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| 14:56 | Saúde 6 min de leitura

Como viver mais e melhor: Congresso + Saúde Sesc e Senac debate os desafios para o bem-estar

Evento trouxe Dráuzio Varella, Margareth Dalcolmo e Mari Krüger, entre outros palestrantes para discutir longevidade, saúde e os impactos da vida moderna

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Evento trouxe Dráuzio Varella, Margareth Dalcolmo e Mari Krüger, entre outros palestrantes para discutir longevidade, saúde e os impactos da vida moderna
Assessoria de Imprensa

A sede do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e Ifep recebeu, nesta terça-feira (18), a 1ª edição do Congresso + Saúde Sesc e Senac: Educação e Bem-Estar Social. Ao longo do dia, mais de 800 pessoas participaram de uma programação que reuniu palestras, intervenções culturais e a Mostra de Projetos de alunos e profissionais das instituições, promovendo o diálogo entre diferentes áreas relacionadas à educação, à saúde e ao bem-estar social.

A programação teve início com uma fala do presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e Ifep, Luiz Carlos Bohn. “Saúde, educação e bem-estar caminham juntos. Essa é a visão que orienta o trabalho do Sesc e do Senac do Rio Grande do Sul. Todos os dias, nossas instituições investem em prevenção, promoção da saúde, formação de profissionais e ações que atendem pessoas de todas as idades em todo o Estado”, disse, dando as boas-vindas aos presentes.

A primeira palestra do dia foi “Saúde Integral: Perspectiva da Educação e do Bem-Estar Social”, ministrada pelo Dr. Dráuzio Varella. Durante a conversa com o público, o médico destacou que estamos envelhecendo mal e usando o corpo de forma inadequada, especialmente pela falta de atividade física e de cuidados ao longo da vida. “E o preço é alto. Todo mundo sabe que é importante fazer exercícios. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de 30 minutos, cinco vezes na semana. A saúde não é um bem e o corpo humano não é uma dádiva de Deus. O corpo é uma máquina que tem que ser cuidada da melhor forma possível”, afirma.

Durante sua palestra, o especialista abordou temas como alimentação saudável, tecnologia, vícios, obesidade, exercícios físicos e trabalho. Ao falar sobre os impactos da vida moderna na saúde, ressaltou o excesso de conexão e de estímulos aos quais as pessoas estão expostas. “Passamos a viver online e a pagar o preço de quem vive online. Estamos vivendo em uma sociedade onde o conforto não nos traz tranquilidade”, afirmou sobre a epidemia de crises de ansiedade, depressão e outras doenças que a vida moderna traz.

Nesse contexto, Dráuzio também chamou a atenção para os impactos do excesso de informações sobre a atenção e a memória. Segundo ele, muitas pessoas acreditam que estão esquecendo as coisas, quando, na verdade, estão tendo dificuldade para se concentrar diante de tantos estímulos. “Não é a memória que está ruim, é a atenção que está prejudicada pelo excesso de estímulos”, diz. O especialista também salientou o crescimento da população com mais de 60 anos e a necessidade de adaptação a essa nova realidade. “Isso é algo que nunca aconteceu na história da humanidade. É preciso se adaptar a essas mudanças”, enfatiza.

O envelhecimento da população também foi tema da palestra da médica Margareth Dalcolmo, intitulada “Ciência, Inovação e tomada de decisões”. A especialista apresentou estudos e dados sobre emergências climáticas, epidemias, pandemias, vacinação e o aumento da longevidade da população mundial. Para ela, a frase “prevenir é melhor do que remediar” nunca foi tão atual. A partir de 2030, o Brasil terá mais idosos do que jovens, cenário que exigirá mudanças e preparação do sistema de saúde para atender às novas demandas da população.

Segundo Margareth, estudos da Global Health, de 2024, apontam que há uma chance real de 48% de uma nova pandemia nos próximos dez anos. “Nós precisamos estar preparados para uma nova pandemia. Não podemos ser tão dependentes de outros países. Precisamos ter autonomia para a produção de máscaras e remédios, por exemplo”, ressalta.

A médica também compartilhou sua experiência em um grupo de trabalho no qual elaborou uma proposta voltada ao fortalecimento da capacidade do Estado brasileiro e do Sistema Único de Saúde (SUS) no enfrentamento de epidemias, pandemias e outras emergências. Para Margareth, as transformações provocadas pelas mudanças climáticas já estão alterando cenários conhecidos na área da saúde. “As mudanças climáticas são fato e a sazonalidade de doenças que conhecemos há décadas também mudou. Nós, médicos, estamos aprendendo na prática como as crises climáticas estão afetando a saúde e precisamos estar preparados”, afirma.

Os desafios da saúde ao longo da vida

À tarde, o diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Valor em Saúde (IBRAVS), Fábio Rocha, o médico hebiatra Felipe Fortes e o enfermeiro, professor e influenciador Rafael Albuquerque subiram ao palco para contribuir com o debate.

Em sua apresentação, Rocha também abordou o envelhecimento da população e como é possível prolongar tanto a expectativa de vida quanto a qualidade de vida saudável. “Saímos de um cenário de doenças agudas para doenças crônicas não transmissíveis de longo prazo. Por isso, não basta ter só o acesso à saúde, é preciso entregar o melhor resultado para o paciente”, salienta.

Já Fortes, especialista na saúde de adolescentes e jovens, trouxe um panorama sobre esse período de mudanças pelo qual todos passam. “Não existe uma adolescência, existem várias. Cada lugar do nosso país tem uma experiência diferente, cada adolescência é única e especial”, diz. Assim como levantado nas palestras da manhã, o médico trouxe dados sobre a influência da tecnologia e diagnósticos de saúde mental registrados pelo SUS a partir de 2016. “Questões de saúde emocional são complexas e multifatoriais, mas as redes sociais começaram a se popularizar na mesma época. As telas estão tomando um tempo absurdo da gente”, realça.

Dando continuidade às palestras, Albuquerque chamou a atenção para a Saúde Integral, que não se resume somente à atenção à saúde da população, mas envolve a relação entre corpo, mente, ambiente e informação. “Quando se usa as redes sociais com consciência, mais pessoas são impactadas positivamente. A informação certa, no momento certo, também faz a diferença”, afirma.

Influência que transforma

Encerrando a programação, a bióloga e influenciadora digital Mari Krüger apresentou a palestra “O poder da influência responsável na construção de relações saudáveis”. Conhecida por combater a desinformação em saúde e ciência nas redes sociais, Mari falou sobre sua trajetória e o trabalho que realiza com responsabilidade e credibilidade. Ela admite que os influenciadores digitais são os maiores responsáveis pela desinformação. “Desinformar dá audiência, informar dá trabalho. É fácil mentir, não precisa procurar se a informação está correta, ir em busca de fontes. E é muito fácil de ser produzida, consumida e espalhada”, aponta.

Quando começou a criar vídeos para as redes sociais, Mari utilizou seus conhecimentos adquiridos durante a faculdade de Biologia para levar informação com humor. “O humor desarma. Talvez essa não seja a melhor forma de passar uma informação, mas é a mais eficiente, pois consegue chegar a lugares onde a informação sozinha não chegaria”, reconhece. “Conhecimento é tudo o que a gente tem. A informação tem que estar online, porque a desinformação já está”, finaliza.

O público presente também pôde conferir intervenções culturais da Companhia Teatro Ateliê e da Cia Dramática, além da Mostra de Projetos, que reuniu 20 trabalhos desenvolvidos por profissionais do Sesc e alunos do Senac, com iniciativas que contemplam soluções para a área da saúde.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Senac

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