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| 06:58 | Segurança 3 min de leitura

Pai que jogou filho de cinco anos da ponte em São Gabriel é condenado a 83 anos de prisão

Theo Ricardo Ferreira Felber foi morto em março de 2025; caso impulsionou a Lei do Vicaricídio

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Theo Ricardo Ferreira Felber foi morto em março de 2025; caso impulsionou a Lei do Vicaricídio
Tiago Ricardo Felber foi flagrado circulando com o filho na bicicleta minutos antes do crime. Polícia Civil / Divulgação

Depois de 13 horas de júri, Tiago Ricardo Felber foi condenado, na noite desta quarta-feira (4), a 83 anos e quatro meses de prisão pela morte do filho, Théo Ricardo Ferreira Felber, de cinco anos. A pena deverá ser cumprida em regime inicial fechado.

O caso aconteceu em março de 2025. Theo foi arremessado vivo de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, no município de São Gabriel, na Fronteira Oeste, e não resistiu à queda.

O conselho de sentença de São Gabriel entendeu que Felber foi responsabilizado pelos crimes de homicídio tentado, homicídio quadruplamente qualificado – com as qualificadoras de motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima, dissimulação e pelo fato do crime ter sido praticado contra um menor de 14 anos. Ele também foi sentenciado por ameaça contra a ex-esposa, Abigail Ferreira.

De acordo com a sentença, também foi fixada a indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima.

O júri

O júri começou por volta das 10h desta quarta-feira, no Foro de São Gabriel, e terminou por volta das 23h. Ao todo, oito pessoas foram ouvidas em tribunal.

A primeira pessoa a falar ao tribunal do júri foi a mãe do menino, Abigail Ferreira. No depoimento dela, que durou cerca de 1h30min, ela revelou que foi casada por 10 anos com Felber e, durante esse período, houve momentos de agressão verbal, com ofensas e xingamentos, mas nunca agressão física.

Abigail ressaltou que o pai era a pessoa que Theo mais confiava. Segundo ela, Tiago Felber não aceitava o fim do relacionamento.

Relembre

De acordo com a denúncia do Ministério Público, a criança vivia com a mãe e passava alguns dias sob os cuidados do pai. O menino teria sido agredido pelo condenado no dia 24 de março de 2025 e, no dia seguinte, arremessado de uma ponte, de uma altura aproximada de 15 metros. Conforme o laudo pericial, a causa da morte foi traumatismo crânio-encefálico decorrente da queda. 

Após o crime, Felber, teria enviado áudio confessando o fato a família. A mensagem, de nove segundos, foi recebido por uma prima da mãe da criança. Leia o material na íntegra:

"Viu, guria, seja forte, fiz uma loucurinha, agora, tá? Guenta o coração para o resto da vida: atirei o Théo da [ininteligível] da ponte agora".

Segundo o entendimento do MP, o crime foi cometido por motivo torpe, tendo como objetivo causar sofrimento à ex-companheira, a mãe de Théo, que estava em um novo relacionamento amoroso. 

A comoção causada pela morte brutal do menino contribuiu para uma mudança na legislação brasileira. O caso Théo foi um dos que inspirou a Lei 5.384/2026, que criou o crime de vicaricídio. A chamada violência vicária ocorre quando um filho ou outro parente é alvo de violência com o objetivo de causar sofrimento a uma mulher. A lei foi sancionada em 9 de abril.

Fonte: GZH

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