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| 05:56 | Segurança 4 min de leitura

Justiça nega pedidos para troca de juiz no processo do caso Bernardo

Defesas de Graciele, madrasta, e de Edelvânia, amiga dela, fizeram pedido

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Defesas de Graciele, madrasta, e de Edelvânia, amiga dela, fizeram pedido
Bernardo foi encontrado morto em abrilo do ano passado (Foto: GloboNews)
O juiz Marcos Luis Agostini continuará conduzindo o processo criminal que apura a morte de Bernardo Uglione Boldrini em 2014, quando ele tinha 11 anos. Na decisão de quarta-feira (24), a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul negou os pedidos de exceção de suspeição formulados pelas defesas de Graciele Ugulini, madrasta do menino, e de Edelvânia Wirganovicz, amiga dela.
Os pleitos já haviam sido negados em sede de liminar e, desta vez, houve o julgamento dos méritos dos recursos. O desembargador Julio Cesar Finger foi o relator dos pedidos junto à 1ª Câmara Criminal.
Em síntese, o advogado da acusada alega que ela está sendo desprestigiada pelo magistrado na condução do processo e que há tratamento diferenciado entre as partes, com privilégio à acusação em detrimento da defesa. Para o relator, a exceção é descabida.
Ao pleitear o afastamento do Juiz Marcos Agostini, a Defesa de Graciele também alegou que o magistrado contribui para a "espetacularização do processo", por este ter aberto inscrições para credenciamento da imprensa. O que, na análise do desembargador relator, também não tem razão.
Graciele e Edelvânia respondem às acusações de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, juntamente com Leandro Boldrini, pai de Bernardo, e Evandro Wirganovicz.
Na mesma sessão, foi negado o recurso da defesa de Leandro, que questionou a decisão do juiz ao negar nova complementação de informações por parte do Instituto Geral de Perícias (IGP).
"Compreende-se a ânsia da defesa em obter afirmações periciais que indiquem a afirmação (o que corresponderia à certeza processual ou aproximada) de que o autor da assinatura não foi Leandro Boldrini. Entretanto, ao menos diante do que afirmam os peritos, apoiados em indicação bibliográfica científica, não há a possibilidade de afirmação peremptória de que as supostas anomalias encontradas na assinatura questionada sejam oriundas de um disfarce (autofalsificação) ou de uma imitação", afirmou o relator.
A Justiça ainda informa que o habeas corpus (pedido de liberdade) impetrado pela defesa de Edelvânia, na véspera do interrogatório dos réus em Três Passos, para que fosse dispensada de comparecer, e que havia sido negado em sede de liminar, perdeu o objeto, uma vez que a audiência já foi realizada.
Relembre o caso
- O menino de 11 anos Bernardo Boldrini foi visto vivo pela última vez no dia 4 de abril de 2014 por um policial rodoviário. No início da tarde daquele dia, Graciele foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. A mulher trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
- Um vídeo divulgado em maio do ano passado mostra os últimos momentos de Bernardo. Ele aparece deixando a caminhonete da madrasta, Graciele Ugulini, e saindo com ela e com a assistente social Edelvânia Wirganovicz. Horas depois, as duas retornam sem Bernardo para o mesmo local.
- O corpo de Bernardo foi encontrado no dia 14 de abril de 2014, enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen.
- Segundo as investigações da Polícia Civil, Bernardo foi morto com uma superdosagem do sedativo midazolan. Graciele e Edelvânia teriam dado o remédio que causou a morte do garoto e depois teriam recebido a ajuda de Evandro para enterrar o corpo.  A denúncia do Ministério Público (MP) apontou que Leandro Boldrini atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Conforme a polícia, ele também auxiliou na compra do remédio em comprimidos, fornecendo a receita. A defesa do pai nega.
- O irmão de Edelvânia, Evandro Wirganovicz é acusado de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ele seria o responsável por cavar a cova onde o menino foi enterrado.
- Em vídeo divulgado pela defesa de Edelvânia, ela muda sua versão sobre o crime. Nas imagens, ela aparece ao lado do advogado e diz que a criança morreu por causa do excesso de medicamentos dados pela madrasta. Na época em que ocorreram as prisões, Edelvânia havia dito à polícia que a morte se deu por uma injeção letal e que, em seguida, ela e a amiga Graciele jogaram soda cáustica sobre o corpo. A mulher ainda diz que o irmão, Evandro, é inocente.

Fonte: G1

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