O ano de 2026 ainda não terminou, mas a expectativa do setor de carnes é de que a União Europeia só volte a abrir o seu mercado no ano que vem para o Brasil. O que deve ficar ainda para este ano é a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar proteína animal para o bloco europeu. A sinalização foi recebida pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e divulgada pelo presidente da entidade, Roberto Perosa, durante a Beef Week 2026, em São Paulo, encerrada na quinta-feira (17).
Essa retomada, no entanto, depende de uma etapa que ainda não foi concluída: a aceitação, pelos europeus, do protocolo brasileiro de controle e certificação de animais livres de determinados antimicrobianos. O uso desses produtos sem rastreabilidade foi o motivo pelo qual ocorreu a suspensão dos embarques, no último dia 3.
Com a aprovação do documento, a Abiec defende que seja negociado um período de transição. O objetivo é permitir a retomada das exportações sem que o Brasil precise aguardar os dois anos correspondentes ao ciclo completo do boi para abate.
O protocolo brasileiro, vale lembrar, já está vigente, com adesão de 100% das indústrias. O trabalho agora está concentrado em ampliar a participação dos pecuaristas e aguardar o aval da União Europeia. A adesão é voluntária das propriedades rurais.
O documento, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Certificação por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR), estabelece os procedimentos para garantir que os bovinos destinados ao mercado europeu não tenham recebido os antimicrobianos proibidos pelas regras da UE. Na prática, o sistema exige que as propriedades rurais adotem controles de manejo sanitário e nutricional, mantenham registros dos medicamentos utilizados e consigam comprovar a segregação de animais que não atendam aos requisitos da certificação. A verificação é realizada por certificadoras de terceira parte, com supervisões presenciais nas propriedades.
Os bovinos são identificados individualmente, e suas informações são registradas no banco de dados da ABCAR. A cada movimentação, o Certificado de Transação permite comprovar a conformidade do animal e acompanhar seu percurso até o abate.
Tamanho do mercado
O mercado europeu representa pouco em termos de volume, mas muito em receita. Do total exportado em 2025 pelo Brasil para o bloco, 5% foi de carne bovina. No entanto, esse percentual é da proteína mais valorizada embarcada pelo país, em torno de US$ 9,5 mil a tonelada. Entre os cortes embarcados, estão alcatra, contrafilé, filé.























































