Em conversa com a imprensa, senadores demonstraram cautela nesta
manhã ao comentar os pedidos de prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP), do presidente
afastado da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do senador Romero Jucá (PMDB-RR). No entanto, eles concordam que a solicitação feita pelo procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) evidencia a crise política do país.
O senador Paulo Rocha (PT-PA) ponderou que o
Judiciário brasileiro, mesmo que seja o STF, não pode sair prendendo "a torto e direito" porque alguém delatou, denunciou ou gravou. "Acho que precisa da
denúncia, da investigação, de um processo normal para poder ao final condenar e ser preso. À medida que começa a prender todo mundo, não vai sobrar
ninguém. O processo da Lava Jato tem que diferenciar o que é financiamento de campanha e o que é propina, corrupção", conclui Paulo
Rocha.
Já os senadores petistas Gleisi Hoffmann (PR) e Jorge Vianna (AC) optaram por não dar declarações.
O
senador Raimundo Lira (PMDB-PB) se disse muito triste com a notícia, que o país está vivendo um momento muito difícil e que todos esses acontecimentos fazem
parte da crise política. Segundo ele, isso agrava a crise de uma forma significativa porque envolve o presidente do Senado, o presidente do maior partido político do
país, o PMDB, e José Sarney, uma instituição política do Brasil.
Quando perguntado se Renan deveria seguir à frente da
presidência do Senado, Lyra não quis se comprometer: "Não podemos fazer essa avaliação no momento, somente no momento oportuno. Vamos aguardar o
pronunciamento do Supremo”, disse.
Para o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), Renan Calheiros deveria chamar os líderes e se explicar. E caso
isso não ocorra, os próprios líderes deveriam se reunir para decidir o que fazer, tomar uma posição. Cristovam não quis analisar o pedido de
prisão, pois não julga as decisões de juízes, mas lembrou que "o caso é muito parecido com o de Delcídio do Amaral, mas não sou eu quem
vai dizer se deve haver prisão ou não".
Já o senador Álvaro Dias (PV-PR) falou em tragédia política e que fica até
difícil ver solução neste momento. E o que surge de pronto seria renúncia coletiva e eleições gerais. Mas o próprio senador se questiona:
“Quem renúncia ao mandato? Porque hoje fica difícil até separar o joio do trigo, o ideal seria zerar tudo e começar de novo. A classe política
está totalmente desacreditada e até uma proposta dessa soa sem crédito”.
Contraponto
Eduardo
Cunha: "Não tomei ciência do conteúdo do pedido do Procurador Geral da República, por isso não posso contestar as motivações. Mas vejo
com estranheza esse absurdo pedido, e divulgado no momento da votação no Conselho de Ética, visando a constranger parlamentares que defendem a minha
absolvição e buscando influenciar no seu resultado ".