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| 14:08 | Clima 3 min de leitura

A preparação dos municípios para os riscos do El Niño

Estado e cidades já se mostravam desprevenidos para episódios de abrangência circunscrita ou sem severidade extraordinária

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A chegada de um novo El Niño potencialmente intenso, apenas dois anos após a maior tragédia climática do Estado, faz o Rio Grande do Sul apressar a prevenção aos efeitos de eventos extremos. Nesse contexto, o Palácio Piratini apresentou nesta quarta-feira (17) o Prepara RS, programa que prevê destinar recursos a municípios e melhorar a articulação entre o governo gaúcho e as prefeituras em ações de precaução e de resposta.

São ações que deixarão o Estado apto a enfrentar melhor os grandes eventos extremos, mas sobretudo os casos mais pontuais, que ocorrem com maior repetição e continuarão a espalhar transtornos e prejuízos, ainda que geograficamente restritos

Com as lembranças da catástrofe ainda vivas e sem que sequer todos os estragos da época tenham sido recuperados, é instintivo relacionar as medidas ao risco de o Estado enfrentar uma nova enchente de proporções históricas. Saber que o aquecimento global eleva a frequência e a intensidade de fenômenos do gênero torna o temor mais compreensível. 

Cumpre registrar que já eram recorrentes, no Estado, eventos de menor escala ou intensos mas de alcance territorial inferior _ como cheias de menor magnitude ou que atingem apenas uma região, chuvas volumosas localizadas, enxurradas, tempestades, granizo, tornados e deslocamentos de massa em um município ou outro. O passado recente apontava que o RS e seus municípios já se mostravam desprevenidos para episódios de abrangência circunscrita ou sem severidade extraordinária.

A enchente de 2024 proporcionou uma lição dura e legou a conscientização sobre o quanto são prioritárias políticas e iniciativas de prevenção, mitigação e adaptação. São ações que deixarão o Estado apto a enfrentar melhor os grandes eventos extremos, mas sobretudo os casos mais pontuais, que ocorrem com maior repetição e continuarão a espalhar transtornos e prejuízos, ainda que geograficamente restritos.

Torna-se vital, portanto, que cada município gaúcho esteja apto a identificar vulnerabilidades em seu território e a atuar na prevenção. E que tenha capacitação e meios humanos e materiais para responder com agilidade e eficiência quando for exigido. O poder público local é o que conhece a realidade de cada cidade e, por estar na ponta, é o primeiro a ser acionado para atender a população. 

Nesse sentido, é positivo que todos os 497 municípios gaúchos tenham hoje planos de contingência atualizados. Assim como é estratégico o movimento de fortalecimento das defesas civis das cidades e do Estado, com reforço de equipes, de equipamentos e de orçamento. A cooperação estreita entre as prefeituras e o Piratini e seus órgãos também passa a ser essencial. Aguarda-se ainda que as concessionárias de serviços públicos, como as distribuidoras de energia, consigam evitar a repetição de casos de milhares de consumidores por dias a fio sem luz. 

O programa apresentado ontem prevê o repasse de R$ 33 milhões para 141 municípios mais suscetíveis. É acertada a ação de cadastrar e capacitar voluntários para que possam atuar de forma mais coordenada, organizados por habilidade e região. Foi marcante e decisiva, em 2024, a adesão espontânea de milhares de cidadãos de todo o Brasil nos esforços de salvamento e amparo aos flagelados. Espera-se que exista tempo hábil para as medidas necessárias, uma vez que os prognósticos indicam a possibilidade de o El Niño se intensificar no inverno e especialmente na primavera.

Fonte: GZH

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