtidos com as cargas.
Um cálculo preliminar indica que as ações teriam causado prejuízo de cerca de R$ 1,6 milhão. Na Operação Via Ápia, policiais cumprem 11 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Gravataí, Viamão e Alvorada. Também há ordens judiciais de sequestro e indisponibilidade de bens e de quebra de sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal.
Nos últimos dois anos, a polícia concluiu 41 investigações sobre ações de roubo protagonizadas pelo mesmo grupo. A nova etapa, realizada pela Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime Organizado (DRCOR), é para atingir o chamado núcleo financeiro da organização.
A polícia não informou nomes, mas a reportagem apurou que o homem apontado como líder da organização é André Luiz Moreira Lopes, que está cumprindo prisão preventiva por roubo no Complexo Prisional de Canoas. Na manhã desta terça, ele é informado do decreto de nova preventiva contra ele, desta vez, por lavagem de dinheiro. A polícia também fez buscas na cela dele.
Segundo a investigação, a lavagem de capitais era feita com a participação especialmente do núcleo familiar de Lopes, além de outros "laranjas". O grupo teria investido valores obtidos com as cargas roubadas na compra de imóveis — para posterior aluguel — e de veículos. Por isso, a polícia também solicitou à Justiça o sequestro de bens imóveis e o bloqueio de valores nas contas de pessoas ligadas ao esquema.
Uma das investigadas teve salto no patrimônio de R$ 13,3 mil em 2019 para R$ 210,8 mil em 2021. Outra era dona de uma frota de 10 carros em março de 2025 sem ter ganho lícito nas suas atividades declaradas que justificasse tais aquisições.
As investigações também mostraram que o núcleo operacional do grupo executava os assaltos e dava apoio logístico com o uso de carros registrados em nome de terceiros e de equipamentos (jammers) que inibem dispositivos de rastreamento e de bloqueio. Desta forma, quando os veículos com as cargas são atacados pelos assaltantes, não era possível rastreá-los.
— O objetivo da operação é a repressão ao crime organizado focando na inteligência policial e na asfixia patrimonial como ferramentas para neutralizar as estruturas que sustentam a criminalidade violenta no Rio Grande do Sul — destacou a delegada Fernanda Amorim, da DRCOR.