Dez anos
após terem sido flagrados pela RBS TV fazendo turismo com dinheiro público, sete vereadores e servidores públicos de São Martinho vão ter de devolver a
verba ao município. Eles foram condenados pelo esquema que ficou conhecido por "farra das diárias", no qual alegavam viajar por conta do erário para
participar de cursos.
Para justificar as viagens, havia um esquema de compra de diplomas. Os cursos eram realizados em cidades como Balneário Camboriu, em
Santa Catarina, e Foz do Iguaçu, no Paraná. Na época, o então presidente da Câmara de São Martinho, Ademar Probst, disse que os valores das
diárias eram um complemento ao salário recebido.
"O vereador não é só pra ficar aqui durante a sessão. A toda hora,
tem um pessoal que telefona e temos que dar assistência. Isso tudo é feito. Nós não temos salário referente a isso", justificou. "As
diárias compensam", admite.
A Comarca de Santo Augusto já havia decidido pela condenação em 2012. Os réus recorreram ao
Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas sem sucesso. Após o recebimento da intimação, o prefeito em exercício, Beno
Ritter, afastou dois dos citados no processo, os secretários da Saúde, Mauri Luft, e da Agricultura, Arnaldo da Silva.
"Nenhuma prefeitura pode aceitar
isso, e menos um prefeito. Por isso vou pegar a decisão hoje e vou demitir", declarou Ritter.
Cada réu terá de devolver cerca de R$ 1,4 mil
reais, além da correção do IGP-M nos últimos 10 anos. Eles também vão pagar multa, com valores distintos, e terão os direitos
políticos suspensos por três anos.
Entre os condenados, apenas José Valdir Morch segue como vereador no município, além dos
secretários que foram exonerados. Luiz Carlos Fucilin, Ademar Probst, Vanderlei Gerlach e Silvio dos Santos Cruz não ocupam mais cargos públicos.