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| 16:31 | Esporte 5 min de leitura

PF investiga dinheiro recebido por ex-atletas gremistas

Policiais averiguam por que Pedro Geromel e Lucas Leiva foram beneficiados com repasses feitos a pedido de empresários gaúchos indiciados por lavagem de dinheiro na extração ilegal de cassiterita

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Policiais averiguam por que Pedro Geromel e Lucas Leiva foram beneficiados com repasses feitos a pedido de empresários gaúchos indiciados por lavagem de dinheiro na extração ilegal de cassiterita
Pedro Geromel, ídolo gremista LUCAS UEBEL / GREMIO FBPA/Divulgação

Dois ídolos gremistas, o ex-zagueiro Pedro Geromel e o ex-volante Lucas Leiva, receberam repasses de dinheiro da Metalsur Comercial de Aços, uma empresa investigada pela Polícia Federal por fraude em exportação de cassiterita. As negociações constam de relatório da Operação Disco de Ouro, feita pela PF para conter a extração ilegal de minério na Terra Indígena Yanomami e que já teve duas fases.

Dois irmãos gaúchos são pivôs da investigação da PF: Diego e Matheus Possebon. Eles teriam fraudado exportação de cassiterita avaliada em US$ 48 milhões (equivalente a R$ 246 milhões), num negócio feito com a multinacional suíça Gerald Metals. O minério, usado para fabricar estanho, teria sido extraído ilegalmente da reserva Yanomami, a maior área indígena do Brasil. Depois, segundo a PF, ocorreu ainda uma fraude que causou grande prejuízo aos compradores do mineral. De 129 contêineres enviados do Brasil para Tailândia, China e Malásia, 109 foram abertos e, segundo a investigação, apresentaram areia ou brita no lugar do concentrado de cassiterita negociado. 

Matheus Possebon chegou a ser preso em 2023, na primeira fase da operação Disco de Ouro, época em que era dirigente da Opus Entretenimento, empresa do showbusiness. Acabou solto após alguns dias. Na semana passada, a PF pediu novamente a prisão preventiva dele e do irmão Diego, mas a 4ª Vara Federal de Roraima concedeu apenas outras medidas solicitadas, como sequestro de bens e buscas em imóveis.

Matheus Possebon foi empresário do cantor de pagode Alexandre Pires, que também é investigado e sofreu buscas e apreensões nas duas fases da operação Disco de Ouro.

A PF aponta a Metalsur como uma das empresas usadas para internalizar no Brasil valores recebidos no Exterior pelos irmãos Possebon, referentes aos negócios com cassiterita. Duas mulheres doleiras, usadas no esquema de troca de dólares por reais, fizeram acordo de colaboração premiada e forneceram aos policiais federais planilhas nas quais constam empresas e pessoas que receberam repasses da empresa de comércio de metais. As remessas teriam sido feitas entre março e julho de 2023 pela MLS Bercowitz Investiments, empresa norte-americana, como pagamento pelo mineral à Metalsur. 

E onde entram os ex-jogadores gremistas? Depois que os valores ingressavam no país e eram convertidos em reais, a Metalsur comandava (segundo a PF) a pulverização dos valores em contas pertencentes a 109 pessoas ou empresas variadas.

Foram identificados como beneficiados por somas expressivas, dentre outros, o cantor Alexandre Pires (R$ 21,2 milhões), um ex-motorista de Diego Possebon que movimentou R$ 43 milhões, produtoras de eventos, restaurantes e também o atleta Pedro Geromel, que recebeu repasse de R$ 1 milhão. A PF ressalta que algumas dessas pessoas físicas e jurídicas que "receberam valores de alta monta de uma empresa de comércio de metais nada tem a ver com a atividade econômica empreendida pela remetente". 

Na representação encaminhada à Justiça Federal, a PF pediu o sequestro e o arresto de bens e valores de Geromel no limite de R$ 1 milhão (idêntico ao recebido). Como o processo corre em segredo de Justiça, a reportagem não conseguiu saber se o arresto do valor foi concedido.

Outro documento relacionado pela PF menciona Lucas Leiva (hoje, empresário na área de futebol) como recebedor de R$ 125 mil. Esse valor teria sido enviado por um motorista ligado a Diego Possebon. Não há indicativo do que se refere esse pagamento.

A reportagem procurou Pedro Geromel e Lucas Leiva para que comentem a investigação da PF e seus negócios com os irmãos Possebon. Eles ainda não responderam. O espaço está aberto a manifestações.

Contraponto

O que diz a defesa de Diego Possebon:

O defensor do investigado, Alexandre Wunderlich, diz que "os fatos que deram ensejo às medidas de busca e apreensão hoje cumpridas são antigos e foram objeto de explicações às autoridades públicas pelo empresário Diego Possebon. A operação, realizada por intermédio da empresa internacional MLS Berkovitz Investments, tinha como destinatária final a multinacional Gerald Metals, uma das maiores importadoras de minério do mundo, que possui sérias medidas de compliance em relação às operações. O empresário gaúcho atuou regularmente, como vem demonstrando quando questionado, inclusive voluntariamente. E segue à disposição para outros esclarecimentos que se façam necessários".

O que diz a defesa de Matheus Possebon:

O advogado Fábio Tofic Simantob, que defende Matheus Possebon, diz ter recebido com surpresa a nova fase da operação da PF e que não teve acesso à decisão que a fundamentou. Em nota, acrescentou:

"De todo modo, os fatos investigados são antigos, remontam aos anos de 2022 e 2023, e integram uma apuração que já se estende por mais de quatro anos, período em que Matheus sempre esteve à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários. Matheus é empresário dos setores de música e entretenimento e nunca atuou no comércio ou na exportação de minérios, circunstância que já pôde ser verificada ao longo da própria investigação. Tanto é assim que, ainda em 2023, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região revogou sua prisão por reconhecer que os elementos então apresentados contra ele não bastavam para caracterizar os crimes investigados, destacando que ele exerce atividade empresarial lícita e compatível com seus rendimentos".

O que diz a defesa de Alexandre Pires:

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso diz que o cantor Alexandre Pires não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena.

"Destaco que o referido cantor e compositor é uma das mais importantes referências da música brasileira, sendo possuidor de uma longa e impecável carreira artística. Alexandre Pires foi tomado de surpresa diante dos novos desdobramentos da operação da Polícia Federal que indevidamente envolveu seu nome. Por fim, saliento que o cantor e compositor Alexandre Pires jamais cometeu qualquer ilícito, o que já está sendo devidamente demonstrado no curso das investigações,  reiterando sua confiança na Justiça brasileira".

Fonte: GZH

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Lucas Leiva, ex-jogador e hoje empresário na área de futebol Jonathan Heckler / Agencia RBS
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