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Preso por matar esposa na área rural de Alecrim é irmão de autor de feminicídio em 2022

Tatiane Cristina Kusniewski, 39, foi morta nesta madrugada. A cunhada dela, Teresinha Maria Sost, mesma idade, foi vítima há quatro anos

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Tatiane Cristina Kusniewski, 39, foi morta  nesta madrugada. A cunhada dela, Teresinha Maria Sost, mesma idade, foi vítima há quatro anos
Valdecir foi preso na localidade de São Roque, na área rural de Tuparendi. Caroline Batista / RBS TV

Moradoras de Alecrim, a 22 quilômetros da fronteira com a Argentina, no noroeste do Rio Grande, duas mulheres tiveram o mesmo desfecho trágico. Tatiane Cristina Kusniewski, 39 anos, foi morta na área rural na madrugada desta segunda-feira (8). Há pouco mais de quatro anos, em janeiro de 2022, a cunhada dela, Teresinha Maria Sost, de mesma idade, também foi assassinada. 

As duas foram vítimas de feminicídio — o caso de Tatiane representa o 38º registrado neste ano no Estado. Valdecir Inácio Barbosa, companheiro da vítima, foi preso pela Brigada Militar no início desta manhã, após fugir em direção a Santa Rosa. Ele é o principal suspeito de ter assassinado Tatiane a tiros. 

Na manhã de 28 de janeiro de 2022, o irmão dele, Valdir Jocelino Barbosa, tirou a própria vida após matar a ex-mulher. Teresinha foi sequestrada pelo ex-companheiro e levada até a casa dele, na Vila Esperança. Ela foi morta com um disparo, pouco antes de os policiais ingressarem na casa. 

O corpo de Tatiane foi levado ao Departamento Médico Legal de Santo Ângelo. Ainda não há previsão de início do velório. O sepultamento está marcado para terça-feira (9), no Cemitério Municipal de Alecrim, ainda sem horário definido. 

"Ela não merecia isso"

Em 2023, a filha mais velha de Teresinha, Micheli Sost Barbosa, então com 21 anos, narrou a Zero Hora as violências sofridas pela mãe ao longo de décadas. 

— Sinto falta todos os dias. Ela era minha amiga. Sempre que precisei, ela estava ao meu lado. Depois que ela morreu, ficou um vazio muito grande — desabafou a jovem, à época. 

Nesta segunda-feira, Micheli conversou novamente com a reportagem, após a morte de Tatiane. 

— Era uma mulher trabalhadora, de sol a sol, roçando com ele — disse. 

Segundo a polícia, diferentemente de Teresinha, que chegou a ter medida protetiva, Tatiane não havia buscado esse tipo de ajuda e não havia registro recente de ocorrência. 

No entanto, um registro havia sido realizado no ano de 2010 por parte da mulher. Depois disso, o casal retomou a relação. Segundo Micheli, a família acreditava que as agressões tinham cessado. 

A vítima e o autor têm duas filhas, de 10 e 21 anos — a mais velha tem a mesma idade que Micheli tinha quando ficou órfã de pai e mãe. 

— Foi mais uma vítima, infelizmente. Ela não merecia isso — disse. 

Prisão 

Segundo informações preliminares, Valdecir teria matado a vítima e fugido de carro em direção ao município de Santa Rosa. Os policiais passaram a procurá-lo.

Segundo a BM, durante as buscas, Valdecir foi localizado trafegando em Tuparendi. Quando viu os brigadianos ele abandonou o veículo e fugiu em direção a uma lavoura. Os policiais realizaram um cerco. Com apoio de drone de imageamento térmico e a partir de informações recebidas, o homem foi localizado e preso na localidade de São Roque, na área rural de Tuparendi.

Valdecir foi levado à Delegacia de Polícia, onde foi lavrado flagrante pelo feminicídio. Com ele, foi apreendida a arma utilizada no crime.

Contraponto

A reportagem busca contato com a defesa de Valdecir Inácio Barbosa. O espaço está aberto para manifestação.

Orientações

  • Se estiver sofrendo violência psicológica, moral ou mesmo física, busque ajuda imediatamente. Não espere a violência evoluir. Converse com familiares, procure unidades de saúde, centros de referência da mulher ou a polícia. É possível acessar a Delegacia Online da Mulher
  • Caso saiba que  alguma mulher está sofrendo violência doméstica, avise a polícia. No caso da lesão corporal, independe da vontade da vítima registrar contra o agressor, dado a gravidade desse tipo de crime
  • Se estiver em risco, procure um local seguro. Em Porto Alegre, por exemplo, há três casas aptas a receberem mulheres vítimas de violência doméstica
  • Siga todas as orientações repassadas pela polícia ou pelo órgão onde buscar ajuda (Ministério Público, Defensoria Pública, Judiciário)
  • No caso da lesão corporal, o exame pericial para comprovar as agressões é essencial para dar seguimento ao processo criminal contra o agressor. Procure realizar o procedimento o mais rápido possível
  • Caso passe por atendimento em alguma unidade de saúde, é possível solicitar um atestado médico que descreva as lesões provocadas
  • Reúna todas as provas que tiver contra o agressor, como prints de conversas no telefone. No caso das mensagens, é importante que apareça a data do recebimento
  • Se tiver medida protetiva, mantenha consigo os contatos principais para pedir ajuda. A Brigada Militar mantém em pelo menos 114 municípios unidades da Patrulha Maria da Penha que fiscalizam o cumprimento da medida
  • Se tiver medida protetiva e o agressor descumprir, comunique a polícia. É possível acionar a Brigada Militar, pelo 190,  ou mesmo registrar o descumprimento por meio da Delegacia Online. Descumprimento de medida pode levar o agressor à prisão

Fonte: Polícia Civil e Poder Judiciário do RS

Como pedir ajuda

Brigada Militar – 190

  • Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.

Polícia Civil

  • Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
  • Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
  • As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.

Delegacia Online

  • É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.

Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180

  • Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.

Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556

  • Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).

Centros de Referência de Atendimento à Mulher

  • Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.

Ministério Público do Rio Grande do Sul

  • O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
  • Neste espaço, é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações clique neste link

Fonte: GZH

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