Cerca de três semanas após uma série de homicídios mobilizar as forças de segurança em Porto Alegre, as ações policiais realizadas nas áreas atingidas resultaram em 34 prisões, três adolescentes apreendidos e oito armas de fogo recolhidas.
As detenções ocorreram por outros crimes identificados durante a operação e não têm relação direta com os assassinatos. Por isso, segundo a Brigada Militar, o reforço teve como objetivos recuperar a sensação de segurança nos bairros atingidos e impedir que a sequência de violência se espalhasse para outras regiões da Capital. As prisões ocorreram durante abordagens e ações ostensivas realizadas como parte dessa estratégia.
A sequência de crimes começou na última semana de junho. Em menos de 24 horas, seis pessoas foram assassinadas, levando o governo do Estado a acionar o protocolo das sete medidas de enfrentamento aos homicídios (entenda abaixo).
A Polícia Civil estima que entre cinco e sete mortes registradas no período estejam ligadas à mesma sequência de violência. O número ainda não está fechado porque os investigadores apuram quais casos têm relação entre si.
Segundo o diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Mário Souza, o trabalho avança para identificar os executores e as lideranças envolvidas.
Reforço se estendeu a outras regiões
O balanço consolidado pelas forças de segurança considera os primeiros 10 dias da Operação Saturação, realizada entre 26 de junho e 4 de julho.
Embora a sequência mais grave tenha se concentrado na região do bairro Mário Quintana, no extremo norte da Capital, a operação não ficou restrita ao local. As ações também alcançaram os bairros Bom Jesus, na Zona Leste, Cascata e Santa Tereza, na Zona Sul.
Segundo o chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Costa Limeira, a escolha das áreas considerou informações de inteligência e indicadores como tráfico de drogas, disparos em via pública e lesões corporais. Os dados são analisados diariamente para orientar a distribuição do efetivo e identificar regiões com risco de novos conflitos.
— Dentro de cada área, tivemos a manutenção dos pontos de maior atenção, onde aconteceram aqueles homicídios, mas também nas áreas de atuação dos grupos criminosos que provavelmente têm envolvimento com os fatos — explica o comandante.
Nos primeiros dias, a operação reuniu policiais de diferentes unidades da Brigada Militar, Batalhão de Choque, apoio aéreo e equipes da Polícia Civil. Encerrada a etapa de maior mobilização, as forças de segurança passaram a realizar ações concentradas em pontos específicos.
Costa Limeira afirma que o reforço massivo foi reduzido, mas que as operações continuam. Nesta quinta-feira (16), efetivos de diferentes unidades da Capital voltaram a atuar de maneira concentrada nas zonas Norte e Sul.
Sensação de segurança
Além de evitar novos ataques, a presença ostensiva teve como objetivo permitir que moradores e trabalhadores retomassem a rotina nas regiões atingidas.
— O nosso primeiro objetivo naquele momento era restabelecer a segurança e a percepção de segurança das pessoas que vivem nesses locais. A presença massiva, inclusive com o emprego de aeronaves, era para que as pessoas pudessem voltar à sua rotina — diz Costa Limeira.
Segundo o comandante do CPC, os homicídios registrados posteriormente na Capital não apresentam, até agora, ligação conhecida com a sequência de retaliações do fim de junho. A delimitação dos crimes relacionados e a identificação dos envolvidos ainda dependem da conclusão das investigações da Polícia Civil.
Protocolo
O protocolo das sete medidas de enfrentamento aos homicídios foi acionado após a sequência de mortes. Baseado na teoria da dissuasão focada, o plano envolve a atuação integrada das polícias, com participação do Ministério Público e do Poder Judiciário.
A estratégia parte do entendimento de que uma parcela reduzida dos criminosos, especialmente as lideranças das organizações, concentra as decisões relacionadas aos homicídios. As medidas buscam, por isso, atingir executores, mandantes e chefes dos grupos envolvidos.
No caso de Porto Alegre, foram realizadas a saturação das áreas atingidas, ações pontuais nos locais dos crimes, medidas para responsabilizar lideranças e revistas em estabelecimentos prisionais.
A sexta medida prevê o envio de lideranças criminosas para outros presídios estaduais. Segundo Mário Souza, dois presos deverão ser transferidos. Uma das transferências já está confirmada e será executada nos próximos dias, depois da conclusão dos trâmites necessários. A segunda ainda não foi confirmada.
As sete medidas do protocolo contra homicídios
O protocolo reúne ferramentas já utilizadas pelas forças de segurança, mas aplicadas de forma integrada a partir de homicídios ligados à atuação de organizações criminosas.
- Saturação da área: reforço ostensivo do policiamento nos locais dos homicídios e em regiões de atuação dos grupos envolvidos
- Responsabilização dos envolvidos: investigação para identificar executores, mandantes e lideranças ligados aos crimes
- Operações especiais: ações direcionadas contra integrantes e estruturas das organizações criminosas
- Combate à lavagem de dinheiro: investigações para atingir o patrimônio e as fontes de financiamento dos grupos
- Revistas em presídios: buscas para apreender celulares, armas e outros materiais utilizados por lideranças encarceradas
- Transferências estaduais: remoção de lideranças para outros presídios do Rio Grande do Sul
- Transferências federais: envio de presos para unidades federais de segurança máxima, quando houver necessidade e autorização


























































