| 13:57 | Praia Notícias | Segurança 3 min de leitura
Pelo menos três suspeitos teriam incendiado morador de rua em Blumenau
À tarde, quase 12 horas depois do atentado, vestígios de fumaça e marcas do ataque ainda podiam ser vistos por quem passava pelo local
Ao menos três homens teriam ateado fogo propositalmente em um morador de rua que morreu carbonizado na manhã de quinta-feira, no Centro
de Blumenau. É o que apontam as primeiras informações da equipe de investigação da Polícia Civil. A vítima, Jorge William Galvão de
Almeida, 22 anos, dormia em uma calçada ao lado do Grande Hotel Blumenau, na Rua XV de Novembro.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Social, que confirmou
a identidade da vítima, Jorge era natural de Olho d'Água das Canhãs, no Maranhão, e tinha mais de 30 registros de atendimento em Blumenau, todos a partir de
maio. Ele seria usuário de drogas e, por conta disso, teria comportamento instável entre aceitar e recusar os serviços oferecidos. Até o fim da tarde de quinta-
feira a Secretaria ainda tentava contato com familiares no Estado natal dele.
O corpo foi encontrado por uma pessoa que passava pelo local por volta das 6h50min e
acionou a Polícia Militar. Até poucas semanas atrás a entrada do hotel reunia dezenas de andarilhos, mas recentemente um tapume foi colocado no espaço. À
tarde, quase 12 horas depois do crime, vestígios de fumaça e marcas da violência ainda podiam ser sentidos por quem passava pela calçada.
Suspeita é que autores também sejam andarilhos
Segundo o delegado responsável pela Divisão de
Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil, Bruno Effori, a investigação teve acesso a imagens que mostram ao menos três autores se aproximando,
derramando um líquido inflamável e ateando fogo ao corpo da vítima. Eles teriam permanecido no local por alguns instantes observando a cena e caminhado em
direção ao Centro. A suspeita, ainda não confirmada, é de que os suspeitos também sejam moradores de rua e que a motivação seria algum
desentendimento.
Ainda segundo a polícia Jorge estava deitado quando teve o corpo incendiado. Ele teria chegado a levantar, mas não resistiu e morreu
antes da chegada dos bombeiros. Até o momento não foi identificada nenhuma testemunha ocular, mas a Polícia Civil pretende ouvir algum familiar da vítima e
funcionários do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), que atende moradores de rua, para apurar como era
a relação da vítima com outros andarilhos e identificar os autores, que devem responder por homicídio qualificado.
Centro atende
cerca de 160 pessoas sem-teto por mês
Atualmente a Secretaria de Desenvolvimento Social atende moradores de rua por meio do Centro Pop, que recebe cerca de
160 moradores de rua por mês com espaço para alimentação, higiene, trabalho social e terapêutico, e de um abrigo no bairro Salto Weissbach, por onde passam
em média 40 pessoas por dia. A estimativa, porém, é que a cidade atualmente tenha perto de 200 moradores de rua,
já que muitos apenas
passam pelo município e outros recusam o atendimento oferecido em abordagens de rua.
— O comprometimento com álcool e drogas ocorre em 95% dos casos
e isso acaba dificultando a abordagem e a adaptação a espaços com regras, além de causar até divergências entre eles. Mesmo assim temos feito um
trabalho bastante intensificado nos últimos meses — pontua a secretária de Desenvolvimento Social, Patrícia Morastoni Sasse, que destaca também a
facilidade para conseguir esmola, colchão e recursos para se manter na rua como outro obstáculo para os serviços oferecidos.
Fonte: Diário Catarinense
























































