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| 16:06 | Segurança 5 min de leitura

Pai de Bernardo não foi à cerimônia de primeira comunhão do filho

Conselheiro tutelar disse que amigos acompanharam a cerimônia em 2013

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Conselheiro 

tutelar disse que amigos acompanharam a cerimônia em 2013
Conselheiros tutelares de Três Passos falaram sobre o caso Bernardo (Foto: Caetanno Freitas/G1)
Os relatos de amigos e familiares de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, sobre a relação distante com o pai, Leandro, foram reforçados também pelo conselheiro tutelar Nestor Weschenseld, de Três Passos, cidade em que o menino morava. Ele conta que o médico não participou da cerimônia de primeira comunhão do filho, em dezembro de 2013. O corpo do menino foi encontrado na segunda-feira (14), em Frederico Westphalen, e sepultado na quarta-feira (16), em Santa Maria.
O garoto, dado como desaparecido em 4 de abril, foi encontrado enterrado em uma cova. O médico foi preso junto com Graciele Ugolini Boldrini, a madrasta, e Edelvania Wirganovicz, amiga do casal, sob suspeita de serem os autores da morte.
Segundo o atestado de óbito, a morte da criança ocorreu mesmo no dia 4 de abril de “forma violenta”. Ainda de acordo com o documento, o corpo foi encontrado "em adiantado estado de putrefação”. Conforme a Polícia Civil, o garoto foi morto com uma injeção letal, o que ainda deverá ser confirmado pela perícia.
“Na cerimônia da primeira comunhão, em dezembro, o pai não compareceu. Ele viajou na sexta-feira anterior [a missa foi no domingo seguinte] e o menino encontrou a casa fechada. Amigos do Bernardo o acolheram naquele fim de semana, como era normal, e foram eles que acompanharam a missa com o garoto", relatou o conselheiro tutelar ao G1.
Embora diante de dificuldades no ambiente familiar e com seguidas queixas de abandono e falta de atenção do pai e da madrasta, o menino Bernardo era carente e com frequência manifestava atos de carinho, segundo vizinhos, amigos, professores e colegas de escola. Dedicado e religioso, o garoto tinha planos de fazer a crisma em maio deste ano.
Segundo a voluntária da igreja Ivani Christoff, Bernardo era o coroinha mais atuante do grupo. "Quando ele estava aqui, ele sempre estava querendo ajudar. Ele chegava muito cedo, antes da celebração. Foi aqui que ele encontrou força e achou um lugar onde ele se sentia bem", avalia a mulher.
Orfão de mãe há quatro anos, o chegou a procurar a Justiça para relatar o caso. “No relatório que encaminhamos ao MP e que depois foi levado ao juiz, não consideramos o caso grave porque não havia agressão física. Acharamos que era um problema psicológico de familiares”, completou o conselheiro tutelar Elio Iderhardt. A conselheira Isolde Schumann também concedeu entrevista ao G1.
Em janeiro, o garoto chegou a pedir para morar com outra família. Na mesma época, o pai pediu uma segunda chance. Com a promessa de que buscaria reatar os laços familiares com o filho, ele convenceu a Justiça a autorizar uma nova experiência.
A avó materna, que mora em Santa Maria, na Região Central do estado, chegou a se disponibilizar para assumir a guarda. Porém, conforme o MP, Bernardo também concordou em continuar vivendo na casa do pai e da madrasta.
Velório e seputalmento
O corpo de Bernardo foi sepultado na manhã desta quarta (16), por volta das 10h30 no Cemitério Municipal de Santa Maria, na Região Central do estado. Mo mesmo jazigo está sepultada a mãe dele, Odilaine, falecida em fevereiro de 2010 aos 30 anos. Segundo a polícia, a mulher cometeu suicídio com um tiro na cabeça no consultório onde o ex-marido trabalhava à época.
Na terça (15), o corpo de Bernardo foi velado em Três Passos, no ginásio do Colégio Ipiranga, onde ele estudava. Moradores, professores e colegas de escola foram se despedir do garoto. A notícia da morte dele, após 10 dias desaparecido, chocou e causou indignação em Três Passos.
Durante o velório em Santa Maria, o advogado da avó do garoto, Jussara Uglione, apresentou o atestado de óbito de Bernardo. O documento diz que a morte ocorreu no dia 4 de abril de “forma violenta” e o corpo foi encontrado "em adiantado estado de putrefação". De acordo com a Polícia Civil, o garoto foi morto com uma injeção letal, o que ainda deverá ser confirmado pela perícia. A investigação também vai apurar se a criança foi dopada antes de morrer.
Caso corre em segredo de Justiça
A investigação corre em segredo de Justiça e poucos detalhes são fornecidos à imprensa. Mas de acordo com a delegada Caroline Virginia Bamberg, responsável pela investigação, a Polícia Civil diz ter certeza do envolvimento do pai, da madrasta e da amiga da mulher no sumiço do menino. "Precisamos identificar o que cada um fez para a condenação", afirmou.
De acordo com a família, Bernardo havia sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.
No início da tarde do dia 4 de abril, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. A mulher trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen.
“O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser multada”, relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM). A madrasta informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor

Fonte: G1

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