Comunidades rurais de Floriano Peixoto, no norte do Estado, estão sem acesso ao município devido à cheia do Rio Piraçuce. Após a chuva registrada nesta terça-feira (21), a ponte de acesso à comunidade de Boa Esperança foi interditada. De acordo com a Defesa Civil, uma área equivalente a 40% do município está isolada. A única saída é por Charrua, a cerca de 22 quilômetros de distância.
O bloqueio afeta as comunidades rurais de Linha Frederico, Anita Garibaldi, Rio Ligeiro Alto, Fátima, Linha Jacutinga e São Lourenço, com uma população de cerca de 450 pessoas. O transporte escolar no município está suspenso até a redução do nível da água.
Desde segunda-feira (20), Floriano Peixoto registrou mais de 158 milímetros de chuva acumulada, de acordo com a Defesa Civil. O município também teve ocorrências de queda de barreiras, danos em bueiros e estradas, além de prejuízos em lavouras. A prefeitura orienta que a população redobre os cuidados, especialmente ao trafegar por estradas em áreas com risco de alagamentos e deslizamentos.
Van presa em alagamento
Uma van ficou presa em um alagamento devido à cheia no município. O motorista, Edivan Ranier Butka, de 32 anos, relata que estava indo buscar trabalhadores de um frigorífico quando a água começou a subir.
— Eu vi que tinha muita água na estrada, estava na altura da roda da van. Nesse momento, eu resolvi voltar, até porque eu sabia que a partir dali o trecho era ainda mais fundo, mas quando eu engatei a ré, a van patinou, acredito que devia ter barro na estrada. Então a van apagou, nessa hora a primeira coisa que eu pensei foi em sair e pedir socorro — conta Edivan.
Quando o motorista retornou, a água já teria subido mais de um metro. A Prefeitura de Floriano Peixoto tentou retirar o veículo com uma retroescavadeira, mas até a noite desta quarta-feira (22) ainda não havia sido possível remover a van do local.
Três Passos
Em Três Passos, no noroeste do Estado, cinco pessoas ficaram feridas e quatro desalojadas devido às chuvas e ventos registrados na terça-feira (21). De acordo com a Defesa Civil, os feridos foram encaminhados para atendimento médico e os desalojados estão na casa de familiares.
Segundo o Relatório Parcial de Ocorrência, divulgado pela Defesa Civil, 10 casas ficaram destelhadas. Outros dois estabelecimentos e uma sala de aula da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Guia Lopes, na localidade de Floresta, também foram atingidos pela força do evento. A Defesa Civil realizou a distribuição de lonas e telhas para os afetados.
O relatório afirma que as chuvas foram acompanhadas por fortes rajadas de vento, "com indícios da ocorrência de tornado ou micro explosão". Levantamentos seguem sendo realizados para apurar a causa dos danos.
Cerca de 100 árvores chegaram a cair na área do município devido ao temporal. Na área rural, houve o desabamento de uma sala de ordenha que abrigava animais. Também foram registrados danos em uma instalação de suinocultura, com parte da cobertura arrancada pelo vento.
Na localidade de Floresta Turvo, a correnteza do Rio Turvo arrastou um rebanho de 21 vacas. Animais chegaram a ser localizados em cima de árvores, onde se refugiaram da força da água.
— O pessoal no interior ainda está bastante abalado, hoje realizamos atendimentos junto à Assistência Social, e ainda tinha muita gente chorando, sem entender o que havia acontecido, porque foi muito rápido — relatou Cristiane Raquel Bertaluci, coordenadora municipal de Proteção e Defesa Civil de Três Passos.
O abastecimento de água e luz também foi interrompido em comunidades do interior. Nesta quarta-feira (22), uma reunião foi realizada pela Prefeitura de Três Passos e a 5ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (5ª CREPDEC) para avaliar a possibilidade de decretar Situação de Emergência – Nível II no município. O nível um foi decretado em razão dos eventos climáticos ocorridos entre 28 de junho e 1º de julho.
Planalto
Em Planalto, na região Norte, foram registrados destelhamentos nas localidades de Vila II e Conceição, na reserva indígena Pinhalzinho. A Defesa Civil distribuiu lonas após o vendaval, na noite de terça-feira (21).
Nesta quarta-feira (22), o município anunciou que irá decretar situação de emergência nível um, após reunião da prefeitura com membros da Defesa Civil Estadual.
De acordo com a Defesa Civil, telhas devem ser entregues às famílias atingidas nesta quinta-feira (23).
— A urgência é necessária tendo em vista que temos previsão de mais chuvas no decorrer da semana que vêm — afirma Flávio Soares, coordenador da Defesa Civil do municipio.
Marcelino Ramos
A Prefeitura de Marcelino Ramos, no norte do Estado, emitiu alerta para deslizamentos de terra na rodovia que liga o município a Maximiliano de Almeida, na RS-126, trecho que já estava em obras.
As chuvas potencializaram os transtornos no local, com água sobre a pista e queda de barreiras. A recomendação é evitar deslocamentos por esse trecho. As alternativas são a RS-331, sentido Pinhalzinho a Santa Barbara, e rotas pelo interior do município.
De acordo com a Defesa Civil, o lago da Usina Hidrelétrica de Itá não ultrapassou a cota de inundação. O município não tem registro de feridos ou desabrigados.
Coqueiros do Sul
Nesta quarta-feira (22), uma das pontes de acesso à BR-386 seguia bloqueada, em Coqueiros do Sul, na região Norte. A Defesa Civil informa que a água está baixando e que segue avaliando a situação para verificar a possibilidade de liberação do acesso.






























































