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| 16:41 | Cultura 5 min de leitura

O que uma cozinha pode ensinar dentro de um memorial dedicado à agricultura

No MEA, em Horizontina, a Cozinha Experimental integra a proposta educativa do memorial e aproxima estudantes do ciclo que vai do cultivo ao preparo dos alimentos

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No MEA, em Horizontina, a Cozinha Experimental integra a proposta educativa do memorial e aproxima estudantes do ciclo que vai do cultivo ao preparo dos alimentos
Divulgação MEA

Quando se pensa em um museu, uma cozinha talvez não seja o primeiro espaço que vem à cabeça. No MEA – Memorial da Evolução Agrícola, em Horizontina, no Noroeste do Rio Grande do Sul, ela ganhou uma função que vai além das oficinas culinárias: é um espaço de aprendizagem que aproxima estudantes de temas como agricultura, alimentação, cultura, ciência, memória e sustentabilidade.

A ideia da Cozinha Experimental MEA é utilizar a prática culinária como ponto de partida para preservar saberes e tradições gastronômicas do Noroeste gaúcho e, ao mesmo tempo, estabelecer diálogos com a agricultura, a gastronomia contemporânea e as experiências dos próprios participantes. Nesse contexto, a cozinha é entendida como um espaço de educação que acontece fora da escola, mas que pode dialogar diretamente com o currículo e com a realidade dos estudantes.

Geovanni Lima, do Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia, atuou como consultor na elaboração do Programa Educativo da Cozinha Experimental MEA. Para o professor, uma das principais potências do ambiente está justamente na possibilidade de transformar conteúdos abstratos em experiências concretas.

Ao preparar um alimento, o estudante pode conhecer ingredientes, observar transformações, conversar sobre sua origem e produção e relacionar o que está fazendo com suas próprias memórias e experiências familiares. “Tem uma coisa que é muito mais interessante, que é como esse currículo se articula na vida”, resume Geovanni.

A proposta também amplia a própria ideia de patrimônio. Segundo Carla Borba, coordenadora do MEA, falar de alimento dentro de um memorial dedicado à agricultura é falar também de memória, cultura, ciência, tecnologia e modos de vida.

“A receita é muitas vezes o ponto de partida”, explica Carla. A partir dela, podem surgir conversas sobre quem produz determinado alimento, os conhecimentos envolvidos em seu preparo, histórias de família, mudanças nos hábitos alimentares e os impactos sociais e ambientais das escolhas de consumo.

Do cultivo ao preparo

A Cozinha Experimental também se conecta a outros espaços e projetos do MEA, como a Estação Cultivar. A proposta é aproximar diferentes etapas do ciclo do alimento: compreender de onde ele vem, como é produzido e cultivado e, depois, experimentar o seu preparo.

Essa relação entre agricultura e cozinha foi percebida pela chef Flávia Mu, participante do Edital Sabores da Terra, durante uma atividade com estudantes de escolas de Horizontina. Para ela, a cozinha é uma parte fundamental da narrativa de um memorial dedicado à evolução agrícola.

Flávia também percebeu como a atividade culinária pode revelar aspectos culturais e afetivos que ultrapassam a receita. Durante uma oficina em que as crianças prepararam um bolo de butiá, ela se surpreendeu ao perceber que os estudantes experimentaram a massa crua com o dedo — um gesto que, segundo ela, remetia aos hábitos de cozinhar em família e às memórias das casas de avós.

A experiência também mostrou diferenças na relação das crianças com os alimentos. Os estudantes participaram de todas as etapas do preparo, colocando a “mão na massa”, conhecendo o butiá e ouvindo histórias relacionadas ao fruto.

Aprender fazendo

A dimensão prática é central também na experiência da EMEF Bela União, de Horizontina, que desenvolve semanalmente atividades na Cozinha Experimental MEA por meio do projeto Bela Mais Bela, continuidade da iniciativa selecionada no Edital Prosas com a Escola de 2025. No turno integral, uma turma diferente do 1º ao 5º ano participa da atividade a cada semana. 

As atividades são adaptadas às diferentes faixas etárias. Com os estudantes menores, por exemplo, as experiências podem envolver frutas, verduras e preparações que não exigem o uso de panelas, explorando aspectos como cheiro, toque, textura e sabor. Em outros momentos, os alunos participam diretamente do preparo dos alimentos.

Para a diretora da escola, Derciane Kaim Rossi, a frequência transforma a relação dos estudantes com o museu. “O estudante deixa de ser visitante e passa a ser protagonista”, afirma.

Segundo ela, a continuidade permite que uma curiosidade inicial se transforme em investigação e autonomia. A escola também tem percebido mudanças na relação das crianças com os alimentos: ingredientes que antes geravam resistência passam a ser experimentados de outras maneiras. “O ‘não gosto’ muitas vezes deu lugar ao ‘posso experimentar?’”, relata Derciane.

Para Carla Borba, a experiência mostra como um museu pode ampliar sua atuação para além da preservação de objetos. “A cozinha, no fundo, nos ajuda a ampliar a própria ideia do que pode ser o museu”, afirma.

Nesse espaço, o gesto cotidiano de preparar e compartilhar uma refeição se transforma em oportunidade para discutir questões maiores: a relação com a terra, os modos de produção, a cultura alimentar, as escolhas de consumo e o futuro das relações entre sociedade e ambiente.

SOBRE O MEA

Todas as atividades do MEA são gratuitas e de classificação livre.

Estacionamento exclusivo para visitantes. Não fecha ao meio-dia.

Prédio do Memorial: de quarta a domingo e feriados, das 9h às 17h (entrada na exposição até às 16h30).

Eletroposto e área externa do MEA: de terça a domingo e feriados, das 7h às 22h.

O MEA – Memorial da Evolução Agrícola é uma iniciativa do Ministério da Cultura e do Instituto John Deere, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), e tem como patrocinador master a John Deere Brasil.

Ocupa uma área de 64 mil m² em Horizontina, no Rio Grande do Sul, proporcionando atividades de arte, cultura, educação, meio ambiente, esporte e lazer. De forma tecnológica e imersiva, o MEA conta a história da agricultura brasileira com o objetivo de provocar, trocar e produzir conhecimento em prol da sociedade e da diversidade cultural e ambiental. Todas as suas atividades culturais, educativas e de bem-estar são oferecidas gratuitamente e com classificação livre. Conta com amplo estacionamento gratuito para os visitantes.

Além do espaço da exposição de longa duração, das oficinas culturais e das salas multiuso, o complexo tem quadras esportivas, academia a céu aberto, parquinhos para crianças de até 12 anos, amplo espaço para práticas ao ar livre, John Deere Store e a unidade Senai Horizontina (RS).

Fonte: Assessoria de Imprensa do MEA

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Divulgação MEA
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