O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) anunciou no começo da tarde desta quinta-
feira (7) a renúncia do cargo de presidente da Câmara dos Deputados. Ele estava afastado da função desde 5 de maio por determinação do Supremo
Tribunal Federal (STF).
A renúncia foi formalizada através de uma carta entregue à Mesa Diretora da Câmara, que foi lida durante
entrevista coletiva.
"Resolvi ceder aos apelos generalizados dos meus apoiadores. É público e notável que a casa está acéfala,
fruto de uma interinidade bizarra, que não condiz com o que o meu país espera de um novo tempo após o afastamento da presidente", disse.
Cunha
ainda complementou: "Somente a minha renúncia poderá por fim a esta instabilidade sem prazo. A Câmara não suportará esperar
indefinidamente".
O deputado pelo Rio de Janeiro reafirmou que não cometeu nenhum crime e chorou quando lembrou das acusações contra a sua
esposa e sua filha. As duas são investigadas pela Justiça Federal.
"Continuarei defendendo a minha inocência, de que falei a verdade (sobre
contas no exterior)", disse.
O parlamentar reiterou críticas à gestão da presidente Dilma Rousseff e disse que se orgulha muito de ter
aceitado a abertura do processo de impeachment contra a petista.
"A história fará Justiça ao ato de coragem que teve a Câmara dos
Deputados sob o meu comando de abrir o processo de impeachment que culminou com o afastamento da presidente, retirando o país do caos instaurado pela criminosa e desastrada
gestão que tanto ódio provocou na sociedade brasileira, deixando como legado o saldo de 13 milhões de desempregados", disse.
Processo contra Cunha
O processo contra Eduardo Cunha tramita há mais de oito meses no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da
Câmara. O deputado é acusado de ter mentido à CPI da Petrobras, quando negou a existência de contas no exterior em seu nome, o que poderia caracterizar quebra de
decoro parlamentar.
Segundo o relator do processo, Cunha é o dono de pelo menos quatro contas na Suíça: Köpek; Triumph SP, Orion SP e
Netherton. Ao pedir a cassação de Cunha, Rogério disse que as contas são verdadeiros “laranjas de luxo”.
Cunha nega a
propriedade das contas, mas admitiu ter o usufruto de ativos geridos por trustes estrangeiros. O deputado está afastado do mandato e da presidência desde maio por
decisão do Supremo Tribunal Federal.