A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inventou uma história sobre ela.
Em entrevista por telefone concedida para a emissora de televisão italiana La7, Trump afirmou que Meloni "implorou" para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7, na França.
— Ela me implorou para tirar uma foto com ela. Ela queria muito uma foto comigo. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena dela — afirmou o presidente americano.
Em resposta à declaração de Trump, Giorgia Meloni divulgou, nesta sexta-feira (19) um vídeo no X, no qual se declarou "surpresa" com as declarações "totalmente inventadas" de Trump.
— Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta dessa maneira com seus aliados. Além disso, não é a primeira vez. Só posso dizer que é decepcionante que ele não demonstre a mesma determinação com os inimigos do Ocidente e dos Estados Unidos, cujos líderes ele trata com muito mais indulgência. Há uma coisa que ele deve lembrar: nem eu nem a Itália jamais imploramos — disse Meloni.
Viagem cancelada
Já o ministro italiano das Relações Exteriores, Antonio Tajani, também anunciou no X que cancelou sua visita aos Estados Unidos, prevista para os dias 21 e 22 de junho, após as "declarações graves e ofensivas" de Donald Trump contra a premier.
O subsecretário do gabinete da premiê italiana, Giovanbattista Fazzolari, também se manifestou em um comunicado e criticou a postura de Trump, dizendo que, "com seus rompantes inadequados", ele tornou "os Estados Unidos impopulares em todo o continente europeu, prejudicando não apenas a Europa, mas sobretudo os Estados Unidos".
Histórico de críticas
Meloni, eleita em outubro de 2022 à frente de um governo de coalizão ultraconservador, vinha sendo até então uma das aliadas mais próximas de Trump na Europa, esforçando-se frequentemente para desempenhar um papel de mediadora entre as posições divergentes dos Estados Unidos e do continente.
A premier foi a única líder europeia que presenciou a posse de Trump na Casa Branca, em 2025. Ela costumava elogiar com frequência as políticas do presidente, mas se distanciou do governo de Trump após a implementação das tarifas norte-americanas sobre diversos países.
A relação foi abalada novamente quando Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia ao território dos Estados Unidos. A proposta foi rejeitada por países europeus.
Com o início da guerra no Oriente Médio e a desaprovação de cidadãos italianos sobre o conflito, Meloni e Trump se distanciaram ainda mais. Em abril deste ano, Trump criticou a primeira-ministra por recusar envolver o seu país na guerra e disse que havia ficado "surpreso" e decepcionado com sua falta de "coragem".
Na época, Meloni já havia criticado Trump após ele ter chamado o Papa Leão XIV de "fraco" por condenar a guerra no Irã:
"Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra", afirmou a premiê.

























































